O ano de 1995 na História do Palmeiras

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A forma exuberante como o Verdão chegou ao bicampeonato brasileiro contrastou com a tristeza da perda de três ídolos: César Sampaio, Zinho e Evair deixaram o clube para jogar no futebol japonês. Destes, apenas Zinho tinha vindo com auxílio da Parmalat: Mustafá Contursi tinha mais prioridades e jogou a bomba para a co-gestora.

Os italianos não morderam a isca e os reforços foram modestos: Válber, que já havia jogado com Rivaldo no Mogi Mirim e no SCCP, veio para reforçar a meia; Mancuso, ponto de apoio do meio-campo do Boca Juniors, foi a contratação mais ruidosa. Além deles, veio o lateral direito Índio, bastante regular no Santos, para cobrir as saídas de Cláudio e Gustavo.

Outra perda monstruosa foi a saída de Vanderlei Luxemburgo, que foi reposta com Valdir Espinosa, que havia tirado o Botafogo de uma fila de mais de 20 anos em 1989 e que foi o comandante do Grêmio na conquista da Libertadores e do Mundial em 1983, além de dois campeonatos paraguaios pelo Cerro Porteño. Uma aposta arriscada.

Com Rivaldo mais avançado, ao lado de Edmundo, e apostando em Paulo Isidoro para articular o meio-campo, o Palmeiras teve dificuldades no início do ano.  Com uma campanha apenas razoável no estadual, os resultados estavam vindo apenas na Libertadores num grupo que tinha, além do Grêmio, os equatorianos do El Nacional e do Emelec. Mas o nível de jogo deixava a desejar.

O meio-campista colombiano Harry Lozano foi trazido às pressas, numa tentativa de reforçar o setor emulando Freddy Rincón. Mas a diferença entre os dois era grande e o Palmeiras não encaixava o time, mesmo com craques do quilate de Roberto Carlos, Flávio Conceição, Rivaldo e Edmundo. A insatisfação do Animal era clara e ele protagonizou um episódio bizarro no Equador, quando empurrou um cinegrafista e acertou a câmera caída no chão com chutes. Foi preciso uma grande manobra diplomática para que nosso camisa 7 não ficasse preso em Quito.

Mas a primeira passagem de Edmundo pelo Palmeiras, estava claro, havia chegado ao fim. Ele foi pouco efetivo nas oitavas da Copa do Brasil, nos dois empates contra o Grêmio – o time gaúcho avançou pela regra do gol qualificado. Edmundo ainda jogaria nas oitavas da Libertadores, quando o Palmeiras passou sufoco contra o Bolívar, perdendo fora e arrancando a classificação em casa. Foi quando o anúncio de sua transferência para o Flamengo foi feito. Edmundo quis voltar para sua cidade para jogar ao lado de Romário e Sávio.

Tudo isso aconteceu em meio a uma sequência de nove jogos em que o Palmeiras só venceu um – exatamente o que garantiu o avanço às quartas da Libertadores. Foi quando a diretoria decidiu trocar o comando técnico, dispensando Espinosa e trazendo o experiente Carlos Alberto Silva.

Reconhecendo os erros na reformulação de elenco no início do ano, o comando repatriou Edílson, que fracassou na Europa, trouxe o centroavante Nílson, além de dois ídolos do inimigo: Müller, que estava na Itália, e Cafu, que veio numa triangulação envolvendo o Juventude, manobra que o SPFC jamais engoliu. O lateral havia sido vendido para o Zaragoza com uma cláusula específica de que o time espanhol não poderia vendê-lo para o Palmeiras. O chapéu foi magnífico.

Cafu

Müller e Nilson estrearam no quadrangular semifinal do estadual, quando o Palmeiras passou fácil por Guarani, Mogi Mirim e SPFC. O time parecia ter dado o encaixe. Cafu estrearia na primeira partida contra o Grêmio, pela Libertadores. O duelo contra os gaúchos seria realizado nas mesmas semanas em que o time enfrentaria o SCCP nas finais do estadual, na busca pelo tricampeonato.

