O futebol está de luto com o falecimento de Valdir de Morais

Valdir

O futebol está de luto. Morreu neste sábado Valdir Joaquim de Morais, aos 88 anos, em Porto Alegre, sua cidade natal. Um dos maiores personagens da História do esporte.

Nascido em 23 de novembro de 1931, Valdir começou a carreira em 1947, no Renner-RS, onde jogou ao lado de outra lenda palmeirense, Ênio Andrade – juntos, conquistaram um título gaúcho, em 1954. Chegou ao Palmeiras em 1958, com 27 anos, onde jogou até 1968. Ainda voltou a Porto Alegre para encerrar a carreira de jogador no Cruzeiro-RS, onde jogou por um ano.

Como atleta palmeirense, conquistou três títulos brasileiros: Taça Brasil de 1960 e 1967, e o Roberto Gomes Pedrosa de 1967. Foram também três estaduais: o supercampeonato de 1959, mais as conquistas de 1963 e 1966, além do Rio-São Paulo de 1965.

Valdir tinha apenas 1,72m de altura, extremamente baixo para a posição de goleiro. Mas compensava essa condição com posicionamento e preparo atlético, que lhe davam impulsão, elasticidade e alcance espetaculares. O talento e a inteligência faziam o resto.

Preparador de goleiros

Imagem: Terceiro Tempo

Após encerrar a carreira de jogador, Valdir seguiu ligado ao futebol e foi auxiliar técnico no Palmeiras por vários anos, atuando como técnico interino sempre que acontecia uma troca no comando técnico do time. Nessa função, dirigiu o Palmeiras 31 vezes – 28 jogos sozinho e 3 vezes ao lado de Hélio Maffia, preparador físico.

Eespecializou-se em desenvolver trabalhos específicos para goleiros, praticamente inventando a função. Um verdadeiro legado ao futebol, que hoje seria um pouco diferente não fosse sua influência.

Mesmo com a imagem muito ligada ao Palmeiras, sua competência suplantava rivalidades e passou pelas comissões técnicas do SPFC e SCCP, onde também foi vitorioso. Foi membro da comissão técnica da seleção brasileira nas Copas do Mundo de 1982 e 1986, junto com Telê Santana, com quem também trabalhara no Palmeiras entre 1979 e 1980.

Sua última passagem pelo Palmeiras, como consultor técnico, começou quando o treinador era Vanderlei Luxemburgo, em 2008, e durou até 2011, quando, aos 80 anos de idade, voltou a Porto Alegre.

De Morais, com I

Valdir Joaquim de Morais tem o nome grafado incorretamente com “E” (Moraes) desde que encerrou a carreira de jogador e incorporou o sobrenome à forma como é atualmente conhecido. Mas é com “I” que seu nome deve ser escrito – “I” de primeiro, o primeiro preparador de goleiros da História.

Um dos ícones do pioneirismo do Palmeiras, Valdir abre a fila na lendária foto em que o Palmeiras representou a Seleção Brasileira no jogo de inauguração do Mineirão, em 1965, quando venceu a seleção uruguaia por 3 a 0.

O futebol começa o ano de 2020 muito mais triste com o falecimento de Seo Valdir.


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  • Lindo registro e recuperação de história.

    Inclusive o detalhe da grafia do sobrenome. Só fiquei com dúvida da origem da informação sobre a grafia correta:

    – seriam registros do tempo de jogador?
    – ou acesso a alguma base de dados de nomes dos nossos atletas?

    ah, temos alguma notícia de porque passou-se à grafia com “E”?

    De todo modo, o seo Valdir mereceu toda honraria que tenha recebido em vida e toda homenagem que está recebendo em seu passamento.