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Palmeiras x Athletico-PR
Cesar Greco

O Palmeiras foi derrotado pelo Athletico-PR por 2 a 0 no Allianz Parque, e desperdiçou uma enorme chance de abrir vantagem na tabela. Mesmo com o adversário com um time misto, o Verdão falhou demais nas 35 finalizações disparadas, outras tantas nas preparações, e foi feliponicamente castigado.

Continuamos na liderança, de forma isolada; ainda temos o melhor ataque e a melhor defesa do campeonato, mas não estamos aproveitando as brechas dadas pelos adversários; o Atlético-MG se aproxima perigosamente e aquela gordurinha acumulada nas últimas rodadas foi queimada em duas partidas.

Abel escalou o time com Dudu invertido com Gustavo Scarpa, que jogou pela direita caindo mais  por dentro, mais próximo a Raphael Veiga. Isto porque o corredor do lado direito era usado por Mayke e até por Gustavo Gómez – por vezes, os dois trocaram bolas pelo flanco, ficando Danilo na cobertura e Piquerez plantado. Mais uma no bat-cinto do Abel.

Mas não funcionou. Apesar do razoável volume ofensivo – foram 13 finalizações no primeiro tempo, o time não estava afiado: Bento não fez nenhuma defesa na primeira metade do jogo. Gustavo Scarpa errou todos os cruzamentos, tanto de bola parada ou com ela em jogo. Dudu voltou para a direita e Piquerez foi  liberado pra descer; as chances surgiam, mas a bola bateu na trave, roçou a rede pelo lado de fora, mas nada de ir na direção do gol.

O ataque que deu origem ao primeiro gol do jogo foi de uma simplicidade assustadora: cruzamento no segundo pau, de longe; Piquerez deixou-se encobrir e Rômulo testou para o meio da área onde estava Vitor Roque para finalizar – o bom centroavante dos visitantes já havia, em jogada de contra-ataque, perdido um gol frente a frente com Weverton, que fez uma grande defesa.

A mentalidade não mudou para o segundo tempo; possivelmente as recentes viradas tenham superdosado nossos jogadores de confiança. A calma com que o time rodava a bola e tentava achar os espaços era surpreendentemente compreendida pela torcida – o burburinho característico de nosso estádio quando estamos atrás no placar era bem mais comedido que o de costume.

E as chances foram se empilhando, mas o time não acertava a direção do gol. Até que em mais uma jogada rápida, Rômulo finalizou da entrada da área e Bráulio Machado, chamado pelo VAR, decidiu pelo pênalti numa jogada em que Piquerez está com o braço dobrado para dentro, na direção do corpo, sem aumentar a área de bloqueio. Escancarou a má intenção que já tinha deixado clara ao amarelar Abel na primeira (justa) reclamação de nosso treinador.

Com dois gols de desvantagem, o Verdão se lançou todo à frente. O Athletico aceitou a pressão. As mexidas funcionaram parcialmente – talvez Breno Lopes na direita fizesse melhor que o menino Garcia. E Scarpa com a perna descalibrada estava fazendo hora extra em campo, mas Abel  insistiu no camisa 14.

As chances claras enfim surgiram e bastava que saísse o primeiro gol para abrir a porteira e mais uma virada ser desenhada. Bento resolveu se agigantar; nossos atacantes também não estavam em suas melhores noites, e a bola não entrou de modo algum. “Podiam estar jogando até agora que o gol não teria saído”.

O ponto alto foi a paciência da torcida, que cantou o hino do clube a plenos pulmões ainda com a bola rolando, nos acréscimos, numa demonstração de reconhecimento pelo desempenho nas últimas semanas. Mas que ninguém se engane: se o time não atropelar o Cerro Porteño na quarta-feira, a cuíca vai roncar.

Apesar da derrota, as imagens mais marcantes da noite ficaram por conta do carinho de nossos jogadores com Felipão, que comandou mais da metade de nosso atual time titular até 2019. Sentimentos misturados vieram à tona ao ver o general novamente à beira do campo – com outro uniforme.

