Este Palmeiras não tem queixo de vidro

Thiago Santos
César Greco / Ag.Palmeiras

A estreia na Libertadores, como não poderia deixar de ser, foi bastante nervosa e…

Peraí! Como assim “não poderia deixar de ser”? O jogo não se mostrou nervoso; quem estava nervoso, muito em razão da ansiedade, foi o Palmeiras. E essa ansiedade certamente é resultado da pressão colocada pela imprensa e de nossa própria torcida, diante dos investimentos e da expectativa. Mesmo um time experiente e “cascudo” como o nosso sente a estreia. Infelizmente, custou caro; Vitor Hugo teve uma pane mental, acabou expulso e prejudicou todo o plano de jogo.

Pior: o Palmeiras tomou um gol logo em seguida e um jogo que estava controlado quase se tornou um pesadelo. Nosso time viu-se como um boxeador encurralado no corner, tomando uma saraivada de golpes, tentando resistir até o gongo soar.

Pois o Palmeiras resistiu por uns bons cinco minutos. Os duros golpes foram assimilados e o time colocou a bola no chão. Mesmo diante de um estádio inflamado pela expulsão e pelo gol, o time teve personalidade para não sucumbir, se reorganizou e buscou o empate ainda no primeiro tempo. E ainda teve mais chances claras de marcar gols, todas com Borja, que mostrou que também é humano e erra.

Escolhas erradas e excesso de respeito

O Palmeiras esperava um Tucumán agressivo e se preparou para isso. Quando a bola rolou, encontrou um time extremamente respeitoso e demorou mais de 15 minutos para entender que deveria tomar a iniciativa do jogo. Na verdade, os dois times se respeitaram demais.

Eduardo fez a leitura errada de como iniciar a partida, mas convenhamos: a maioria absoluta de nós também imaginava que os argentinos viriam para o abafa. Enxergávamos o Tucumán como uma espécie de Paysandu, mas na verdade, era menor ainda; algo como um Comercial do Piauí, aquele que o Adriano Michael Jackson fez 4 gols no Pacaembu. Para eles, a glória não era ganhar o jogo: ela já havia sido alcançada só de entrar em campo para jogar contra el poderoso Palmeiras de Brasil.

A mexida

A substituição-chave é controversa. Eduardo poderia ter simplesmente recuado Thiago Santos para a zaga. Tanto poderia ter ganho, quanto exposto demais o time e perdido. Assim como uma bola marota poderia ter dado a vitória ao time da casa – por exemplo, a espanada de Antônio Carlos que foi a escanteio. Muitos “ses”, muitos detalhes definiram o resultado de ontem – e definiriam o placar também no caso da escolha ter sido outra. De forma alguma se pode enxovalhar o treinador pela decisão tomada, num espaço de tempo tão curto. Seria o caso, se o Palmeiras tivesse tomado um baile de bola. Definitivamente não foi o que aconteceu.

É bem mais saudável enxergar os pontos positivos. Já vimos o Palmeiras entrar em parafuso ao tomar um gol e sofrer goleadas dolorosas. Ontem a situação ficou propícia para mais um daqueles desastres, mas esse time mostrou que não tem queixo de vidro e não vai à lona logo no primeiro golpe. Isso deve ser muito valorizado. A ansiedade da estreia já passou e o time vai se encaixando – talvez mais lentamente do que gostaríamos, mas segue em evolução. A impressão segue positiva e, apesar de uma minoria barulhenta e corneteira, a maioria silenciosa segue confiante e apoiando. VAMOS PALMEIRAS!