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Boca Juniors 0x2 PalmeirasJuan Mabromata/AFP

O Palmeiras jogou com muita aplicação e equilíbrio e venceu o Boca Juniors com autoridade em Buenos Aires, para ser o primeiro clube classificado para o mata-mata da Libertadores. Com uma ótima atuação coletiva, o time se impôs frente ao time da casa e se posicionou junto a toda a América do Sul como um dos principais postulantes ao título.

PRIMEIRO TEMPO

Quase 50 mil pessoas, dentre eles o grande tenista Juan Martin Del Potro, lotaram a Bombonera para empurrar o Boca contra o Verdão, que teve como primeira missão segurar a pressão inicial do time da casa – e fez isso muito bem, pressionando a saída de bola do Boca. E logo a um minuto, Keno pressionou o chutão do goleiro Rossi, bloqueou a reposição e a bola quase entrou no gol. Seria o chamado gol de chupeta.

O Verdão seguia tomando a iniciativa do jogo; Dudu jogou por dentro e bateu de meia distância com perigo, aos 4 minutos. A marcação alta funcionava; o Boca não conseguia passar da intermediária do Palmeiras com bola dominada. Felipe Melo deu a primeira chegada de respeito em Nandez aos 7 minutos.

O Boca conseguiu furar nossas linhas pela primeira vez aos onze, com Pavón, que invadiu a área rente à linha de fundo e bateu para o gol – Jailson protegeu o canto e cedeu escanteio. O Palmeiras diminuiu a intensidade da marcação e o Boca passou a avançar em nosso campo. Felipe Melo deixou o campo aos 20 para ser atendido, sentido algo no rosto – certamente alguém deixou o braço para provocá-lo.

Aos 23, Pavón tentou a jogada pra cima de Marcos Rocha, que o parou na falta. Na batida, Pablo Pérez mandou pra dentro e a bola foi direto, tirando uma lasca do travessão de Jailson. Marcos Rocha tentou responder aos 25, num chute de longe, que saiu à direita sem muito perigo.

O Boca seguiu pressionando o Palmeiras, sempre tentando a ligação com Pavón, na esquerda, mas a marcação do Verdão encaixou e o camisa 7 da casa não conseguia mais ameaçar nosso gol. Depois de muito tempo, nosso time voltou a trocar passes e compactou novamente as linhas. Borja foi o autor da finalização seguinte, aos 35, num chute forte e perigoso de fora da área, mas a bola saiu por cima.

Foi só o Palmeiras voltar a tocar a bola no campo de ataque que saiu o gol: aos 39, Marcos Rocha acelerou para aproveitar uma bola que sairia em lateral para o Verdão no campo de ataque; ele pegou a defesa desarrumada no cruzamento, que saiu preciso, no segundo pau, na testa de Keno, que desviou sem força mas com muita precisão, na caçapa do canto: 1 a 0.

O Boca quase respondeu no primeiro lance após a saída: Pavón, desta vez do lado direito, ganhou a disputa com Edu Dracena e bateu cruzado; Ábila estava embaixo das traves e escorou, mas conseguiu entortar o pé e tirou a bola do gol. O atacante argentino estava impedido e o gol seria validado de forma errada pela arbitragem se a bola tivesse entrado.

Aos 44, quase um replay: depois de ganhar a dividida de Diogo Barbosa, Tévez foi quem bateu cruzado da direita; desta vez Ábila colocou pra dentro, mas estava impedido de novo e desta vez o bandeirinha assinalou. E o Verdão conseguiu brecar o jogo no final para garantir a vitória parcial ao fim do primeiro tempo.

SEGUNDO TEMPO

O Palmeiras atrasou bastante a volta ao gramado, aumentando a ansiedade do adversário e já antecipando que, desta vez, usaria e abusaria da catimba para segurar a vantagem e vencer o jogo. Os times voltaram sem alterações.

Logo a um minuto, Borja apertou a saída de bola e Bruno Henrique ia disparando para o gol quando sofreu falta de Magallán. Lucas Lima bateu por baixo, tentando aproveitar o salto da barreira, mas a bola saiu ao lado da trave. Aos 5, Diogo Barbosa chegou de surpresa e bateu cruzado; Rossi pegou firme.

