Derby: sequência entre 1999 e 2000 foi uma completa insanidade

Maior clássico do Brasil, o Derby teve seu apogeu entre 1999 e 2000, quando Palmeiras e Corinthians tinham times poderosíssimos e se cruzaram em muitas competições em fases decisivas.

Há 26 anos, no dia 12 de setembro de 1999, o Morumbi viveu uma tarde mágica de Derby. Em jornada inspiradíssima de Paulo Nunes, o Palmeiras atropelou o Corinthians por 4 a 1 pelo Campeonato Brasileiro, numa fase em que a rivalidade entre as equipes estava mais aflorada do que nunca.

Entre 1999 e 2000, foram nada menos que 15 Derbies, com 6 vitórias do Palmeiras, 7 do Corinthians e apenas 2 empates, numa sequência de clássicos decisivos nunca antes vista. Dois clubes muito fortes economicamente que tinham elencos poderosos. As camisas fizeram o resto e os dois últimos anos do século XX marcaram o apogeu desta centenária rivalidade.

Os dois clubes representaram o Brasil na Libertadores de 1999 e, como era o costume, foram alocados no mesmo grupo, com uma vitória para cada lado. Ambos avançaram, e quis o destino que se cruzassem novamente nas quartas de final. Vencemos o jogo de ida por 2 a 0, no jogo que marcou o nascimento de “São Marcos”. O Corinthians devolveu o placar na volta. A vaga foi decidida nos pênaltis; Marcos defendeu o pênalti de Vampeta, Dinei chutou no travessão e o Verdão levou a melhor, avançando para as semifinais contra o River Plate.

Um mês depois, os dois clubes voltaram a se encontrar, desta vez na final do Campeonato Paulista. Envolvido nas finais das Libertadores, tendo vencido 3 dos 6 estaduais anteriores, o Verdão poupou os titulares no jogo de ida. O placar apontava 1 a 0 até os 45 do segundo tempo, quando Oscar Roberto de Godoy apitou um pênalti duvidoso para o adversário, que converteu e ainda faria o terceiro, já após o tempo de acréscimo determinado.

Campeonato Paulista 1999

O Palmeiras conquistou a Libertadores sobre o Deportivo Cali na quarta-feira seguinte, mas não teve tempo para comemorar, já que no domingo tinha a dura missão de reverter os 3 a 0 da ida. O Verdão jogou melhor, foi para o intervalo em vantagem, mas o Corinthians buscou o empate por 2 a 2 para ficar com o título. Maus perdedores e maus ganhadores, resolveram fazer graça com a partida em andamento, o que resultou num dos maiores quebra-paus da história do confronto. Ao final, a frase emblemática de Paulo Nunes: “Eles que fiquem com o Paulistinha!”

Os confrontos no ano de 1999 terminaram com a já mencionada goleada por 4 a 1, que hoje completa 26 anos, e mal sabíamos que era possível a rivalidade ficar maior ainda, como aconteceu no ano seguinte.

Em janeiro de 2000, na disputa da fase de grupos do Rio-São Paulo, uma vitória para cada lado; o Corinthians ficou pelo caminho, o Verdão avançou e foi campeão com uma goleada por 4 a 0 em cima do Vasco de Edmundo, Juninho Pernambucano, Romário e Pedrinho.

Eles deram o troco no Paulista, no quadrangular da terceira fase, com uma vitória por 4 a 2 e um empate – os dois avançaram às semifinais, que aconteceram ao mesmo tempo que a disputa da Libertadores, onde os dois novamente estavam no mata-mata. Priorizando a competição continental, os dois times foram eliminados por Santos e São Paulo, que fizeram a final.

O que interessava mesmo aos rivais era a Libertadores. A disputa do ano anterior estava entalada na garganta deles, e o Palmeiras tinha gostado muito de vencer a competição. Os dois clubes se cruzaram novamente, desta vez pelas semifinais. No primeiro jogo, uma incomum chuva de gols para um confronto tão pegado. Depois de ficar duas vezes atrás por 2 gols, o Palmeiras reduziu a desvantagem no final e encerrou a contagem em 4 a 3, deixando a disputa aberta.

Derby da volta foi um monumento ao futebol

Foi na véspera do jogo da volta que Felipão proferiu mais uma frase histórica: “tem que ter raiva desta porra de Corinthians”, disse aos jogadores a portas fechadas, no vestiário, em preleção captada por um microfone estrategicamente colocado por um repórter na fresta da janela, na Academia de Futebol. O ambiente ficou perfeito.

O jogo da volta foi um monumento ao futebol. Num Morumbi lotado e dividido ao meio, Euller abriu o placar no primeiro tempo, Luizão empatou pouco antes do intervalo e o Corinthians virou logo no início do segundo tempo, com mais um gol de Luizão, o que obrigava o Palmeiras a fazer pelo menos dois gols no tempo que restava.

O time do Corinthians era muito bom e o ambiente do estádio estava favorável a eles; a tarefa parecia impossível. Sem saber disso, o Palmeiras foi lá e fez: Alex marcou um golaço aos 15 e cobrou uma falta que cruzou toda a área e chegou na cabeça de Galeano aos 30, para decretar a virada. Os dois times, então, jogaram o resto do tempo com cautela e a decisão foi para os pênaltis.

Todos acertaram seus tiros até a quarta cobrança. Tremendamente nervoso, Júnior foi bater o quinto pelo Palmeiras, tendo Dida pela frente, e bateu muito mal – mas de alguma forma, a bola entrou. Pelo Corinthians, o melhor cobrador do país, Marcelinho, se apresentou. Ele batia muito bem. Deu um beijinho na bola, correu, bateu e deeeeefendeu Marcos! Uma catarse absurda aconteceu no estádio e o Verdão foi para as finais da Libertadores. “É destino do Corinthians perder para o Palmeiras“.

Ainda houve um pouco relevante confronto pelo Brasileiro daquele ano – a vitória deles “desempatou” o recorte entre 1999 e 2000, o que pouco importa. As maiores e mais inesquecíveis vitórias daquele período vieram para nosso lado. Dois times fortíssimos que deram aulas de rivalidade e de futebol em toda a sua essência.

Lista de Derbies – 1999/2000

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