Ainda bem que temos a regra das 24 horas. Não há muito tempo para lamentos; temos uma vaga para garantir. E seria realmente bom que a atuação fosse de gala, para dissipar qualquer início de ruído. A confiança segue em alta – mesmo com uma pulguinha atrás da orelha diante dos gols sofridos nos últimos jogos. VAMOS PALMEIRAS!

 

Ficha Técnica

39.192

R$ 2.320.330,60

Bráulio da Silva Machado

Escalação

Athletico-PR

Bento
Orejuela
Pedro Henrique
Matheus Felipe
Abner
Erick
Hugo Moura
Léo Cittadini
Vítor Bueno
Christian
Rômulo
Marcelo Cirino
Vítor Roque
David Terans
Canobbio
Pedrinho
Luiz Felipe Scolari
TÉCNICO


Primeiro tempo

7'
Palmeiras

Gustavo Gómez apoiou pela direita e lançou Mayke no facão por trás de Abner; o camisa 12 entrou na área e centrou para a testada de Raphael Veiga, mas errou no cálculo e mandou a bola um pouco atrás da linha do camisa 23, que se contorceu para cabecear a bola mas não conseguiu dar direção na bola – e ainda se chocou com a trave.

16'
Athletico-PR

Em contragolpe mortal, Canobbio e Vitor Roque tabelaram envolvendo nossa defesa, até Vitor Roque chegar cara a cara e fuzilar Weverton, que fez uma defesa de enorme reflexo e salvou o Palmeiras.

25'
Palmeiras

Gustavo Scarpa alçou para Dudu dentro da área; o camisa 7 ajeitou de peito e Raphael Veiga emendou de canhota – a bola estufou a rede, mas por fora, enganando a metade do estádio, que comemorou o que teria sido um golaço.

28'
Athletico-PR

Abner apoiou pela esquerda e acionou Canobbio na meia-lua; o atacante fez o pivô para a batida de Vitor Bueno, por cima do travessão, com perigo.

36'
Athletico-PR

Gol do Athletico – Abner cruzou no segundo pau; Rômulo chegou nas costas de Piquerez e testou para o meio, na pequena área, na direção de Vitor Roque, que desta vez não perdoou e abriu o placar.

41'
Palmeiras

Zé Rafael apoiou por dentro, recebeu de Danilo, limpou um marcador e disparou forte, por cima do gol.

43'
Palmeiras

Danilo abriu para Gustavo Scarpa, que alçou buscando a infiltração de Veiga na área; Matheus Felipe cortou e a bola caiu na entrada da área nos pés de Dudu, que trouxe para dentro e bateu de canhota – a bola saiu perto do ângulo direito de Bento.

47'
Palmeiras

A bola foi da direita para a esquerda e caiu com Dudu, que alçou na área; Erick desviou e Gustavo Scarpa fechou no segundo pau – com pouco ângulo, o camisa 14 escorou e a bola bateu na trave antes de sair pela linha de fundo.

48'

Bráulio Machado, com toda a milonga que o caracteriza, encerrou o primeiro tempo.


Segundo tempo

As duas equipes voltaram dos vestiários sem alterações.

3'
Palmeiras

Dudu recebeu na esquerda após roubada de bola de Piquerez, entrou driblando na área e disparou rasteiro – Bento fez boa defesa, sem rebote.

11'
Athletico-PR

Vitor Roque puxou o contra-ataque e alçou para Rômulo, que chutou forte; Piquerez se atirou na bola, que bateu no braço direito, fechado. Bráulio foi chamado pelo VAT e obviamente deu o pênalti, e ainda amarelou Piquerez. Vitor Bueno bateu no canto esquerdo e bateu Weverton.

16'

Entraram Rafael Navarro, Gabriel Veron e Atuesta nos lugares de Rony, Raphael Veiga e Zé Rafael.

16'
Palmeiras

Danilo bateu da intermediária; a bola desviou no meio do caminho e saiu a um dedo da trave esquerda de Bento.

16'
Palmeiras

Na batida de escanteio da direita, Murilo tirou a casquinha no primeiro pau e Danilo chegou um cabelinho atrasado para empurrar para o gol e a bola saiu junto à trave direita.

20'
Palmeiras

Danilo acionou Veron, que fez o pivô para Scarpa, que puxou da direita para o meio e bateu chapado – a bola fez a curva e saiu a um átomo da forquilha direita de Bento. O gol estava muito maduro.

