Os pequenos prazeres de uma noite melancólica

A Copa do Brasil teve sequência na noite de quarta-feira, e o SCCP e o Flamengo conseguiram vantagens para os jogos de volta das semifinais – os cariocas, uma imensa vantagem. Pior para Fluminense e SPFC, que nem deveriam estar disputando esta fase.

Depois do SPFC eliminar o Palmeiras graças à arbitragem criminosa de Leandro Vuaden e de seu VAR, foi a vez do Fluminense ser escandalosamente beneficiado pelos apitadores no duelo com o Fortaleza, quando vergonhosamente ganhou um pênalti de presente, em lance claramente fora da área – as imagens não deixam dúvida. A questão que fica é: como é que o VAR conseguiu interpretar este lance como dentro da área?

O fato é que os dois times que nem deveriam estar nas semifinais da Copa do Brasil estão em vias de serem eliminados, numa espécie de justiça tardia. Que de justa, não tem nada, já que sairão da competição com os bolsos muito mais cheios do que deveriam. Entre rendas e premiações, o SPFC, time pelo qual torce o chefe da arbitragem Wilson Seneme, terá embolsado mais de R$20 milhões imerecidos para tentar acertar sua caótica situação financeira, influenciando as próximas temporadas do futebol brasileiro.

O mais irônico de tudo isso é que os times que devem chegar às finais são os que chegaram até esta fase de forma “limpa”, mas que historicamente trazem toneladas de sujeira no que diz respeito à associação com as arbitragens do país.

Arbitragem mancha mais um campeonato

A Copa do Brasil de 2022 junta-se à de 2002, aos Brasileirões de 1974, 1995, 1997, 2005 e 2017 e aos estaduais de 1971, 1977 e 2018 como um dos campeonatos mais manchados de todos os tempos.

O trabalho feito na Academia de Futebol do Palmeiras merecia mais. Chegar às semifinais da Copa do Brasil e ter o direito de disputar o quinto título era o mínimo que este grupo merecia – e as rendas e premiações que viriam no pacote seriam justas para ajudar a pagar a conta de um trabalho sério e bem feito.

Anderson Barros faz críticas à arbitragem brasileira e enfatiza: “Mais medidas de nossa parte serão tomadas”.
Reprodução

Erros de arbitragem acontecem, a favor e contra. Faz parte do futebol; o VAR chegou há 4 anos para fazer com que os erros grosseiros sejam evitados. Mas o Palmeiras segue sendo seriamente prejudicado por erros no protocolo de uso do VAR. Não traçar linhas para verificar impedimento gerou um pedido de desculpas da CBF ao Palmeiras. Anderson Barros falou grosso mas não adiantou nada: poucas semanas depois, um jogo foi reiniciado sem a checagem do pênalti. “Agora já foi!”

Tivemos que ver resignadamente as atenções e os festejos do mundo do futebol se dividirem entre o time do STJD, o da RGT, o da FPF e o da Comissão de Arbitragem. Quem acompanha futebol há bastante tempo sabe que assistir a jogos decisivos do sofá faz parte do jogo – mas da forma que foi, gera um sentimento de revolta.

O que o Palmeiras pode fazer para que esse tipo de coisa deixe de ser recorrente? Como deixar de ser tratado como o paga-lanche da turma?

Ser menos ingênuo em campo ajuda, mas traz comportamentos que esportista nenhum se orgulha: fazer mais cera, mais antijogo, quebrar contra-ataques com faltas, fazer bolinho na arbitragem – tudo o que nossos adversários fazem sem a menor desfaçatez.

Trabalho nos bastidores é a resposta mais comum, mesmo que ela tenha um significado bastante obscuro. Ninguém define formalmente o que é esse tipo de atividade. Afinal, se esse trabalho é feito por trás das cortinas, é porque deve ter algo envolvido que não é bonito.

Queremos ganhar assim?

Por outro lado, queremos ser a eterna virgem do prostíbulo?

Pra que lado corremos?

Ser torcedor no futebol brasileiro é um desafio à lógica e às convicções.

De arrascaeta, do Flamengo, em suposto toque de mão no início da jogada de gol do Flamengo, que a arbitragem considerou legal.
Reprodução

A grandeza do Palmeiras, que, ainda assim, é o maior campeão do futebol brasileiro, mantém a paixão acesa. Contra tudo e contra todos, o palmeirense segue de braços dados com o time. Ironicamente, a eliminação precoce na Copa nos deu algumas boas contrapartidas esportivas para lutar pelo Brasileirão e pela Libertadores, com as folgas no calendário.

E mesmo em momentos tão melancólicos quanto a noite de quarta-feira, ainda nos restou ter pequenos prazeres, como ver a torcida do SPFC reclamar de roubo e lamentar a ausência de Leandro Vuaden no apito.


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4 comentários em “Os pequenos prazeres de uma noite melancólica

  1. “Ser torcedor no futebol brasileiro é um desafio à lógica e às convicções.”

    Pois é… algo como: Resiliência X Racionalidade; que embate!

  2. Toda desgraça do mundo aos quatro semifinalistas dessa copa manchada aí…mas foi especial, sim, ver o sãopaulino reclamar da arbitragem…

    NUNCA SERÃO!

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