O hiato entre Oberdan e Valdir: uma busca frenética que nos custou um jejum

A posição de goleiro é motivo de orgulho para qualquer palmeirense. Se há uma posição em que normalmente estamos tranquilos, é sob as balizas. Desde Primo, passando por Nascimento, Jurandyr e Oberdan; depois com Valdir, Leão, Gilmar/João Marcos, Zetti, Velloso, Marcos/Sérgio/Diego Cavalieri e mais recentemente Fernando Prass/Jailson e Weverton, sempre estivemos em boas mãos. Ou quase sempre. Por um período específico, entre 1952 e 1958, o Palmeiras penou para encaixar um guardião*.
Depois que Oberdan Cattani, aos 32 anos, perdeu força na carreira (durante a Copa Rio), o Palmeiras teve um breve período com Fábio Crippa sob as traves. O reserva ganhou a posição durante a competição e o Palmeiras ganhou o Campeonato Mundial. Durante pouco mais de um ano, Fábio sustentou a titularidade, mas logo caiu de produção, bastante questionado.
Oberdan, veterano e relegado ao banco, chegou a ter mais uma rápida sequência, mas nem um, nem outro, pareciam à altura das traves palmeirenses. Foi quando começou uma busca frenética pelo genuíno sucessor do lendário goleiro.
O primeiro a receber uma chance foi Cláudio. Durou 3 meses, no final de 1952. Os argentinos Herrera e Rugilo tiveram oportunidades no primeiro semestre de 1953. Furlan e um certo Frederico foram testados no segundo semestre e também não agradaram, a ponto de Oberdan retomar a posição, mesmo sem passar confiança.
Em 1954 a tentativa foi com Cavani, contratado junto ao Comercial da Capital, que durou até agosto. Laércio foi trazido da Portuguesa Santista e mostrou potencial, sustentando a posição apenas até os primeiros meses de 1956 (encaixaria bem no Santos, mais tarde, mas voltou a ser banco com a chegada de Gylmar).
Nivaldo foi contratado junto ao Ferroviário-PR, mas também não durou mais que um ano como titular. O próximo da lista foi Edgar, que veio do América-MG, assumiu em junho de 1957 e afundou em março de 1958 numa goleada por 5 a 2 sofrida para o SPFC.
O Palmeiras tentou quatro goleiros entre março e maio de 1958: Aparecido, Humberto, Vítor e até o argentino Chamorro receberam oportunidades. Aníbal, que já tinha passado pelo Flamengo, foi contratado junto ao Santa Cruz e segurou a posição por seis meses, mas também não deu conta. A busca terminou quando o Palmeiras trouxe do Renner-RS, em novembro de 1958, Valdir de Morais.
Foram cerca de sete anos neste hiato, tentando e errando. Coincidência ou não, mesmo tendo em suas fileiras jogadores do quilate de Waldemar Fiume, Dema, Rodrigues, Mazzola e Humberto Tozzi, o Palmeiras não conquistou nenhum título nesse período, sendo a maior fila do clube até então.
*Houve outro período, após a aposentadoria de Marcos, em que tentamos Deola, Bruno, Raphael Alemão e Fábio, até encaixarmos a contratação de Fernando Prass. Felizmente, um período mais curto.
