De Dacunto a Felipe Melo: quem corre são os outros

Felipe Melo
REUTERS/Andres Stapff

A Conmebol julgou ontem os atletas envolvidos no conflito ao final da partida entre Peñarol e Palmeiras, em Montevideo. Felipe Melo foi condenado a seis jogos de suspensão mais ao pagamento de dez mil dólares. Já os uruguaios Mier, Nández e Hernandez receberam cinco partidas cada, além do pagamento da mesma quantia. Os dois clubes ainda serão julgados na próxima quarta-feira e poderão receber penas de perda de mandos de jogos. Cabe recurso.

Felipe Melo, que já havia sido suspenso preventivamente e não pôde jogar contra o Jorge Wilstermann na Bolívia, tem ainda mais cinco jogos por cumprir: contra o Tucumán, na partida derradeira da fase de grupos, e nas partidas pelas oitavas e quartas-de-finais, caso o Palmeiras siga avançando. Em caso de eliminação, a punição valerá para a Sul-Americana.

É quase desnecessário pontuar o quanto a punição é absurda. As imagens são claras, os jogadores do Peñarol, como de hábito, reagiram mal à eliminação e deliberadamente deflagraram o conflito, escolhendo Felipe Melo, por todo seu histórico, como alvo. Nosso atleta, experiente, evitou ao máximo o confronto e se defendeu num momento extremo. A má intenção uruguaia fica escancarada pelo fato dos portões de acesso ao vestiário terem sido trancados, evitando que nossos jogadores deixassem o gramado para encerrar o conflito.

Quando termina a má intenção do Peñarol, aparece a da Conmebol. O patético relatório do oficial de segurança da entidade chama para si a responsabilidade do cerramento dos portões, justificando a atitude pela presença de seguranças do Palmeiras, que entraram no gramado exatamente para isolar nossos jogadores e evitar o conflito. Para a Conmebol, o que Felipe Melo fez foi mais grave que o que fizeram os uruguaios – e apenas três deles mereceram punições.

Cheiro ruim

Nossa torcida reagiu com indignação à divulgação da punição. Há quem defenda o abandono da competição como medida extrema, o que significaria um ato de desagravo ao “amadorismo”, para não sugerir outras intenções, da entidade.

Vamos e venhamos: a punição exagerada não cheira bem. O fato do Palmeiras estar bem calçado financeiramente e de caber recurso – e de ainda haver outro julgamento relacionado a perda de mandos nos faz pensar em outras intenções, relacionadas a acertos nos bastidores. O vasto histórico da entidade permite que essas ilações sejam feitas sem cair na leviandade.

Tudo o que nossos adversários sonham é que o Palmeiras se retire da Libertadores. Bem ou mal, o que está em jogo é o título do continente e o Verdão é um dos principais candidatos ao troféu. Abrir mão da disputa em nome de um levante que, sabemos, não dará em nada, além de ser inócuo abrirá caminho para que times como o Flamengo fiquem mais próximos da conquista.

Cadê a CBF?

Maurício Galiotte já fez o que estava a seu alcance: foi à imprensa e reclamou com veemência, reafirmando a condição do Palmeiras de vítima no episódio. Além dos recursos legais, cabe até um protesto formal – tão eficaz quanto pedir “por favor” para que a pena seja revogada.

Quem elege a diretoria da Conmebol são as confederações nacionais. A responsabilidade de se insurgir contra essas medidas é da CBF. É obrigação da entidade da Barra da Tijuca agir nos corredores da Conmebol em defesa de seus afiliados. Cadê?

O mais irônico é que tudo isso acontece em meio a insinuações de favorecimento ao Palmeiras, seja pelo poderio financeiro da patrocinadora, seja pela origem supostamente palmeirense do presidente da CBF – aquele que não pode deixar o país para não ser preso e que lutou com todas as forças pela viabilização da construção do Itaquerão.

Combustível

Cabe à nossa torcida engolir mais essa e transformar a punição indigesta em combustível para empurrar o time rumo ao bicampeonato. Temos time e temos técnico. Se confirmada, a punição será apenas mais um obstáculo a ser vencido.

Nos inspiremos em nossa História. Em 1942, foi o SPFC quem correu. Em 1944, armaram e tiraram o nosso médio argentino Dacunto da partida decisiva. No final, sempre deu Palmeiras. Com Dacunto ou sem Dacunto; com Felipe Melo ou sem Felipe Melo, nós ganhamos. VAMOS PALMEIRAS!