Aos seis, o Boca chegou pela esquerda mais uma vez com Pavón; após entrar na área e ir ao fundo, o centro veio por baixo e Antônio Carlos tirou a escanteio. No lance seginte, Dudu puxou um contra-ataque mortal; abriu para Keno que jogou para o meio; Lucas Lima fechava para marcar – Más tirou o pão de sua boca. No lance seguinte, o Verdão girou a bola na frente da área e Felipe Melo bateu de fora, cruzado – a bola saiu à direita de Rossi.

Aos 10, após cruzamento da direita que Edu Dracena tirou por cima, Pavón emendou de sem-pulo e mandou a bola à direita de Jailson. Aos 12, um lance parecido: Antônio Carlos afastou o cruzamento; Edu Dracena completou mas mandou a bola na frente da área; Jara pegou o rebote e bateu por cima, com perigo. No lance seguinte, após jogada de Más pela esquerda, e Pablo Pérez aproveitou, limpou Bruno Henrique e bateu colocado – a bola lambeu a trave direita de Jailson. Com a pressão, Borja tratou de se jogar no chão e esfriar o jogo.

O time argentino seguiu na pressão e Pavón, sempre ele, pegou a bola na esquerda, cortou para dentro e bateu de direita, buscando a gaveta de Jailson, que foi de mão trocada e fez uma defesa monstruosa – e desabou no chão. Borja saiu para dar lugar a Willian Bigode. O Verdão alternava momentos de espera com pressão no campo adversário, talvez administrando o aspecto físico. Após a mexida, o time voltou a pressionar a saída de bola do time da casa.

Aos 22, Keno tentou ligar co Dudu; Vergini tentou ser malandro e empurrou nosso capitão, mas acabou atrapalhando Rossi, que saiu da área para tentar o corte de cabeça; Willian pegou o rebote e bateu; Magallán rebateu; Lucas Lima aproveitou o corte parcial e tentou encobrir o goleiro duas vezes; na primeira, bateu na zaga, mas na volta ele acertou e meteu um lob magnífico que Del Potro deve ter aplaudido: 2 a 0 para o Verdão.

Tévez bateu de fora aos 24 tentando diminuir, mas Jailson salvou – se a bola entra, o jogo ficaria bastante complicado. Com 0 a 2 no placar, o ânimo do Boca caiu por completo. O Verdão se tornou dono da Bombonera e impôs seu jogo com categoria. Houve momentos de olé; aos 28, Hyoran substituiu Keno.

Aos 29, Marcos Rocha foi novamente vencido por Pavón, que tocou para Tévez, que foi às redes em claríssimo impedimento – mais um gol anulado. Moisés rendeu Lucas Lima aos 37 e o Verdão seguia alternando momentos de suportar a pressão atrás com pressão no campo ofensivo, num equilíbrio muito interessante. O Boca, perdendo por 2 a 0, não ameaçava Jailson – somente já aos 48, numa bobeira, Ábila saiu livre na cara de nosso goleiro, que fechou o ângulo de forma soberba para garantir o zero no placar do lado de lá.

FIM DE JOGO

Grupo da Morte? Só se for para os outros. O Verdão controlou o jogo com muita inteligência e chegou à classificação antecipada com um resultado sensacional, encerrando o período de baixa em mais uma oscilação e afastando a ameaça de crise de uma vez.

Ainda na beira do gramado, Dudu já mencionava o jogo contra a Chapecoense, mostrando que o grupo está realmente focado na sequência da temporada e já se recuperou mentalmente do assalto no Derby. Serão mais 14 jogos até a parada para a Copa e o período promete. VAMOS PALMEIRAS!




Ficha Técnica

Boca Juniors

Rossi
Jara
Vergini
Magallán
Más
Sebastián Pérez
Reynoso
Nández
Pablo Pérez
Tévez
Walter Bou
Pavón
Ábila
Guillermo Schelotto
TÉCNICO