Práticas eleitorais entram em pauta no Palmeiras

A chapa Todos Palmeiras, de oposição, protocolou na secretaria do clube um documento endereçado aos presidentes da Diretoria Executiva e do Conselho Deliberativo, Mauricio Galiotte e Seraphim Del Grande, no qual solicita a adoção de medidas visando manter a justiça na disputa para as cadeiras do Conselho. A eleição acontecerá no próximo mês de fevereiro.

No documento, os conselheiros traçam paralelos entre as regras da política nacional e o que é praticado no Palmeiras, apontando desequilíbrios nas campanhas atuais e solicitando que medidas sejam tomadas para que o processo no clube seja conduzido seguindo as melhores práticas.

Entre as solicitações, está a proibição da distribuição aos associados de brindes relacionados aos candidatos; a suspensão das campanhas eleitorais antes da convocação das eleições, que formaliza o processo; e a regulamentação do envio de campanha por correspondência aos associados, para evitar confusão entre material de campanha com comunicações institucionais do clube.

Os autores solicitam que a resposta seja dada em cinco dias úteis.

Picuinha

Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

É importante lembrar que o presidente do Conselho foi recentemente cobrado a respeito da publicação dos balancetes mensais, pelo mesmo mecanismo formal: carta protocolada na secretaria do clube.

Talvez sentindo-se desafiado, o dirigente declarou que não respondeu propositalmente por achar que não tem que obedecer prazos, sobretudo a algo que ele tomou conhecimento primeiro através da imprensa.

Del Grande ainda mencionou que se o prazo não tivesse sido estipulado, teria respondido no dia seguinte, caracterizando uma picuinha típica das alamedas palestrinas.

Esperamos que desta vez os dirigentes palmeirenses ajam com mais maturidade e respondam às pertinentes solicitações do grupo oposicionista, a fim de que as eleições, de fato, ocorram de forma justa e seguindo as melhores práticas, sem favorecimentos.


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Avanço e coincidências atrapalham o Palmeiras no Brasileirão

The Who arrepiou no Allianz Parque, em 2017

Em novembro próximo, o Allianz Parque completará cinco anos de atividade. O estádio, inaugurado em 19 de novembro de 2014, é um marco no renascimento do Palmeiras e uma fonte de renda fundamental para o clube nas próximas décadas, como já pudemos ver neste post.

A característica multiuso do estádio atrai a realização de grandiosos shows que são agendados, às vezes, com quase um ano de antecedência. A página oficial do Allianz Parque, cuja gestão é da WTorre, mantém o calendário de concertos disponível ao público.

Neste momento, a eclética agenda prevê atrações para todos os gostos: Paul McCartney em março, Star Wars In Concert em abril, BTS e Los Hermanos em maio, Sandy & Júnior em agosto e Shawn Mendes em novembro.

Como já é costume desde a inauguração, o Palmeiras precisa fazer alguns sacrifícios na temporada e mandar jogos fora do Allianz Parque por conta desses compromissos. Neste período, foram 20 partidas em outros estádios, média de 5 por ano – destas, 19 foram no Pacaembu e uma na Fonte Luminosa, em Araraquara. Não houve prejuízo técnico: a campanha foi de 14 vitórias, 3 empates e apenas 3 derrotas.

Problemas à vista

Para este ano, o Pacaembu está fora do roteiro do Brasileirão. Ao fazer uma inédita exigência na iluminação dos estádios, a entidade condicionou a permanência do velho Municipal à altamente improvável reforma do sistema, dado que a Prefeitura claramente tem outras prioridades.

Isto faz com que o Palmeiras precise buscar alternativas para receber os jogos em que haja conflito de agenda. Até a rodada 33, é permitido recorrer a cidades em outros estados

O lado bom é que torcedores de outras praças, que raramente têm a chance de receber o Verdão, poderão assistir nosso time de pertinho – muitos, pela primeira vez.

Resta saber quais estádios atendem às especificações da CBF e dispõem de um estádio cujo sistema de iluminação atinjam 800 lux – a nova exigência da CBF.

Jogos comprometidos

A CBF divulgou a tabela básica do Brasileirão, com todos os jogos marcados provisoriamente para domingos e quarta-feiras – as datas definitivas são marcadas após a deliberação da RGT. Três jogos do Palmeiras parecem comprometidos e demandarão esforços de nossa diretoria junto à CBF para que o Allianz Parque possa recebê-los. Clique aqui para acessar o calendário geral de jogos divulgado pela CBF e acompanhe a resolução do quebra-cabeças.

