Após título, Abel se diz grato ao Palmeiras e deixa futuro no clube em aberto

Abel Ferreira em jogo do Palmeiras contra o Flamengo, durante partida final da Libertadores 2021, no Estádio Centenário, em Montevideo.
Cesar Greco

Por conta do calendário brasileiro, Abel afirmou que está “no limite físico e mental”

O Palmeiras venceu o Flamengo na tarde deste sábado por 2 a 1, em Montevidéu, e sagrou-se tricampeão da Copa Libertadores. Após toda a festa do título, o técnico Abel Ferreira, que chegou à sua segunda conquista da competição em pouco mais de um ano de Verdão, concedeu entrevista coletiva e agradeceu a todos do clube.

“Gostaria de agradecer a todos os profissionais que trabalham comigo. Os meus auxiliares que estão comigo há muito tempo. O Andrey [Lopes], o Rogério [Godoy] e o Thales [Damasceno] (funcionários do Palmeiras), que são fantásticos. Além do Cícero Souza e o Anderson Barros, que é um dos diretores esportivos mais incríveis com quem já trabalhei. Ele me ouviu falar sobre contratações, mas ele sabia que não dava para trazer mais. É uma honra trabalhar com o homem e o profissional que ele é”, iniciou.

“Fizemos histórias, batemos recordes, e continuaremos a fazer. Sei que isso nem sempre é o suficiente aos torcedores, mas podem ter certeza que nós fazemos o melhor do CT para dentro”, acrescentou.

Apesar de mostrar gratidão ao Palmeiras, o treinador afirmou que pensará sobre o seu futuro no Brasil, principalmente pelas dificuldades impostas pelo calendário.

“Sou grato ao futebol brasileiro e, principalmente, ao Palmeiras. Que me fez juntar a grandes homens e a conquistar títulos. Cheguei ao clube sem nenhum título. Há muita margem para melhorar o futebol brasileiro e eu sempre faço críticas construtivas. O calendário aqui é insano e eu tenho que fazer uma reflexão muito grande. Não consigo jogar no ritmo que é aqui, não fico na minha máxima capacidade física e mental. O clube já demonstrou a vontade de me ter como técnico no próximo ano e sou muito grato. Vou parar, refletir, e escolher o que for melhor para o Palmeiras”, discursou.

“Estou no meu limite mental e ninguém quer saber. Tenho de tratar da minha saúde física e mental”, completou.

Abel fala sobre o jogo contra o Flamengo

Sobre a vitória, Abel revelou qual foi a conversa com os jogadores para fazer as mudanças na equipe, que foi trazer Gustavo Scarpa para a ala-esquerda e colocar Piquerez de terceiro zagueiro.

“Coloquei todos dentro de uma sala e falei que ia fazer isso. Mas disse a eles também que só iria fazer se todos aceitassem, se tivessem dispostos a cumprirem suas missões. Um dos capitães falou: ‘se é para ganhar, cada um vai fazer o que for preciso’. Isso foi fundamental para conquistarmos o título. Esta foi a forma que encontrei de derrotar um rival muito qualificado, que tem um dos melhores treinadores brasileiros. O futebol ainda é um jogo, precisamos de qualidade, competência e um pouco de sorte”, contou.

Elenco do Palmeiras na foto oficial antes do jogo contra o Flamengo, durante partida final da Libertadores 2021, no Estádio Centenário, em Montevideo.
Cesar Greco

“Quando os jogadores estão com a mente aberta para aquilo que tem de fazer, é possível mudar o jogo sem alterar as características da nossa equipe. Assumir que Atlético-MG e Flamengo têm elencos mais qualificados que o nosso não é problema nenhum. Isso é um desafio para nós. Entretanto, somos melhores taticamente, fisicamente e mentalmente. Ganhamos em 3 aspectos e perdemos em 1. É assim que vejo o futebol: conhecer os pontos fortes do adversário e bloqueá-los, além de potenciar os nossos. Foi isso que fizemos”, prosseguiu.

Já sobre a opção na lateral-direita, o comandante revelou que suas dúvidas foram sanadas no duelo contra o Fluminense, no último dia 14.

“Contra o Fluminense, dei a oportunidade de tanto o Mayke quanto o Menino de se mostrarem. E ao final daquele jogo todas as minhas dúvidas estavam claras”, disse.

Confira outros trechos da coletiva de Abel Ferreira

“O Deyverson é um sapinho que nós beijamos e transformamos em príncipe”.

  • Livro sobre sua trajetória no Palmeiras

“Estou há um ano escrevendo um livro, ao lado da minha equipe técnica. Para explicar tudo que fizemos durante um ano. E esse livro vai sair em janeiro. Vocês terão todas as histórias, todo o nosso trabalho e projeto. Isso é uma forma de eu agradecer o futebol brasileiro. Ele está feito e será publicado”.

  • Aprendizado no futebol brasileiro

“Jogador brasileiro é bom de bola, faltam apenas os outros 50%. Aprendi que para ter o grupo na mão é preciso ser verdadeiro com todos. Hoje tive que deixar o Willian de fora. Aprendi que só sendo ‘Todos Somos Um’ que é possível ganhar títulos. Ensinei algumas coisas, não muitas. Aprendi muito mais. Não tenho família em casa, tenho muito tempo para me dedicar ao futebol. Não sou de se agarrar aos problemas. Encontro soluções. Faço o que gosto com paixão, alegria e um orgulho tremendo. E muitas vezes cansado”.

“Um dos nossos segredos é saber nossas limitações e potenciar os nossos pontos fortes. Sabemos que coletivamente somos um time forte. Entendo que tecnicamente o Luan é mais jogador, mas como defensor o Gómez tem mais pegada. Falei com eles sobre trocarem de lugar no campo e aceitaram”.

  • Simplesmente o maior treinador da história da S.E. Palmeiras. Felipão e Luxa ganharam com elencos muito melhores que o atual palmeiras. Abel é a essência do verdão: “sabe levar de vencida” as críticas e “mostrar que de fato é campeão.” Renovem com o homem por 10 anos!