Em coletiva, Abel projeta decisão contra o Chelsea e pede aos torcedores: “desfrutem”

Abel Ferreira concede entrevista coletiva pelo Palmeiras no Al Nahyan Stadium, em Abu Dhabi-EAU.
Fabio Menotti

Em busca de seu quarto título pelo Palmeiras, Abel Ferreira minimizou também as diferenças entre um clube sul-americano e um europeu

Na véspera da decisão do Mundial de Clubes, o técnico Abel Ferreira concedeu entrevista coletiva no Al Nahyan Stadium, que foi o palco da semifinal, e falou sobre como ele espera que os jogadores do Palmeiras entrem em campo amanhã, diante do Chelsea.

“No lado emocional, os jogadores precisam pensar em coisas positivas e no que tem de fazer, que é jogar no mais alto nível. Parece complicado, mas não é. Não sei se vamos ganhar, mas eu e eles sabemos o que temos que fazer. Os grandes responsáveis pelos planos são os jogadores. Para este jogo vamos mudar duas coisas, muito curtas. Quero dentro de campo que eles deem o melhor, que errem, que acertam, que se divirtam, desfrutem e ganhem. O plano não é meu. O plano é nosso”, iniciou o treinador.

“Há muito tempo um time da América do Sul não ganha [o Mundial]. Mas acreditamos que podemos fazer um grande jogo amanhã. Vamos colocar de lado a capacidade financeira e colocar o respeito, a amizade, a entreajuda, a competitividade e a inspiração. Esse tem sido nosso grande segredo, assim que vejo o futebol. Isto que vamos procurar fazer em campo, impor o jogo de forma sólida e fazer mais um gol que nosso adversário”, acrescentou.

Questionado sobre as diferenças entre um clube e outro, o comandante disse que, em relação aos aspectos de jogo, o Palmeiras está no “nível dos melhores do mundo, com o mesmo propósito, que é vencer” e que questões financeiras não entram em campo.

“O Palmeiras é um clube da América do Sul treinado por um europeu. Procuramos muito – e fui muito criticado por isso – trazer as ideias que eu acredito. Penso que há uma diferença na capacidade de contratação, se vamos entrar nas questões financeiras, estamos fora. Mas no que diz respeito aos valores universais, de organização e competitividade coletiva, não. Vamos entrar no que somos bons, na coragem, na valentia, com a bola ter coragem para impor nosso jogo, fintar, driblar, dar mais que um toque”, declarou o treinador, que também falou sobre o modelo de jogo dos ingleses.

“Eles são uma equipe versátil, de vários sistemas. Já enfrentei outro treinador alemão, o que está no Bayern de Munique, quando eu estava no Braga. Adorei jogar este jogo, obrigou-me a fazer ajustes durante o jogo. O Tuchel joga sempre no 3-4-3, mas alterna muito com o 4-3-3 e o 4-2-2-2”, comentou.

Abel faz um pedido aos torcedores

Impressionado com a presença da torcida do Verdão no jogo da semifinal, diante do Al Ahly, Abel aproveitou o espaço para fazer um pedido aos palmeirenses para o duelo contra o Chelsea.

“Não tomem todas, amanhã precisamos de vocês fresquinhos para ajudar ao Palmeiras (risos). Desfrutem. Para amanhã foi liberado o estádio cheio, desfrutem do jogo, do momento. Seguramente, aconteça o que acontecer, vamos ficar na história, mas queremos entrar para a eternidade”, falou.

“Na primeira partida parecia que estava jogando no Allianz, na minha frente só tinha verde. Para quem não conhece muito bem a dimensão do Palmeiras, ficou evidente do outro lado do mundo a grandeza e a dimensão do nosso clube”, completou.

O comitê organizador do Mundial de Clubes anunciou, nesta sexta-feira, que o governo de Abu Dhabi liberou a capacidade total do estádio Mohammed Bin Zayed, palco da finalíssima. O local poderá receber até 42.000 torcedores.

A final entre Palmeiras e Chelsea acontece neste sábado, às 13h30 (horário de Brasília).

Confira outros trechos da coletiva de imprensa de Abel Ferreira

  • Chances de vitória do Palmeiras

“Claro que dá para ganhar, o futebol é mágico por isso mesmo. Dá para ganhar. Contra quem for. As probabilidades na final da Liga dos Campeões apontavam ao City; e ganhou o Chelsea. Portanto, claro que dá para ganhar. Temos que melhorar e muito (na América do Sul) a qualidade dos gramados. Eu vejo porque acham que o jogo no Brasil é lento. Tem única e exclusivamente a ver com o campo. Amanhã vão ver o time rápido. Temos de criar condições, além da densidade de jogos. A motivação: eu, no último jogo, digo que quando me levanto e respiro, quer maior motivação? Vestir este símbolo, ser treinador de futebol, há motivação maior? Eu sempre digo: aproveitem, porque não sei quando estaremos aqui outra vez”.

  • Favoritismo

“Esta parte da pressão e favoritismo é para vocês. Eu aceito. Como já disse, [o Chelsea] é uma equipe que gastou para montar este plantel 650 milhões de euros e o Palmeiras gastou 32 milhões para compor este elenco. Mas os valores que vão fazer a diferença amanhã são a competitividade, a amizade, a coragem, a ajuda, audazes para defender sem bola e com ela colocar o adversário em dificuldades. Nisso podemos nos comparar. O favoritismo deixo para vocês fazerem as capas de jornais, é bom que se escreva, porque o futebol não é só dentro das quatro linhas, engloba muita gente”.

  • Guardiola, que confundiu o Palmeiras com o River Plate

“Os europeus conhecem muito bem a América do Sul, tanto que compram em grande quantidade. Admiro muito o Guardiola, acredito que não tenha tempo, está muito focado em ganhar a Liga dos Campeões. Convido-o a ver o jogo e conhecer o Palmeiras. Ele tem um jogador que comprou do Palmeiras, e aqui temos outros de mais qualidade. Como sei que ele gosta de conhecer pessoas novas e eu também gosto, se ele um dia puder almoçar ou jantar comigo, vai ser um gosto para trocarmos uma conversa e ver se aprendi alguma coisa”.

  • Importância do tempo para treinar

“Sou muito supersticioso, acredito muito no trabalho. E tempo de treino, para poder construir o nosso plantel, para conhecer e impor nossas ideias. Tempo. O segredo é esse. Trabalho duro, disciplina e todos que trabalham no clube não é fazerem o que querem, é fazer o preciso para ganhar”.