22'
Palmeiras

Gustavo Scarpa mais uma vez recebeu por dentro e arriscou – Bento pegou firme no canto direito.

25'

Saíram Danilo e Mayke para as entradas de Gabriel Menino e Garcia.

31'
Athletico-PR

Gustavo Scarpa cruzou da esquerda e Gabriel Menino emendou da meia-lua – com a canhota, pegou mal na bola, fácil para Bento.

33'
Palmeiras

Gabriel Menino disparou d meia direita; Bento espalmou e Rafael Navarro testou no rebote; Bento fez como um bloquei de vôlei e Navarro tentou de novo de cabeça, na rede por fora.

35'
Palmeiras

Dudu lançou Gabriel Veron por trás de Abner; ele invadiu a área e tocou na saída de Bento, mas o chute saiu totalmente sem direção.

37'
Palmeiras

Gustavo Scarpa bateu falta de dentro da meia-lua, forte, mas no canto do goleiro – Bento defendeu firme.

40'
Palmeiras

Gustavo Gómez fez jogada de ponta direita e cruzou na área; Pedro Henrique afastou e Piquerez finalizou da meia-lua – Rafael Navarro tentou desviar no meio do caminho e desviou DEMAIS, jogando de zagueiro.

45'
Athletico-PR

David Terans arrancou no mano a mano contra Gabriel Menino, deu o drible seco com facilidade e o camisa 25 teve que fazer a falta na meia-lua – recebeu cartão vermelho.

49'
Palmeiras

Veron tocou no facão para Garcia, que entrou na área e bateu cruzado; a bola bateu em Matheus Felipe, explodiu no peito do goleiro e a zaga afastou.

52'

Bráulio Machado, feliz da vida, encerrou a partida.



Notas


Jogador
Descrição
Nota
Weverton
Uma defesaça no primeiro tempo e só - nada a fazer nos gols.
7
Mayke
Discreto na defesa e afobado no ataque.
5.5
Gustavo Garcia
s/n
Gustavo Gómez
Arriscou umas descidas como ponta-direita, mas precisa melhorar o cruzamento. Zagueirando, foi o de sempre.
7.5
Murilo
Tranquilo na zaga; errou a única testada que conseguiu na frente.
6
Piquerez
Falhou no primeiro gol; e não fez pênalti algum. Foi forte no apoio, mas o estrago já estava feito.
5.5
Danilo
Vai se recuperando aos poucos do estrago que a seleção do Tite fez.
6.5
Gabriel Menino
Entrou bem no apoio, mas foi muito mal na cobertura do contra-ataque que lhe rendeu a expulsão. Foi muito menino no drible tomado.
6
Zé Rafael
Teve lampejos de trem, mas em alguns momentos parece que faltou carvão na maria-fumaça.
6.5
Atuesta
Se for emular o Ganso no Palmeiras, no mínimo tinha que acertar uns passes geniais na frente da área.
5.5
Dudu
O melhor do time, liderando as ofensivas tanto na esquerda quanto na direita.
8
Raphael Veiga
Vai recuperando o ritmo; podia ter ficado até o fim do jogo se não houve questão física.
6
Gabriel Veron
Teve boas participações na pressão do segundo tempo, mas errou um gol feito, que não pode perder.
5.5
Gustavo Scarpa
A canhota estava totalmente descalibrada. Não acertou NENHUMA.
5
Rony
O eterno caso de amor e ódio com a bola teve mais um capítulo de ódio. Mas a torcida continua o amando, e ele faz por merecer.
5
Rafael Navarro
Toda sua luta cai por terra quando joga de zagueiro para o adversário num lance ofensivo. E falta se posicionar melhor. É muito ataque pra quase nenhuma participação.
5
Abel Ferreira
Abel Ferreira
Está se preocupando demais com o que diz a torcida. Podia ter explicado por que tirou o Veiga e não o Scarpa. Só faz sentido se foi por motívos físicos.
5.5




  • Quando será que algum juiz vai coibir o antijogo e a cera que a grande maioria dos visitantes fazem no nosso estádio?