A primeira partida, em Porto Alegre, foi marcada pela arbitragem nociva de Cláudio Vinicius Cerdeira. O árbitro carioca foi permissivo com o jogo manhoso do time de Felipão e rigoroso ao extremo com nossa equipe, expulsando Rivaldo com 13 minutos de jogo. Pouco depois, estourou uma briga entre os jogadores, o goleiro Danrlei e o volante Dinho foram pra cima de Valber e o pau comeu. Cerdeira expulsou Dinho e Valber; Danrlei seguiu no jogo e o Grêmio, com um jogador a mais, esmagou um Palmeiras que tinha perdido suas duas peças-chave no meio do campo. Com uma atuação desastrosa de Sérgio, o Palmeiras levou cinco gols.

Não havia tempo para lamentos, mais uma final contra o SCCP havia chegado. Os dois jogos estavam marcados para Ribeirão Preto. O Palmeiras começou melhor, mas o SCCP abriu o placar com Marcelinho no primeiro tempo. Roberto Carlos, já vendido para a Inter de Milão, desperdiçou um pênalti aos 33 do primeiro tempo. Depois de muita pressão, o Palmeiras empatou no último lance do jogo, com Nilson.

Veio o desafio impossível: descontar os 5 a 0 sofridos em Porto Alegre. O Palestra recebeu um público modesto. Um gol de Jardel, aos 8 minutos, aumentou o problema. A torcida gremista contava até 6, ironizando a missão palmeirense. O jogo esfriou e as duas equipes passaram a jogar como se fosse uma partida comum. O Palmeiras virou o jogo ainda no primeiro tempo, com Cafu e Amaral. Mas ainda faltavam quatro gols para empurrar a decisão para os penais.

Palmeiras 5x1 Grêmio 1995O Palmeiras dominava o Grêmio e as chances se sucediam. Paulo Isidoro aumentou aos 13. De pênalti, Mancuso fez 4 a 1 e o Palmeiras tinha 21 minutos para marcar dois gols; o clima no Palestra começou a ferver. O Verdão encurralou o adversário e Cafu fez o quinto aos 39. O banco do Grêmio entrou em desespero, o Verdão foi com tudo e Mancuso teve a chance final, mandando um petardo de fora da área, mas a bola passou raspando o travessão com Danrlei batido. Fim de jogo; o Grêmio avançou, mas o Palmeiras escreveu a melhor definição da História do que é “cair de pé”. Uma chuva de aplausos foi despejada sobre nossos atletas ao fim do jogo. Os gremistas saíram direto para o banheiro.

Ainda havia a final do estadual. O Palmeiras precisava vencer. Ao adversário, bastava empatar para forçar a prorrogação e seguir segurando o empate. Para quase 47 mil pessoas, o Palmeiras abriu o placar com Nilson, aos 11 do segundo tempo. Por quatro minutos, a taça esteve do nosso lado, mas Marcelinho empatou. O jogo seguiu pegado e o tempo normal se esgotou. O Palmeiras ainda tinha 30 minutos para marcar o gol do título, mas a três minutos do fim, já todo atirado para a frente, o time levou um gol do ponta Elivélton e ficou mesmo com o vice-campeonato.

Restava a disputa do Brasileirão, já sem Roberto Carlos e Valber, considerado muito temperamental. O time tinha finalmente conseguido um bom encaixe, apesar das frustrações. Mas o regulamento era estúpido. Os 24 times foram divididos em dois grupos. Primeiro, jogariam dentro do grupo, só ida – o vencedor de cada chave ganhava lugar nas semifinais. Depois, os pontos eram zerados e um grupo enfrentava o outro, só ida. De novo, o campeão de cada chave chegaria às semis.

O Palmeiras ficou em segundo na primeira fase e em quarto na segunda fase. Na soma das fases, foi o líder geral da chave, mas isso não importou. O Palmeiras ficou fora das semifinais e terminou o campeonato em quinto lugar.


Jogadores no ano de 1995


Jogos no ano de 1995