Exclusivo: Toninho Cecílio fala sobre suas passagens como jogador e dirigente do Palmeiras e relembra caso Thiago Neves

Por Gabriel Yokota

Oriundo das categorias de base do Palmeiras, Toninho Cecílio, que jogou no clube entre os anos de 1985 a 1992, conversou na noite desta terça-feira com exclusividade ao VERDAZZO e comentou sobre diversos assuntos. Toninho contou passagens de seu tempo como atleta, como gerente de futebol, caso Thiago Neves e sua visão sobre o trabalho de Abel Ferreira.

Tempo como atleta

Nascido em Avaré (SP), o ex-zagueiro chegou ao Palmeiras no começo de 1984 e, três anos depois, firmou-se na equipe principal como titular da zaga pelas mãos de Valdemar Carabina, um mito da zaga palmeirense.

“Fiz alguns testes contra o Sub-17 do clube, que tinha no elenco Gerson Caçapa, Edu Manga e Velloso. E o treinador era o Cidinho, ele era um técnico renomado na base, havia chegado do Guarani. Passe no teste e joguei o ano todo de 1984 na categoria Sub-17 e em 1985 já fui para o time de juniores”.

Toninho Cecílio

“Dois anos depois eu me firmei na equipe principal, Valdemar Carabina era o treinador e eu era muito raçudo e concentrado, errava pouco. Além disso, eu tinha uma condição física muito boa, não me machucava. Na semifinal do Paulista de 1987, contra o SPFC, eu estava em ascensão meteórica e se a gente tivesse ido para a final, talvez minha carreira decolasse de outra maneira. E aquela derrota foi um trauma, até hoje eu não me acostumei com isso. Eu não tenho nenhum problema de falar da fila, tenho maior orgulho do que fiz no Palmeiras, fui capitão e cheguei à Seleção Brasileira”.

Mesmo sendo identificado com a equipe e muito respeitado pela torcida, Toninho deixou o clube em janeiro de 1993 para atuar no Botafogo. Sobre sua saída, explicou:

“Teve muita coisa envolvida, principalmente no lado pessoal. Em 1992 meu pai teve câncer, eu o ajudei bastante e não terminei este ano bem. A derrota para o SPFC na final do Paulistão foi muito dolorosa e contribuiu para isso também. Então, juntando as coisas, eu não estava em um momento de equilíbrio”.

“Quando voltamos de férias, eu estava treinando normalmente, era parte do grupo. Mas aí ligou o Botafogo. O Palmeiras não queria que eu saísse e, pensando hoje, eu não iria. Foi a pior decisão da minha vida, não deveria ter deixado o clube naquele momento. O Botafogo queria muito, então eu conversei com a diretoria, falei para eles me emprestarem e depois eu voltava. Depois que sai do time carioca, era para eu voltar, mas veio o Cruzeiro, o momento passou e acabou não dando certo o retorno”

Gerente de futebol do Palmeiras e caso Thiago Neves

Depois de um 2006 ruim, o Palmeiras reformulou todo seu elenco para 2007 e, em março daquele ano, o clube trouxe Toninho Cecílio para a função de gerente de futebol, depois de trabalho de destaque no Fortaleza. Em sua passagem como gestor no Palmeiras, o ex-jogador conquistou o Paulistão de 2008 e ajudou a montar a equipe que, por dois anos, brigou pelo título Brasileiro (2008 e 2009).

 “Em janeiro de 2007 eu fui contratado como treinador do Guaratinguetá e estava fazendo um bom trabalho até que o Dr. Gilberto Cipullo me chamou para ser gerente no Palmeiras. Eu pedi então para eles esperarem mais uma semana, para eu livrar o time que eu estava do rebaixamento, e no mês de março cheguei ao clube. O Palmeiras já havia contratado alguns jogadores e o Caio Junior como técnico”.

“Quando o pessoal fala do Palmeiras pós-Parmalat, só falam da gestão Paulo Nobre até hoje. Esquecem dos três anos que eu estive ao lado do Genaro Marino, Savério Orlandi e toda a diretoria da época. Nós subimos o clube de patamar e o colocamos para brigar no topo”

Toninho comentou também sobre o episódio Thiago Neves, que assinou um pré-contrato com o Verdão, mas não cumpriu e foi jogar no Fluminense. Além disso, o ex-gerente falou sobre um tweet seu cobrando o jogador.

“Naquela época, ninguém conhecia o Thiago. Nós fomos atrás dele e fechamos um contrato. Eu dei R$ 400 mil na mão dele como luvas. Ele é um grande jogador. Existe o atleta e o homem, é diferente. O Thiago continuou se destacando no Paraná e o Fluminense colocou mais dinheiro na mesa e ele não cumpriu a assinatura. Depois de todo o imbróglio, o Palmeiras aceitou em deixar ele jogando no time carioca e em troca nós adquirimos o Lenny e alguns direitos, mas eu fui contra. Por mim nós iríamos para Fifa e não o deixava jogar”.

“Eu não gosto de se envolver em polêmica no Twitter, acho que essa foi a primeira vez. Ele fez isso comigo há 13 anos e ainda posa de bonzinho. E eu não vejo ninguém bater nele, o Thiago crítica quem o contrata. Então isso foi algo que me veio no momento, eu não me arrependo e foi algo que fiz com prazer!”

Abel Ferreira, por Toninho Cecílio

Atualmente, Toninho vem exercendo mais a função de treinador de que a de gestor. Nos últimos dez anos, o ex-atleta esteve à frente de vinte clubes. Questionado sobre o trabalho de Abel no Palmeiras, opinou:

“Eu acho Abel uma pessoa de ótimo nível. Ele é um treinador que, depois de uma partida, consegue explicar o jogo para o torcedor. Tem uma boa leitura da partida, mas a análise que ele fez das partidas contra o SPFC foi meio simplista. No entanto, para mim ele é um técnico que tem que ficar muitos anos no Palmeiras porque ele é jovem. Alguns erros que ele venha a cometer precisam ser perdoados. Ele tem poucos anos de carreira. Além disso, o Palmeiras é o primeiro gigante que o Abel treina, antes ele não tinha pego um time do tamanho do clube”

“Gosto também da alternância tática que ele apresenta. A tática é uma ferramenta importantíssima no futebol, você pode ganhar um jogo no intervalo só alterando o esquema, sem fazer substituições. Então, acho ele um grande técnico e que também ganhou lastro no clube, por conta dos títulos. É um cara do nível do Palmeiras”

Confira a entrevista por completo de Toninho Cecílio ao VERDAZZO:

  • Parabéns pela bela reportagem ! Toninho foi um grande jogador do Palmeiras , técnico e com raça ! Pena que o time vivia a sina da fila