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Após perder o jogo de ida das semifinais do Paulistão de 1986 para o SCCP por 1 a 0, numa das partidas com arbitragens mais criminosas de todos os tempos, o Palmeiras precisava vencer o Derby da volta por qualquer placar e, com o placar novamente zerado, segurar o empate na prorrogação.

Comandado por Carbone, o time alviverde conseguiu devolver ao rival o placar no tempo regulamentar e, no tempo extra, massacrou o adversário e foi às redes mais duas vezes, fechando o placar em 3 a 0.

Cercado de muita tensão, o início do jogo atrasou em 10 minutos por conta de uma confusão envolvendo os dois bancos de reservas, que discutiam em que lugar cada time deveria ficar.

Com a bola rolando, o SCCP atuou com o resultado debaixo do braço, não querendo jogar. Por outro lado, o Palmeiras pressionava e criava as melhores oportunidades. Logo com 1 minuto de partida, Jorginho fez fila na zaga adversária e disparou contra o gol de Carlos, que rebateu a bola nos pés de Edmar, mas o atacante desperdiçou.

Muito superior, o Verdão controlou todo o primeiro tempo, porém não conseguiu traduzir as chances em gol, e o primeiro tempo terminou sem a abertura da contagem.

No segundo tempo, a pressão dos dez anos sem títulos começaram a falar alto e os jogadores do Palmeiras, nervosos, construíram uma pressão fortíssima, mas sem muita organização.

Aos 5 minutos, Edmar desperdiçou outra boa oportunidade dentro da área; aos 8, foi a fez do lateral Ditinho quase abrir o marcador. Aos 22, novamente Ditinho avançou ao ataque e acertou a trave.

Para aumentar o poder de fogo, Carbone sacou Edmar e colocou Mirandinha. Aos 32 minutos, foi a vez de Éder acertar o travessão de Carlos. A bola parecia não querer entrar de jeito nenhum e mais uma eliminação se aproximava, maltratando os corações verdes, já tão amargurados naqueles anos.

Mas aquela noite reservava uma surpresa daquelas a todo o mundo do futebol. Aos 42 minutos, Jorginho cobrou falta lateral; Diogo subiu mais que todo mundo e cabeceou; Carlos rebateu para frente e, na sobra, Mirandinha, de joelho, ou de coxa – de alguma forma – empurrou a bola para o fundo das redes e saiu comemorando loucamente, com toda a torcida verde.

O jogo acabou mesmo indo para a prorrogação, com os papéis invertidos: o Verdão jogava para manter o resultado e o SCCP precisava anotar ao menos um gol.

Mas a parte mental estava decidida; os jogadores do rival não conseguiram absorver o gol sofrido no final e estavam  atordoados. O Palmeiras aproveitou e aniquilou o rival, primeiro com Mirandinha, em jogada de velocidade, e depois com Éder, que anotou um lindo gol olímpico.

Os 3 a 0 conduziram o Palmeiras para a primeira final de campeonato desde 1978 e a torcida prolongou o sonho de soltar o grito de campeão por mais sete dias – mas a espera, sabemos, ainda duraria por mais quase sete anos. De qualquer forma, a semifinal contra o SCCP, diante de todo o cenário desenhado, foi épica.




Ficha Técnica

92.982

Cz$ 2.919.660,00

José de Assis Aragão

SCCP

Carlos
Edson
Paulo
Edvaldo
Jacenir
Wilson Mano
Biro-Biro
Casagrande
Cacau
Dicão
Lima
Ricardo
Cristóvão
Rubens Minelli
TÉCNICO