O que está acontecendo com Fernando Prass?

A derrota de ontem para o Cruzeiro, a despeito de estar prevista no planejamento de pontos – mesmo na versão ajustada após o primeiro quartil – deixou parte de nossa torcida à beira de um ataque de nervos. E o eleito para carregar a cruz acabou sendo Fernando Prass.

O fato ganhou espaço na grande mídia, como esta matéria, no portal da RGT. E embora os tweets selecionados nas ilustrações sejam respeitosos com nosso camisa 1, o que se viu nas redes sociais extrapolou os limites da irracionalidade típica dos momentos que sucedem uma derrota.

Reticências

Gol Barcelona
Reprodução

Um dos pré-requisitos para um goleiro é passar confiança, não apenas para a defesa, mas também para a torcida. Nos últimos dois jogos Prass sofreu gols em que a bola desviou no meio do caminho, mas mesmo assim ficou aquela desconfiança de que ele poderia, usando os reflexos, ter evitado os gols. São lances rápidos em que a impressão de quem vê nem sempre condiz com a possibilidade real de quem está lá, guardando a meta. Mas quando lances parecidos ocorrem em jogos seguidos, é inevitável que surjam reticências.

Some-se a esses lances uma falha de fundamento que incomoda, a tendência crônica de socar as bolas altas para o chão em vez de tirá-la da área e aliviar de vez o perigo, e principalmente o desconhecimento da maioria absoluta da torcida de como é estar numa pequena área defendendo um gigantesco espaço de 7,32m por 2,44m: o gol do Thiago Neves foi mérito absoluto do meia; Prass fez exatamente o que deveria ter feito e o toque por cima foi de uma precisão que às vezes parece que só acontece contra o Palmeiras. Diante das falhas possíveis e da que efetivamente não aconteceu, caiu o pano vermelho na frente dos olhos dos experts de Twitter e houve até quem visse falha no terceiro gol, onde ele também foi corretíssimo.

Mas se fossem apenas nestes dois jogos, talvez a ira não tivesse sido despertada. Ocorre que Prass vem oscilando desde o Paulistão, quando levou alguns gols defensáveis, permitindo que pulguinhas se instalassem atrás de muitas orelhas verdes.

O camisa 1 garantiu a vitória contra o CAG numa defesa dificílima perto do fim do jogo, foi espetacular na Fonte Nova e na Vila Belmiro, e mesmo na tranquila vitória contra o Fluminense fez intervenções magníficas. Isso depois de ter falhado contra o Coritiba e no clássico contra o SPFC.  São essas oscilações que fazem com que parte da torcida passe a se preocupar com o desempenho de um de nossos maiores ídolos recentes.

Sinais?

Fernando Prass e Cuca
Fabio Menotti / Ag.Palmeiras

Aos 39 anos, completados ontem, Prass dá sinais de que pode estar perdendo o reflexo e a explosão – o que não significa que isso está de fato acontecendo. Temos uma excelente comissão técnica que trabalha incessantemente. Oscar Rodriguez treina Fernando Prass desde 2014 e é um dos responsáveis por tudo o que ele nos proporcionou desde então; certamente está bastante atento a esses lances e sabe avaliar com muito mais precisão que qualquer um de nós o que está acontecendo e se algo mais drástico precisa ser feito.

A gratidão a Fernando Prass pelos pênaltis defendidos nos clássicos, pela defesa no chute do Fred aos 46 do segundo tempo, entre tantas outras defesas miraculosas não o torna imune a críticas. Mas deveria torná-lo imune a desrespeito. É revoltante ler algumas manifestações de torcedores, que são tão mimados e compromissados apenas com as vitórias e não com nossa camisa, que chegam a parecer torcedores do SPFC.

Hora de ser inteligente e leal

Prass: Acabou, Petros!Tudo o que nosso goleiro não precisa às vésperas de um Derby importantíssimo é de desconfiança, por mais que seja experiente, capaz de superar as críticas e fazer bem seu trabalho. Manifestações pedindo Jailson em redes sociais não influenciam em nada as tomadas de decisão da comissão técnica, mas dão combustível para a imprensa e tumultuam o ambiente.

Fernando Prass, assim como todo o nosso elenco, precisa de apoio principalmente nas derrotas. Manifestações de carinho e confiança, além de serem mais inteligentes e adequadas ao momento, coadunam com nosso Hino, mantendo a lealdade como padrão.