Palmeiras, Campeão Paulista de 1972: quando a Academia reafirmou sua grandeza

A final do Campeonato Paulista de 1972 permanece até hoje como um dos capítulos mais marcantes da história do Palmeiras. No dia 3 de setembro daquele ano, diante de mais de 40 mil torcedores no Pacaembu, o Verdão enfrentou o São Paulo numa decisão que carregava não apenas a disputa por um título estadual, mas também a afirmação uma geração inesquecível.
O campeonato era por pontos corridos e a última rodada marcou exatamente o confronto entre o líder e o vice-líder. Ambos estavam invictos e o Palmeiras estava um ponto à frente, o que deu ao Verdão a vantagem de poder empatar no embate decisivo.

A rivalidade estava aflorada, já que no ano anterior o Palmeiras havia sido prejudicado no jogo final exatamente contra o São Paulo, por uma invenção do árbitro Armando Marques, que anulou um gol de Leivinha, de cabeça, alegando que o tento havia sido marcado com a mão.
A escolha do local da partida, feita pelo Palmeiras, mandante, também rendeu polêmica. O São Paulo pressionou para que o jogo fosse no Morumbi, alegando “neutralidade” e maior público, mas o presidente do Palmeiras, Paschoal Giuliano, bateu o pé e preferiu o Pacaembu, publicando um anúncio nos maiores jornais da cidade explicando a decisão com uma frase que entrou para a História: “As rendas passam, os títulos ficam”.
1972: O Palmeiras uniu eficiência e jogo refinado
Se a Primeira Academia apresentava o toque de bola refinado, a Segunda unia espetáculo a consistência, com jogadores como Dudu, Ademir da Guia, Luís Pereira, Leão, César e o próprio Leivinha. Não era apenas um time vencedor, mas também uma escola de futebol que marcava época. O Verdão era tecnicamente superior e se apresentava com a confiança de uma equipe madura, dirigida por Oswaldo Brandão e sustentada por nomes que se tornariam lendas do clube e do futebol brasileiro.

O São Paulo foi neutralizado na técnica, num Pacaembu lotado. O Palmeiras dominou o primeiro tempo, criando boas oportunidades, incluindo uma bola salva em cima da linha pela defesa rival, além de finalizações perigosas de Leivinha e César que passaram perto do gol, e na etapa final, Ademir brilhou com sua qualidade técnica em mais uma partida “divina”.
A conquista teve um peso simbólico enorme para o torcedor palmeirense, já que reafirmou a hegemonia estadual e consolidou a imagem de um clube acostumado a grandes decisões. Mais de cinco décadas depois, a lembrança daquela final segue viva. O empate sem gols não apagou o brilho do título; ao contrário, tornou-se símbolo da maturidade, da disciplina e da genialidade de um elenco que sabia vencer com autoridade.

Um comentário em “Palmeiras, Campeão Paulista de 1972: quando a Academia reafirmou sua grandeza”
o título invicto, a vingança de 2 vices seguidos para o mesmo inimigo nos anos imediatamente anteriores, a solidificação de um time que fora retocado apenas no início do ano, o prenúncio de uma era.
e tudo isso emoldurado na afirmação de identidade materializada neste lapidar anúncio de “porque o Pacaembu”.
não a toa, vozes de peso em nossa torcida afirmam “1972 foi a maior temporada em 111 anos de história”.