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Palmeiras 4 × 0 SCCP
| 12/06/1993 | Campeonato Paulista | Morumbi |

Sábado, 12 de junho de 1993. O Morumbi estava absolutamente abarrotado e dividido em duas partes iguais. Naquela tarde fria, o estádio foi palco de um dos maiores jogos de futebol de todos os tempos.
Ao Palmeiras, bastava marcar um gol, vencer no tempo normal (por qualquer placar) e forçar uma prorrogação, na qual jogaria pelo empate, por ter feito a melhor campanha em todo o campeonato.
Depois de quase dois meses fora, por lesão, Evair estava de volta ao time titular – o Matador havia entrado no início do segundo tempo do jogo anterior e já havia dado outra cara ao time.
E o Verdão começou com tudo: logo com um minuto de jogo, Roberto Carlos fez a jogada pelo corredor e cruzou por baixo; Edmundo fechou no segundo pau, quase debaixo das traves, mas escorou incrivelmente à esquerda do gol.
Com 15 minutos de jogo, o Palmeiras já havia finalizado pelo menos 8 vezes e dominava completamente a partida. Henrique, zagueiro do adversário, já havia recebido cartão amarelo e distribuía pontapés em quem aparecesse pela frente, sendo poupado da expulsão pelo árbitro.

Pouco depois do gol, finalmente Henrique foi expulso, após entrada violenta em Edilson. Com um a mais em campo e já com o placar que precisava para chegar à conquista, o Palmeiras enchia a torcida de esperanças. Mas o peso da fila era imenso e, calejados pelos sucessivos fracassos do período, os palmeirenses misturavam a esperança com a aflição por uma nova desilusão.
No segundo tempo a superioridade do Palmeiras foi ainda maior. O Corinthians praticamente não ameaçou o gol defendido por Sérgio em nenhum momento.
Aos 15 minutos, Tonhão (!) fez um lançamento primoroso para Edmundo, que entrou em velocidade pela intermediária, livre, e foi atropelado pelo goleiro Ronaldo, que claramente forçou sua expulsão, já ciente de que seu time não conseguiria reverter a desvantagem, para não estar em campo para ver a festa verde.
O árbitro José Aparecido de Oliveira, no entanto, pipocou no lance e deu um jeito de expulsar também Tonhão, após Ronaldo ter simulado uma agressão do zagueiro palmeirense após a falta. Assim, a diferença entre os times permaneceu em apenas um jogador: 10 contra 9.
Com o campo mais vazio, o Palmeiras teve mais espaço ainda para o espancamento e marcou mais dois gols ainda no tempo normal. Aos 28 minutos, Mazinho fez grande jogada pela esquerda, infiltrou na área e rolou na pequena área para Evair apenas escorar para as redes.
Mesmo com toda a superioridade, foi só após o segundo gol, com um homem a mais, que a torcida do Palmeiras relaxou um pouco, já convencida de que a vitória no tempo normal viria – mas havia ainda toda uma prorrogação pela frente e a possibilidade de acontecer aquelas coisas inacreditáveis, que sempre aconteciam com o Palmeiras naquele período, ainda era um fantasma a ser espantado.
Edílson, aos 38 minutos, marcou o terceiro gol ao pegar rebote de um chute de Evair que bateu na trave. O que era uma vitória maiúscula virou goleada e soterrou ainda mais o moral do adversário, que precisava realmente de um milagre na prorrogação.

Aos 9 minutos, Viola pegou a bola e arrancou em direção à nossa área. Não havia perigo algum, a defesa estava muito bem postada e cortou o lance. Mas a mera possibilidade da bola chegar perto de nosso gol era motivo para apertar o coração de maneira sufocante.
Na sequência deste lance, o Palmeiras armou o ataque; Edmundo entrou na área, forçou em cima de Ricardo e foi agarrado, indo ao chão: pênalti marcado pelo árbitro, que foi peitado por Ezequiel e expulsou o volante adversário.

Com dois jogadores a mais e a vantagem no placar, o Palmeiras só não seria campeão se sofresse dois gols. Àquela altura, todos já tinham a certeza do resultado, mas ninguém ousava soltar o grito. Evair foi substituído apenas para ser reverenciado; Alexandre Rosa entrou e aumentou o poder da defesa, só para garantir.
E os 20 minutos finais foram de purgação. Todo o filme, desde 1977, passou na cabeça da torcida. As derrotas para o Guarani em 1978; o gol do Chulapa em 1979; a fase tenebrosa entre 1980 e 1982 com duas disputas de Taça de Prata; o gol de Sócrates em 83; a sacanagem do caso Mario Sérgio em 84; o XV de Jaú em 85; a Inter de Limeira em 86; o frango do Zetti em 87; o Bragantine’s e o gol de calcanhar de Claudio Adão em 89; o chute do Aguirregaray na trave em 1990; o regulamento de 1991 que nos tirou da final; e as derrotas para o SPFC, naquele mesmo estádio, meses antes, nas finais de 92 – todas essas páginas foram viradas de uma só vez.
O palmeirense, ao apito final do árbitro, explodiu em emoção. Em alegria, em choro, em desabafo, em êxtase absoluto. Não havia ninguém mais feliz no planeta que a torcida do Palmeiras. Toda uma geração pôde, finalmente, ver o time levantar um troféu – que seria o primeiro de uma nova e longa série que viria na sequência.
Ficha Técnica
Escalações
Palmeiras
SCCP
Ronaldo
Leandro Silva
Marcelo Dijan
Henrique
Ricardo
Ezequiel
Marcelinho Paulista
Neto
Paulo Sérgio
Viola
Adil

Tupãzinho

Wilson
Nelsinho Baptista
Melhores momentos
Escalações
Palmeiras
SCCP
![]() Ronaldo |
![]() Leandro Silva |
![]() Marcelo Dijan |
![]() Henrique |
![]() Ricardo |
![]() Ezequiel |
![]() Marcelinho Paulista |
![]() Neto |
![]() Paulo Sérgio |
![]() Viola |
![]() Adil |
![]() ![]() Tupãzinho |
![]() ![]() Wilson |
![]() Nelsinho Baptista |





