Zerado no balanço e na sala de troféus, Palmeiras marcou passo em 2019

Palmeiras

O Palmeiras enviou esta semana aos conselheiros o balanço financeiro de 2019. Segundo o documento, o clube fechou o ano com um superávit de R$ 1,7 milhão. Diante de um total de R$ 640,4 milhões em despesas, podemos dizer que o resultado (+0,27%) foi praticamente zero, o que não é necessariamente uma má notícia. Clube de futebol não visa primordialmente o lucro. A contabilidade que conta mesmo é a de troféus, e nessa o Palmeiras ficou igualmente zerado. Então temos, sim, um problema.

A gestão de um clube de futebol deve visar sempre a valorização de seu elenco. Um clube que fecha o ano com troféus conquistados, além de alcançar os objetivos primordiais, faz com que eventuais negociações de seus atletas alcancem valores muito maiores do que no ano anterior. O elenco então é renovado em algumas posições, e dependendo da habilidade do diretor de futebol, fica mais forte ainda para o próximo ciclo.

Quando um clube fecha o ano sem conquistas, mas aufere um bom superávit financeiro, isso será convertido em jogadores mais valiosos, o que aumenta a probabilidade de conquista de títulos. Ficar um ano sem troféus, então, não é o fim do mundo, mas aumenta a pressão por conquistas no ano seguinte, o que faz com que o caixa precise fechar o período reforçado para que a necessidade de melhorar o elenco seja satisfeita.

Em 2019, o Palmeiras não fez nem uma coisa, nem outra. Ao fechar a contabilidade de títulos e o balanço financeiro zerados, o clube marcou passo. Isso se traduziu de certa forma nas poucas contratações feitas no início de 2020. Ronny e Viña são jogadores muito bons e o elenco de 2020 parece ligeiramente mais forte que o de 2019 – mas só saberemos se estes movimentos foram suficientes caso o time chegue a conquistas relevantes.

Acerto pontual

Outro anúncio relativo às finanças do clube foi feito na manhã desta quinta-feira: o alto escalão do futebol (Anderson Barros, Cícero Souza e Vanderlei Luxemburgo), mais os atletas, terão descontados 25% da folha salarial até junho, após acordo entre as partes.

A medida visa equilibrar o fluxo de caixa do clube e manter os profissionais com salários mais modestos com os vencimentos integrais e em dia. Ponto para a diretoria e para os líderes do elenco, que souberam tratar a situação com maturidade.

Maturidade, aliás, que falta à nossa torcida, que desata a discutir cheia das razões nas redes sociais qualquer coisa que a imprensa noticie, como se tivesse todas as informações e planilhas nas mãos, conturbando ainda mais o ambiente.

Mesmo com eleições diretas pelo voto dos sócios, notícias de um presidente do Palmeiras cedendo a pressões da torcida são tão raras quanto as do cometa Halley. Chiadeira nas redes sociais só dão mais munição para a imprensa predatória.

As informações pontuais exploradas nos meios de comunicação podem ser questionadas e cobradas dos conselheiros, para que eles repassem a cobrança à diretoria. Esse é o caminho. Contate sempre seu conselheiro favorito. Se não conhece nenhum, procure nas redes sociais e escolha aqueles com quem você se identifica mais. Tem aos montes.

O que a diretoria sabe muito bem é que este ano as conquistas dentro de campo são fundamentais. Com troféus conquistados, o Palmeiras compensará o ano anterior e valorizará seu elenco, retomando o crescimento. Se fechar de novo sem títulos, mas com um bom superávit, haverá muitas críticas, com razão, mas pelo menos haverá perspectiva de crescimento – algo que não aconteceu no fechamento de 2019.

E se repetir a temporada anterior e fechar 2020 com tudo zerado pelo segundo ano seguido, aí é sinal de que muita coisa está muito errada.

Além das conquistas locais, nosso objetivo deve ser, sempre, melhorar o elenco para brigar com os maiores do mundo. Não podemos nos limitar a nos comparar apenas com SCCP, SPFC e Santos, ou com o Flamengo, River Plate e Boca Juniors. Temos que crescer, sempre, e não marcar passo, como foi confirmado pelos fechamentos oficiais do ano.


O Verdazzo é um projeto de independência da mídia tradicional patrocinado pela torcida do Palmeiras.

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  • Posso ter entendido errado, mas avaliei que o post tem um cunho anti profissionalismo na gestão do clube. Cara, acabar o ano no azul deveria ser obrigação de toda a gestão. Qual é o exemplo a ser seguido então (fora o mulambo que está fora da curva no momento)? Os times de Minas que gastam a torto e a direito sem ter a contrapartida do retorno financeiro pra conta chegar lá na frente? Ou outro aí que bateu o recorde de déficit da história pra ganhar um estadual?

    ÓBVIO que os títulos são sempre o objetivo, mas todo campeonato tem no mínimo uns 16 times pra um título só. Não levantando a taça, acabar o ano no azul é a segunda meta, não? Ou seria o “vou gastar, pelo menos eu tentei…”?

    Abs

    • “Cunho anti profissionalismo” vai pras minhas anotações!

      Penso que se um clube passa anos sem ganhar nenhum titulo e não melhora seu elenco pra tentar ganhar no ano seguinte com mais chances, você não pode ficar satisfeito. Eu não fico.

      Aconteceu em 2019, ok. É o suficiente para acendermos a luz a amarela e cobrar uma reação. Não pode se acontecer de novo, na sequência.

      Ou você é daqueles que aplaude renda?

  • Bananotti está, efetivamente, conseguindo desmontar aquilo que foi construído na gestão Paulo Nobre. Muito triste…