O Palmeiras é o time de todos os anos

Cuca
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A missão de tirar doze pontos em doze jogos não é impossível, mas é dificílima. Ao mesmo tempo em que tenta aperfeiçoar os sistemas defensivo e ofensivo e as transições quando se perde ou recupera a bola, Cuca já vai pensando no ano que vem. Em coletiva ao final da tarde de ontem, disse que quer “ganhar tudo” em 2018.

A declaração pode parecer arrogante, mas diante de todo o cenário que vemos neste final de 2017, é quase uma obrigação do Palmeiras, que segue com todo o potencial financeiro e estrutural de ponta que alcançou nos últimos anos. O resultado só pode ser o protagonismo.

Dentro de campo

Mattos e Cuca
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Pouca gente botava fé no Grêmio no início deste ano, mas o time gaúcho, comandado pelo professor Renight, conseguiu uma química interessante com uma equipe surpreendente, recheada de garotos. Algo similar pode ser dito sobre o SCCP, que deu liga e encaixou uma sequência quase mágica no primeiro turno do Brasileirão – mesmo tendo “voltado ao normal” agora, tem uma vantagem confortável para administrar.

Planejamento e dinheiro no futebol não garantem conquista de títulos. São meios para diminuir a chance de fracassos – mas as coisas se resolvem sempre dentro de campo; o Grêmio e o SCCP de 2017, de forma positiva, são exemplos claros, ao passo que Flamengo e Atlético-MG estão na outra ponta desta análise. E o Palmeiras não ficou muito longe: embora esteja mostrando um futebol superior, iniciou 2017 como o grande favorito e tem hoje chances remotas de conquistar algo ainda este ano.

Cuca já deve estar fazendo reuniões com Alexandre Mattos montando o roteiro de contratações e dispensas para 2018, algo que ele já declarou que gosta muito de fazer, e normalmente faz muito bem. Diante da mais que provável sequência de seu trabalho, podemos esperar um início de ano bem mais forte e entrosado em 2018 do que em 2017, quando houve uma ruptura no trabalho.

Fora de campo

Torcida do Palmeiras no Allianz ParquePara que o Palmeiras siga sendo uma potência dentro de campo, é necessária uma estrutura administrativo-financeira sólida. A despeito de ter investido uma quantia superior a R$50 milhões em dois atacantes que ainda não satisfizeram às expectativas, o clube segue superavitário, a ponto de projetar a quitação de todas as dívidas bancárias ao final do ano que vem e de formar um fundo de emergência, uma espécie de “poupança” – algo jamais visto no futebol brasileiro.

O poderio só não é maior ainda porque as históricas turbulências políticas voltaram a atrapalhar os bastidores do clube, algo que havia sido erradicado nos quatro anos da gestão anterior, mas que ressurgiu como resultado das escolhas políticas que a atual diretoria vem fazendo e que precisam ser bem administradas.

Rompendo costumes

Paulo Nobre e Mauricio GaliotteNo Brasil, os doze times de camisa mais importantes se acostumaram a viver ciclos. É cultural: dirigentes “arrojados” contraíam dívidas, o que rendia times fortes, que muitas vezes chegavam a conquistas – mas a conta sempre chegava, levando os sucessores a apertarem o cinto, administrando as dívidas e lutando contra a recessão e a impossibilidade de montar times competitivos. É daí que historicamente vem a pressão absurda para se ganhar títulos assim que o “modo gastança” é acionado.

Mas a extinção das dívidas bancárias e com receitas recorrentes sempre presentes (que decorrem da não-antecipação, outra prática que o Palmeiras aboliu) colocaram o Verdão em um patamar superior de forma estável. A força administrativa, financeira e esportiva em que se transformou o Palmeiras nos últimos anos dá ao clube a condição de passar um ano em branco sem que isso se torne o fim do mundo.

Depois de dois anos seguidos chegando a títulos nacionais, o Verdão não encaixou em 2017, é fato. Mas diferentemente do que a falta de profissionalismo na administração de clubes de futebol no Brasil nos fez acostumar, o Palmeiras não viveu nestes anos apenas o auge de um ciclo curto, que virá seguido de recessão.

O time de todos os anos

2018 está chegando e todos apontarão seus favoritos, como sempre acontece. Quatro ou cinco, entre as doze grandes camisas, serão as preferidas da imprensa e da torcida. Certamente uma delas será verde. “Lá vem eles de novo”, dirão.

Mesmo sem chegar a títulos nesta temporada, o Palmeiras segue com o protagonismo. Seremos novamente o time do ano que vem, e provavelmente o do ano seguinte.

O Palmeiras se tornou o time de todos os anos. Os outros que se virem para sair desse ciclo de gastança/recessão. Nossa estrutura está muito sólida e será preciso algumas temporadas seguidas fazendo muitas besteiras para nos tirar dessa condição. Acostumem-se.


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