Felipe Melo felipemelou. De novo

Felipe Melo felipemelou de novo. No embalo do Dia do Trabalhador, o volante aproveitou e divulgou um vídeo onde manifesta seus anseios políticos.


“Posso falar uma coisinha? Deus abençoe todos os trabalhadores e pau nos vagabundos, Bolsonaro neles!”, vociferou, e fechou o vídeo com cara de mau. Nada mais Felipe Melo.

Nosso volante, no entanto, errou – não por exercer seu sagrado direito de emitir uma opinião, mas sim por atrair mais uma polêmica desnecessária em torno de si.

Como cidadão, Felipe está em seu quadrado; ao manifestar suas preferências, ele contribui com o processo democrático por que tanto se lutou neste país. Mas Felipe é seguido por milhões de pessoas por ser o Felipe Melo, jogador de futebol. E suas opiniões pessoais inevitavelmente se misturarão com a do atleta.

É necessário contextualizar. O país vive há alguns anos, catalisado pela simplicidade das redes sociais, uma dicotomia política rasa. Ao mencionar um político que representa um dos extremos desta polarização, Felipe Melo ganhou a admiração de quem está no mesmo lado da política, seja palmeirense ou não; ao mesmo tempo que ganhou a repulsa de quem está do lado oposto, mesmo de palmeirenses.

No frigir dos ovos, Felipe não mudou o voto de ninguém, apenas acirrou os sentimentos do público sobre si – para bem e para mal. E isso não respinga apenas na pessoa, mas também no profissional. É notório que a classe jornalística, de uma forma geral, tem uma ascendência acentuada para o lado oposto ao defendido pelo volante. Felipe abriu uma brecha para ser atacado de forma covarde pelos menos providos de caráter, por aqueles que só defendem a livre manifestação de pensamento quando estes coadunam com sua própria opinião.

Felipe Melo com sua munhequeiraHouve quem relacionasse o perfil combativo e, por vezes, agressivo de Felipe em campo com sua preferência política.

Houve até quem tivesse a coragem de acusá-lo pelo uso da munhequeira – um jornalista doentio afirmou que ele a usa apenas para usar como proteção para os punhos em eventuais brigas, e não para secar o suor da testa e evitar que escorra nos olhos, como a maioria dos atletas carecas.

Mas Felipe Melo é assim. Ele gosta de atrair as polêmicas em torno de si e lida bem com a maioria delas. Mas nesta, passou do ponto – tanto, que ele mesmo acabou deletando o vídeo de seu perfil no Instagram, provavelmente ao avaliar melhor o custo/benefício desse passo mal calculado. Foi inteligente e bem assessorado o suficiente para recuar quando julgou necessário, assim como o fez no campo de batalha em Montevideo.

A se lamentar, e muito, a falta de maturidade do povo brasileiro para discutir um tema tão importante. Tanto os críticos quanto os apoiadores desempenharam, como vêm fazendo há quase dez anos, um papel ridículo num debate que se pretende político mas que acaba apenas sendo pretexto pra manifestações de ódio – dos dois lados.

Essa falta de maturidade levou até alguns palmeirenses tão extremistas quanto o político que dizem odiar a declararem que estão cancelando o Avanti por causa do Felipe Melo – por coerência devem deixar de torcer pelo clube enquanto o volante vestir nossa camisa. São nesses momentos que se mede quem realmente ama o Palmeiras. Um torcedor inteligente e maduro pode tranquilamente se decepcionar com um posicionamento pessoal de um atleta, mas jamais permite que isso afete sua relação com a camisa e com a instituição.


Pela falta de maturidade generalizada acerca do tema, este post tem o espaço para comentários excepcionalmente fechado. A maioria dos leitores do Verdazzo, ao largo do que se verifica nos portais e redes sociais em geral, tem plena capacidade para discutir sobre o assunto, mas o centro deste post não é a política, o Bolsonaro, o Che Guevara ou a Margaret Thatcher, e sim o poder que uma manifestação de um jogador do Palmeiras, naturalmente chegado numa polêmica, pode causar, sobretudo num ambiente viciado. Ciente de que os comentários vão inevitavelmente descambar para um embate devido a uma minoria ainda imatura, o Verrdazzo pede perdão pela atitude, mas prezamos pela civilidade em primeiro lugar.