1) vs. Santos
O show da banda Los Hermanos (18 de maio) vai obrigar o Palmeiras a jogar contra o Santos fora do Allianz Parque, marcado para o dia 19, na quinta rodada. O Pacaembu pode ser usado se o jogo for marcado para as 11 da manhã, se é que esse horário será reeditado este ano. Uma alternativa seria puxar o jogo para o meio da semana, dia 15, uma das três datas previstas para as oitavas-de-final da Copa do Brasil, o que demandaria alguma ginástica de nossa diretoria para que a CBF nos atenda e marque os jogos de Palmeiras e de Santos para as outras duas datas, dias 22 e 29 de maio.

2) vs. Fluminense
O show de Sandy & Júnior está marcado para o sábado, dia 24 de agosto e a tabela prevê a partida contra o Fluminense para o domingo. Talvez houvesse tempo hábil para que o jogo fosse realizado na segunda à noite, mas há o impeditivo que esse horário é do SporTV, que não pode fazer a transmissão porque o Palmeiras vendeu os direitos de TV fechada para o grupo Turner. Mais uma vez, o horário das 11 da manhã permitiria o uso do Pacaembu. O Plano B seria adiar o jogo para o dia 18 de setembro, data prevista para a final da Copa Sul-Americana, contando que o time carioca já estará eliminado.

3) vs. Flamengo
No dia 1 de dezembro, na rodada 36, enfrentam-se dois dos grandes candidatos ao título: Palmeiras x Flamengo. Nos dias 29 e 30 de novembro, o estádio receberá o show do cantor Shawn Mendes. De novo, o horário da manhã resolveria o problema e o Municipal poderia ser o palco do jogo. As datas mais próximas que permitiriam uma manobra no calendário seriam os dias 13 e 20 de novembro, inicialmente vagas, por conta de estarem compreendidas entre datas FIFA.

Esta partida, especialmente, precisa de uma saída a todo custo, a começar pela óbvia importância técnica para o campeonato. Mas por ser um jogo nas cinco rodadas finais do campeonato, o Palmeiras sequer teria a chance de mandar em outro estado, restando, como alternativas, apenas o Morumbi e o Itaquerão. Uma catástrofe!

Avanço do futebol e coincidências

Sede da CBF

A exigência de 800 lux pode ser considerada um avanço no futebol brasileiro, a não ser pelo fato de que poucos estádios país afora satisfarão à determinação, concentrando a realização dos jogos nos grandes estádios, reformadas ou construídas para a Copa de 2014. Barueri, uma alternativa natural aos estádios da capital paulista, ainda não atende à nova exigência.

Por uma grande coincidência, justo o Palmeiras, por mandar seus jogos num estádio que sabidamente é palco de grandes shows, acaba sendo muito prejudicado por não poder mais contar com o Pacaembu como estádio substituto, nessas ocasiões.

Também por uma grande coincidência, um dos jogos-chave do campeonato, a três rodadas do fim, foi marcado para uma data em que já é sabido que haverá um show no estádio. De quebra, o jogo contra o Fluminense, outro time da cidade onde fica a sede da CBF e da RGT, também foi marcado para uma data que coincide com show no Allianz Parque.

À diretoria do Palmeiras cabe, agora, exercitar a política e defender mais uma vez os interesses do clube, tanto junto à WTorre, para que seja criteriosa na marcação de novos shows até o final do ano, quanto (e principalmente) junto à CBF, no sentido de remanejar os jogos em que o clube será obrigado a mandar as partidas fora de nosso estádio.

Eventualmente, o Palmeiras poderia até estudar um projeto para ajudar a viabilizar a reforma do sistema de iluminação do Pacaembu, já que a prefeitura se recusa a custear a adequação, num primeiro momento.

O que não podemos é permitir que essas coincidências atrapalhem nosso caminho rumo ao 11º título brasileiro. Os problemas já estão definidos com muito tempo de antecedência. Dá pra resolver.


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Sorteio da Copa do Brasil é envolto em novas suspeitas; Palmeiras volta a ser removido de uma competição e precisa reagir

Cruzeiro 1x0 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Pela terceira vez consecutiva o Palmeiras foi removido de uma competição por situações alheias à disputa esportiva. Apesar de ter feito duas exibições que poderiam ter sido melhores, o Verdão acabou sem a chance de sequer decidir a vaga nos pênaltis graças à anulação do gol de Antônio Carlos, no último lance do jogo de ida, no Allianz Parque.

