Abel Ferreira e o domínio na comunicação com os atletas

Por Gabriel Yokota

Comunicação’, definida no dicionário como “ação ou efeito de comunicar, de transmitir ou de receber ideias, conhecimento, mensagens etc., buscando compartilhar informações”, “Mensagem que se transmite ou é recebida escrita ou oralmente”. Do latim ‘Communicatio’, significa tornar algo comum, compartilhar.

E se existe uma palavra que transita em vários meios de negócio, ‘comunicação’, com certeza, é uma delas. Comunicação com os clientes, com os parceiros, funcionários, público-alvo e etc.

No futebol, a importância de se ter uma boa comunicação não é diferente de outros lugares. Ainda mais no Brasil, onde o calendário é extremamente apertado e não há tempo para treinar o time, contar com um técnico que tem uma oratória clara e precisa é um passo importante para obter os resultados.

E o Palmeiras conta. Quando Abel Ferreira concedeu sua primeira entrevista coletiva como técnico do Verdão, em novembro do ano passado, já foi possível perceber que o treinador possuía uma comunicação muito boa. Sem tempo para treinar e implantar por completo suas ideias de jogo, o português precisou utilizar sua oratória para conseguir cativar os jogadores.

“A gente teve pouco tempo para treinar, era uma partida atrás da outra. O Abel ainda não teve tempo para treinar a equipe, automatizar o time. Então nós seguimos o que ele pede. Deixamos o ego de lado e é como ele sempre diz: todos somos um”, disse Alan Empereur aos canais ESPN, após a conquista do título da Copa do Brasil.

“Eu acho que ele é muito bom em gerir grupo, muito bom em gestão de pessoas. Eu acho que você pegar 30 jogadores com personalidades diferentes, com muitas coisas diferentes, você conseguir dominar bem, conseguir tratar todo mundo bem, ter o respeito de todo mundo, isso é muito difícil. Ele sempre falou que contava com todo mundo para jogar e é isso que me impressiona, é que ele fala e cumpre, ele não vai falar mentira”, declarou Weverton.

“É um cara que se dedica muito para expor o que acredita, gosta muito de falar sobre a força da mente. Ele tenta passar com todas as suas forças o que acredita, o que vê da vida e dos jogos, o que tem como metodologia. É verdadeiro, conquistou todo mundo e fez com que todos se sentissem importantes”, afirmou Gustavo Scarpa.

Além da conversa no dia-a-dia, o treinador também conta com mantras especiais, que não só são repetidos pelos jogadores, mas também é ecoado pelos palmeirenses mundo afora: “Avanti Palestra”, “24 horas para celebrar uma vitória e 24 horas para chorar uma derrota”, “todos somos um”, “cabeça fria; coração quente” são exemplos.

É claro, seria ingenuidade atribuir o sucesso de Abel no comando do Palmeiras apenas a seu jeito de agir e comunicar-se. O português é um estudioso da bola, conhece muito sobre tática, técnica e dos fundamentos que compõe todo um jogo de futebol. Mas é evidente que, por causa do tempo escasso de treinamento, essa ferramenta foi fundamental para o Verdão conquistar a Libertadores e a Copa do Brasil.


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  • Quando ele foi anunciado e fiquei sabendo da história dele, me veio aquele estalo: é o Luxemburgo de 93, o técnico jovem que terá no Palmeiras seu grande desafio — será um sucesso!

    A história se repete, e dessa vez foi ainda melhor. Ele já tem muita ligação, ficará muito tempo. Assim como em 94, repetiremos a dose em 21!!

  • Abel Ferreira, acima de tudo, conseguiu resgatar a confiança do grupo em si mesmos. Hoje podemos dizer que temos um grupo cascudo, encardido de enfrentar. E detalhe: formado em sua maioria por garotos da base. Temos muito a crescer, temos que manter o nosso DT o maior tempo possível por aqui.