Allianz Parque, peça fundamental no sucesso esportivo do Palmeiras

Allianz ParqueO Allianz Parque foi inaugurado em novembro de 2014. Em pouco mais de dois anos em atividade, já houve 71 partidas do Palmeiras no novo estádio, e o salto do clube em relação às temporadas anteriores, em várias frentes, é notável.

Vamos a algumas comparações, a começar pelos resultados em campo.

Nestes 71 jogos no Allianz Parque, vencemos 47, empatamos 12 e perdemos outros 12; um aproveitamento de 71,8% dos pontos disputados. Isolando os últimos 71 jogos disputados no velho Palestra, entre 2008 e 2010, o resultado é bem parecido: 46 vitórias, 15 empates e 10 derrotas, com os mesmos 71,8% de aproveitamento.

Mandamos 158 jogos durante a construção do Allianz Parque, em dez estádios diferentes: 106 no Pacaembu, 21 na Arena Barueri, 13 no Canindé, 5 na Fonte Luminosa e no Prudentão, 3 no Novelli Júnior, 2 no Estádio do Café e 1 no Benedito Teixeira, Jayme Cintra e Morenão. No cômputo geral, foram 91 vitórias, 34 empates e 33 derrotas, com apenas 64,8% de aproveitamento.

Público e renda

Mas é no público e renda que notamos a diferença mais arrebatadora: nos últimos 71 jogos no Palestra, a média de público registrada foi de 15.932 pagantes. Nos 158 jogos em que vagamos pelo Brasil, o público pagante médio foi um pouco menor: 13.925. No Allianz Parque, são 30.315 pagantes por jogo.

Considerando que o ticket médio do Allianz Parque é praticamente o dobro do que a maioria dos clubes brasileiros costuma praticar em seus estádios – inclusive o próprio Palmeiras, antes da inauguração do Allianz Parque – podemos concluir, grosseiramente, que a bilheteria do Palmeiras quadruplicou a partir de novembro de 2014.

O conforto proporcionado pelas cadeiras, a cobertura, os serviços e a manutenção das dependências atraiu ao estádio um público com um perfil diferente do habitual, que não se importa em pagar mais que o valor de um bilhete popular. Foi este grupo que trouxe esse resultado extraordinário de público e renda.

Círculo virtuoso

Além da bilheteria, o Allianz Parque influenciou também em outra fonte de renda do Palmeiras: o sócio-torcedor. Os sócios Avanti da categoria Ouro, que são atraídos pelo Gol Norte, precisam se manter com o rating em seu nível mais alto se quiserem garantir o acesso aos jogos mais disputados. Mas dezenas de milhares de palmeirenses acabam aderindo ao programa para usufruírem dos descontos oferecidosnos outros setores também. Além da renda garantida ao clube, o sistema acabou desenvolvendo nesses torcedores o hábito, antes adormecido, de apoiar o Palmeiras no estádio em todos os jogos.

Recursos financeiros advindos do Avanti e das bilheterias, com o apoio maciço de um volume muito maior de torcedores geram vitórias esportivas. As vitórias esportivas atraem mais sócios torcedores e mantém o estádio lotado. E assim o Palmeiras deu a primeira volta na roda, que agora consegue se manter girando quase que por inércia, fechando o círculo virtuoso.

Pagamos caro

Ao contrário do que parte da imprensa quer fazer crer, não somos um clube abençoado pelos céus por ter o Allianz Parque. Pagamos caro por ele – os quatro anos sem casa foram um martírio para nossa torcida, sobretudo quando não contamos nem com o Pacaembu. Os mandos no Canindé e na Arena Barueri foram especialmente desagradáveis, por vários aspectos. Chegamos a jogar para 4.430 pagantes em 2014, contra o Vilhena no Pacaembu, em jogo válido pela Copa do Brasil. No Allianz Parque, até agora, o menor público foi de 15.037, contra o Coritiba, na reta final do Brasileirão de 2015 – com todo o foco da torcida na final da Copa do Brasil que seria disputada três dias depois.

Pagamos caro não só nos quatro anos em que a torcida foi jogada de um lado para outro e o time não conseguiu se sentir em casa em momento algum, nem no (meu, no seu, no nosso) Pacaembu, o que gerou a comprovada queda no rendimento. Para ter o Allianz Parque, todos sabemos, foi feita uma parceria com a construtora WTorre, que recebeu em troca da execução da obra os direitos de superfície do estádio por 30 anos, com regras obscuras que vêm sendo discutidas em complexos processos de arbitragem. A postura da parceira tem deixado muito a desejar em vários aspectos e vem notoriamente sendo um ônus a mais para o clube nesse processo.

Identidade

Hoje temos um estádio confortável, mas que nos foi muito estranho no início: coberto, com todo seu aspecto asséptico, suas escadas rolantes e sua iluminação acachapante, que contrastavam com o velho Palestra, com seu cimento áspero, iluminação de boate, que mantinha como cenário os bairros das Perdizes e da Pompeia. Antes tínhamos um fosso onde se cantava “Chico Lang, viado!”; passamos a ter um público que tira selfies, se diverte no telão e bate bastões infláveis. Mas aos poucos esse novo público passou a compreender o espírito de estádio; ao mesmo tempo, o público tradicional já aprendeu a conviver com os novos frequentadores e o resultado é uma identidade própria, já em fase de solidificação

Os resultados falam por si. Em pouco mais de dois anos, temos um estádio muito agradável e sempre cheio, que gera muito dinheiro; onde o time tem um aproveitamento muito bom, que já levantou dois títulos e abrigou várias partidas inesquecíveis, desde os gols por cobertura no SPFC, até o heroico gol de Mina, aos 50 minutos do segundo tempo, há dois dias.

Nosso novo estádio é, indiscutivelmente, um dos grandes pilares do sucesso esportivo que o Palmeiras vem alcançando, ao lado da administração financeira extremamente habilidosa e da excelência no departamento de futebol, desde a estrutura física até o nível dos profissionais, passando pela indispensável blindagem da Academia de Futebol.

Se ainda há na mídia quem diga que o Allianz Parque não foi um bom negócio para o Palmeiras, ligue o alerta: é mal informado, estúpido ou simplesmente clubista. VAMOS PALMEIRAS!