Alguém pode contestar a chance do Palmeiras nos tiros livres, dado o baixo rendimento nos últimos jogos – algo que não me parece razoável, já que uma decisão por pênaltis é uma situação completamente diferente de um pênalti com o jogo rolando. Além disso, não sabemos o quanto o Palmeiras treinou para uma eventual decisão, mas parece fácil supor que treinou muito, tanto quanto o Cruzeiro.

Alguém também pode ponderar que se o gol tivesse sido validado, a segunda partida teria outras características desde seu início e que não se pode cravar que a decisão teria ido para os pênaltis. O que faz total sentido.

Mas não se pode ignorar que um gol foi subtraído do Palmeiras no último lance do jogo de ida. Isso é imutável. E isso pesa demais em qualquer confronto de mata-mata em que os times estão minimamente equilibrados, embora seja consenso até na imprensa que o Palmeiras, hoje, tem o elenco mais equilibrado e o time mais forte do futebol brasileiro.

Sorteio estranho

Não precisamos mencionar apenas nossa desclassificação. A história da Copa do Brasil de 2018 vai sendo escrita sob cenários envoltos por situações peculiares.

A despeito do folclore do futebol conter inúmeras histórias de sorteios dirigidos, tomemos como exemplo a forma com que a CBF vem conduzindo os sorteios dos mandos.

O vídeo abaixo tem apenas os segundos finais do sorteio que definiu o mando da final do torneio; mesmo o vídeo completo que circula nas redes sociais mostra a mesma situação: a auxiliar de palco gira as bolas com extrema delicadeza; a bola do meio, escolhida pela moça, não parece se misturar com as outras.

A expressão da menina, diante do anúncio, transmite um certo alívio, mesmo com um sorriso profissionalmente artificial. É um sorteio muito estranho, que dá margem a todas as especulações possíveis.

Contexto sombrio

Em 2004, fiz um estudo informal comparando os resultados das disputas eliminatórias usando a regra do gol qualificado com os resultados do chamado “jogo de 180 minutos”, sem o gol qualificado. Os jogos analisados eram válidos pelas principais competições nacionais, sul-americanas e europeias, a partir da fase de quartas-de-final, quando os clubes são fortes e os confrontos, equilibrados.

O resultado foi que, sem usar o gol qualificado, o vencedor do confronto foi 70% das vezes o time que decidiu em casa, ao passo que essa proporção caiu para 50% quando a chamada regra “do gol fora”.

Fica a sugestão a qualquer leitor para refazer esse estudo de forma científica, para corroborar ou não com o estudo informal feito há mais de dez anos, que traduz o que a matemática intuitivamente já nos sugere: a regra do gol qualificado equilibra substancialmente os confrontos.

Do nada, a premiação da Copa do Brasil saltou de R$ 6 milhões para exorbitantes R$ 50 milhões, muito mais do que o Brasileirão (R$ 18 milhões) e a própria Libertadores (R$ 40 milhões). Segundo a CBF, a medida tem como objetivo “valorizar a competição”.

Também este ano a regra da competição mudou de forma sensível: o mando do segundo jogo, definido por sorteio, passou a ter muito mais importância com o fim da regra do “gol qualificado”. É sabido que esse mecanismo equilibra muito mais as disputas, diminuindo a importância do fator campo – o que valoriza muito a esportividade da competição.

Outra forma de manter a esportividade da disputa seria relacionar o mando da segunda partida a algum mérito esportivo – no caso, o Ranking Nacional de Clubes elaborado pela própria CBF anualmente parece ser a referência mais que perfeita.

A entidade que tem a prerrogativa de dirigir o futebol brasileiro, no entanto, decidiu que seu próprio ranking não serve para nada e entregou o destino da Copa do Brasil às bolinhas da moça com um sorriso no rosto. Algo que vai na direção oposta ao conceito de “valorizar a competição”.

Ligue os pontos

Duas mudanças tão significativas, juntas, configuram uma tremenda coincidência. Quando o destino do campeonato se torna cada vez mais direcionado para um sorteio, no mínimo, estranho, exatamente no ano em que a premiação é estranhamente turbinada, algo parece errado.

