A esquerda está com sérios problemas

Egídio disputa bola com Roberto, do Novorizontino
César Greco / Ag.Palmeiras

Contando os dois amistosos de pré-temporada contra Chapecoense e Ponte Preta, o Palmeiras já disputou 17 jogos este ano e o desempenho do time de Eduardo Baptista tem sido bastante satisfatório. Considerando os problemas de lesão, suspensão e convocação, a equipe mostrou um encaixe interessante e a maioria das posições mostrou-se bem suprida.

As exceções são as laterais, sobretudo a esquerda. Do lado direito, Jean sofreu uma fissura há duas semanas no jogo na Vila Belmiro e ainda não tem previsão de volta – Fabiano vem jogando num nível um pouco inferior, mas ainda dentro do aceitável para um reserva. O problema mesmo é do outro lado.

Nosso flanco esquerdo tem sido um ponto fraco notório. Zé Roberto, depois de ter sido a maior vulnerabilidade do time nos jogos contra a Ponte Preta e Audax, ganhou um descanso forçado devido ao cartão vermelho e Egídio naturalmente o substituiu.

Pelo fato do substituto claramente ter características muito mais ofensivas do que de marcação, Eduardo escalou Tchê Tchê para fazer a cobertura dessas descidas. Egídio não é bom marcador e o espaço que ele deixa precisa ser bem protegido.

A cobertura, no entanto, não funcionou. Ontem, o ponta Roberto, mesmo com 31 anos, deitou e rolou nessa área do campo, sobretudo nos 15 minutos iniciais de cada tempo. Tchê Tchê e Felipe Melo ficaram vendidos na corrida. Edu Dracena chegou um décimo atrasado e também ficou para trás. O cara tem 31 anos e o melhor time que já defendeu foi o Coritiba. Não pode.

Estamos numa situação em que o lateral titular, Zé Roberto, está numa fase ruim que sempre pode ser aquela em que a idade finalmente pesou. E mesmo que ele volte a jogar o fino da bola, como já cansou de fazer com nossa camisa nesses quase dois anos e meio de Palmeiras, sempre haverá uma dúvida sobre o quanto ele aguentará o ritmo da titularidade.

Seu reserva é um cara que não defende, exige que um esquema todo especial de cobertura seja desenvolvido – e até agora esse esquema não funcionou. Para piorar, os cruzamentos, seu suposto ponto forte, não estão funcionando.

Egídio tem o crônico problema de escolher quase sempre a opção errada em todas as situações de jogo. Se ele tem duas opções de passe, decide invariavelmente para o mais marcado ou para o lado que vai atrasar o ataque. Pode até ser má sorte, mas isso se repete demais.

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Chegou e já vestiu a 6. (Crédito: Reprodução)

A ambição do Palmeiras na temporada não permite que estejamos com um dos flancos em posição tão frágil. A lateral esquerda chegou num ponto que exige uma reposição de nível incontestável. Não adianta trazer o Victor Luís de volta do Botafogo ou apostar no João Lucas do Novorizontino. Precisamos de um lateralzão, que coloque o Zé Roberto no banco nesta fase de sua carreira, que tem que ser preservada com toda a dignidade, como acontece com Totti na Roma.

No mercado brasileiro, não há nenhum lateral esquerdo que sequer chegue perto do nível que precisamos. É mais um trabalho para o radar do Mattos. A não ser que estejam pensando em aproveitar o camisa 6 que reconheceu nosso estádio no último fim-de-semana.

E a meia?

Ontem Dudu foi escalado mais uma vez como meia armador, jogando por dentro. Sua expressão na comemoração de seu gol, após 38 minutos de uma atuação muito fraca, foi semelhante à que fez no jogo contra o São Bernardo, quando estava nitidamente infeliz em campo. Naquele dia, jogou aberto pela esquerda, mas o time ainda não estava encaixado e sua motivação estava beirando o zero, até o gol e o chacoalhão que levou do Felipe Melo.

Ontem, voltou a mostrar um certo incômodo – não se sabe exatamente com o que, mas parece que ele realmente fica muito mais à vontade correndo pelos flancos – preferencialmente o esquerdo, mas se vira bem pela direita também. Definitivamente, jogar como articulador principal parece não ser sua função favorita.

Parece que Eduardo Baptista o está usando nessa função muito mais pelas boas performances dos outros pontas do que por seu próprio rendimento. Roger Guedes, Keno, Michel Bastos e até Erik estão em fases produtivas, enquanto que Raphael Veiga parece ainda estar amadurecendo e Hyoran acabou de estrear – tudo isso enquanto Guerra se recupera de lesão sofrida jogando pela Venezuela. Temos três meias centrais bem interessantes, mas nenhum se mostra apto neste momento para barrar os pontas em fases mais exuberantes – sobra para Dudu cair para o miolo.

Eduardo deve estar enxergando essa situação e precisa achar a melhor combinação a cada jogo, conforme a fase técnica de cada um. É o ônus de ter tantas boas opções no setor. À distância, preferia Dudu aberto e confiaria num dos garotos para jogar por dentro enquanto Guerra se recupera; e Roger Guedes que se vire para continuar como titular enquanto Michel Bastos, Keno e Erik estão babando pela outra vaga.

Novidade

A partir de ontem, o post de pós-jogo conta com uma nova seção: “A Voz do Padrinho”, um espaço onde os leitores que apoiam o Verdazzo gravam um rápido áudio com as impressões sobre a partida.

O Verdazzo, desta forma, aumenta a participação dos leitores e faz do site cada vez mais um espaço DA TORCIDA DO PALMEIRAS, caminhando para diminuir a dependência do trabalho da mídia tradicional. Prestigie!