O time de Cuca de 2017 não será um clone do time de Cuca de 2016

Cuca e CuquinhaCuca chega amanhã à Academia de Futebol para começar a impor seu estilo ao elenco, teoricamente mais forte que o do ano passado. Seu desafio é remontar o time que entrava agredindo todos os adversários e, não raro, marcava o primeiro gol antes da marca dos 15 minutos, com muita solidez defensiva e intensidade máxima em toda a partida.

Os atacantes, sabemos, terão que voltar para marcar os adversários até a linha de fundo, se preciso. A saída será mais rápida. Mas diante das mudanças em relação ao elenco campeão brasileiro, dificilmente veremos um clone daquele esquadrão. Vejamos as alterações:

  • Vagner x Daniel Fuzato
  • João Pedro x Taylor
  • Roger Carvalho x Antônio Carlos + Luan
  • Rodrigo + Matheus Sales + Gabriel x Felipe Melo
  • Fabrício x Michel Bastos
  • Cleiton Xavier x Guerra
  • Allione x Raphael Veiga + Hyoran
  • Gabriel Jesus x Willian Bigode + Keno
  • Leandro Pereira + Barrios x Borja

A lateral esquerda é o primeiro problema a ser resolvido. Zé Roberto e Egídio vivem fases muito ruins e Michel Bastos vinha sendo unanimemente a solução. Ele seguirá na função? Caso a lateral volte para Zé Roberto, Michel vai ter problemas para disputar a posição numa linha de 3, cujos favoritos são Roger Guedes, Guerra e Dudu, com Willian e Keno como opções imediatas e Moisés em processo de recuperação.

Com Guerra fazendo o papel de Moisés, o time ganha em criatividade mas perde em movimentação e força na marcação – algo que pode ser compensado pela enorme presença de Felipe Melo, que terá Tchê Tchê jogando mais frequentemente a seu lado, abandonando o 4-1-4-1.

Na frente, Gabriel Jesus, mesmo quando jogava mais enfiado, voltava para marcar até a intermediária. Nosso menino de ouro não perdia performance por ser mais leve – Borja, bem mais pesado, conseguirá fazer o mesmo? Em caso negativo, Cuca precisará quebrar a cabeça para compensar essa falta – por outro lado, terá sempre um atacante mais bem posicionado para ligações rápidas.

Willian tem as características de jogo muito semelhantes às de Gabriel Jesus quando este jogava aberto e colocava Barrios ou Alecsandro como centroavante. Como Dudu e Roger Guedes têm a preferência do treinador para jogar pelas pontas, é de se supor que Willian fique mesmo na reserva, sendo aproveitado quando o jogo se mostrar favorável a ter alguém encostando mais em Borja. Keno segue sendo a opção para tornar o jogo sempre mais agudo pelo flanco esquerdo.

Cabe ao homem da calça vinho adaptar o esquema muito bem encaixado do ano passado à falta que faz Gabriel Jesus e aos reforços contratados na virada do ano. A imprensa já começou a criticar Cuca sem ele nem ter começado o trabalho. Que isso sirva de combustível para que todos, o mais rápido possível, encontrem a consistência perdida – até porque, acabou a molezinha do Paulistão e a partir de agora até o fim do ano, com Libertadores (9 jogos), Copa do Brasil (8 jogos) e Brasileirão (38 jogos) todas as partidas devem ser encaradas como decisões.