De um lado, estamos diante de uma montanha de dinheiro e de uma entidade notoriamente corrupta. De outro, temos um clube que se notabilizou pelos recentes agrados que vêm recebendo do poder público e do consórcio CBF/RGT, que envolvem estádio, arbitragens e gordas cotas de transmissão, e que mesmo assim segue com problemas financeiros que atrapalham até os pagamentos mais prosaicos, como o da empresa de marmitas.

Ao que parece, tirar da competição o competidor mais forte se encaixa muito bem como uma etapa de um elaborado projeto de transferência de recursos.

Mas tudo isso pode ser apenas uma enorme coincidência.

Investigação séria e rigorosa

Muito se tem falado sobre a falta de força do Palmeiras nos bastidores. Num meio onde a corrupção parece irreversivelmente entranhada, chegamos a desejar que o Palmeiras reduza suas chances de êxito nos campeonatos que disputa e siga seu caminho alheio a esse tipo de acordos, mesmo sendo vítima, pela terceira vez seguida, de uma eliminação escusa.

Mas ninguém gosta de apanhar calado. Um clube como o Palmeiras gira mais de R$ 500 milhões por ano, uma estrutura espetacular foi montada nos últimos cinco anos para dar suporte a todas as áreas que envolvem um time profissional de futebol, mas o sucesso esportivo está sendo constantemente afetado por agentes alheios à disputa dentro de campo. Nossa torcida não aguenta mais ser roubada.

O Palmeiras já mostrou o caminho ao reagir contra a manipulação da final do Paulistão. Ao contratar a maior empresa de investigação particular do mundo para reunir provas e se municiar para as contestações, nossa diretoria deu um importante primeiro passo para se resguardar.

Essa deve ser a direção a seguir. Em paralelo, o Ministério Público precisa ser acionado. E o clube deve usar parte de seu orçamento para continuar a ser assessorado por empresas privadas de investigação. Os suspeitos de manipulação e acordos escusos devem ser vigiados em todas as instâncias e denunciados.

Se o Palmeiras não quiser sujar as mãos (e nenhum de nós quer que isso aconteça), precisa liderar uma frente de ações para limpar o meio em que atua, e ir até as últimas consequências. A missão estará efetivamente cumprida quando dirigentes de entidades e clubes rivais que forem efetivamente flagrados em atos de corrupção forem indiciados, julgados e presos. Já passou da hora de darmos um basta em tudo isso.

CADEIA NELES!


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Palmeiras não abre mão de que lugar de (juiz) ladrão seja na cadeia

Maurício GaliotteSegundo reportagem publicada hoje pela Folha de S.Paulo, o Palmeiras abrirá inquérito policial contra funcionários da FPF e árbitros que teriam mentido em depoimento no TJD-SP, em audiência referente à denúncia de interferência externa na final do Campeonato Paulista deste ano.

O clube decidiu tomar esta iniciativa diante das contradições nos depoimentos de algumas testemunhas do processo, apuradas em dossiê elaborado pela empresa de investigação Kroll e pelo parecer do IBP – Instituto Brasileiro de Peritos. A pena para falso testemunho vai de 2 a 4 anos de prisão, mais multa.

Coberto de razões

O Palmeiras está indo às últimas consequências neste caso, e está coberto de razões, em todos os sentidos.

Na esfera esportiva, o TJD já se mostrou totalmente comprometido com a FPF e não mostrou nenhum interesse em apurar a verdade, mas sim em abafar a história. Se depender do esforço do tribunal do delegado Olim, fica tudo como está.

Thiago Duarte Peixoto
Thiago Duarte Peixoto errou contra a ORCRIM e chegou a chorar em desespero: não adiantou; foi pra geladeira

Os árbitros morrem de medo de levantar um dedo e se submetem às orientações da patota, cujo objetivo é defender os interesses da ORCRIM de Itaquera. Se não obedecerem, saem da escala. Vão para a A3. E isso seguirá acontecendo até que o jogo mude.

Para que isso aconteça, é necessário que o pessoal do apito passe a ter outro tipo de temor: o de irem presos.

Manipulações e abafamentos da verdade são corriqueiramente usados para que as operações dos árbitros em campo sejam esquecidas e virem folclore. A falta de elementos concretos sempre ajudou a fazer a fumaça necessária para que a verdade acabasse encoberta.

Ao decidir investir pesado para contratar entidades especializadas para fornecer esses elementos, o Palmeiras, amparado apenas pela lei, vai fechando o cerco em torno do esquema  para fazer a verdade prevalecer.

Mais nada a perder

A briga é grande, mas chegou num ponto em que o Palmeiras não tem mais nada a perder. A maior retaliação que pode vir, já acontece: o roubo descarado e o favorecimento indiscriminado à ORCRIM de Itaquera.

A Receita Federal já obrigou o clube a mudar o contrato com a Crefisa e, do nada, apareceu uma dívida de R$ 120 milhões.

As principais emissoras de TV tratam o Palmeiras praticamente como um clube argentino em seus programas diários de debate.

Faz muito bem o Palmeiras, em semana de Derby, em divulgar que a esfera da briga agora é outra, e que lugar de ladrão é realmente na cadeia.

Se a situação não se resolve nos bastidores do esporte, vamos nos defender de outro jeito. Parabéns à diretoria do Palmeiras pela atitude; vamos seguir acompanhando os desdobramentos com muita atenção.


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Palmeiras joga fora a arminha de plástico e mostra o canhão

O Palmeiras protocolou junto ao TJD nesta terça-feira um pedido de investigação a respeito de interferência externa no Derby do último domingo que decidiu o Paulistão 2018.

O clube organizou um material em vídeo que comprova a comunicação entre Dionísio Roberto Domingos, diretor de arbitragem da FPF, e a equipe de arbitragem – uma espécie de “telefone sem fio” que passou pelo bandeirinha, pelo quinto árbitro, depois pelo quarto árbitro, até chegar em Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza. Veja o material editado pela TV Palmeiras/FAM:

Existe a possibilidade do clube pedir a anulação da partida, o que daria dois possíveis destinos ao Paulistão 2018: ou a partida final precisaria ser novamente disputada, ou o campeonato é encerrado e declarado sem campeão.

As provas apresentadas pelo Palmeiras são contundentes, mas o próprio presidente do TJD, delegado Olim, em ato falho embaraçoso, admitiu em entrevista à Fox Sports que houve a interferência externa. Confira no vídeo abaixo:

Chega a ser irônico que o delegado Olim tenha se complicado exatamente num momento de auto-promoção pessoal na mídia.

Com isso, o Palmeiras dá uma resposta à altura dos acontecimentos de domingo e busca, munido de provas concretas, restabelecer a justiça. Sai a carta aberta onde o clube faz ameaças vazias à FPF e entra uma peça jurídica extremamente consistente. Sai o revólver de plástico e entra um canhão.

Não cabe, de forma alguma, desqualificar o pedido conjecturando se foi pênalti ou não, como alguns setores da imprensa estão tentando fazer. Quem vai nessa direção está apenas tentando jogar uma cortina de fumaça sobre o real atentado às regras do jogo, que é a interferência externa na arbitragem. Independente do que aconteceu dentro de campo, o mero contato do diretor de arbitragem e do “quinto árbitro” com a equipe de arbitragem já caracterizam essa situação.

Outra ironia da história é que justo o clube que liderou o voto contrário à implantação do árbitro de vídeo é o que foi beneficiado por seu uso irregular, tendo um pênalti contra si sendo revogado.

E o mais trágico é que se o VAR estivesse valendo e o responsável por sua operação fosse o diretor de arbitragem da FPF, ele teria anulado erradamente o pênalti, já que é evidente a falta de Ralf em Dudu.

O Verdazzo parabeniza a diretoria do Palmeiras pela reação. Não podíamos esperar nada a menos que isso. Considerar o assalto de que fomos vítima “página virada” não coaduna com nossa natureza. Agora, atletas e torcida se sentem amparados e podem voltar a se concentrar em jogar bola e a torcer. Se o trabalho preventivo ainda precisa melhorar, o reativo dá sinais de força.

Não parece haver clima para disputar uma nova partida. O mais indicado, diante de todo o cenário montado, seria declarar o Paulistão 2018 sem vencedor. Não apenas porque o SCCP não fez por merecer o título em campo, mas também para simbolizar o fracasso completo que foi este campeonato, a começar pelo regulamento bizarro, passando pelo baixíssimo nível técnico, pelas ações de marketing de péssimo gosto, pelo tribunal de cartas marcadas, culminando com a extrema incompetência das equipes de arbitragem.

No Campeonato Paulista de 2018, todos perderam.


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