Cortes de Crias da Academia do Mundial devem ser divisores de águas em suas carreiras

O Palmeiras anunciou na manhã deste domingo a lista dos 23 jogadores que serão inscritos na FIFA para a disputa do Mundial de Clubes. Como a aritmética é implacável, seis dos 29 atletas em Abu Dhabi tiveram que ser excluídos da competição – coincidentemente, todos são Crias da Academia.

O primeiro cortado, com antecedência, foi Vinicius Silvestre, cujo teste de contraprova acusou positivo para Covid-19. Mateusão viajou para os Emirados Árabes para preencher a terceira vaga de goleiro.

Com a liberação de Piquerez, que negativou o teste de Covid-19 e viajou junto com Mateus, Vanderlan foi o corte mais óbvio. Nem o próprio jogador deve ter ficado surpreso.

Giovani viajou para cobrir a falta de Gabriel Veron, que também positivou o teste antes mesmo do embarque, mas acabou sendo preterido. O camisa 7 da Copinha também não deve ter alimentado grandes esperanças.

O corte de Renan não chegou a ser exatamente uma surpresa. Nos jogos pelo Paulista, o camisa 3 claramente perdeu terreno para Murilo, recém-contratado.

Outros dois reforços ganharam as vagas neste breve período de pré-temporada: Jailson e Atuesta. O primeiro era uma aposta forte até por poder ser utilizado também como zagueiro. O colombiano agradou à comissão técnica. Assim, para completar o quebra-cabeças, foram excluídos Patrick de Paula e Gabriel Menino.

Ponto de inflexão nas carreiras das Crias da Academia

Crias da Academia Gabriel Menino e Patrick de Paula em voo para Abu Dhabi, onde o Palmeiras disputará o Mundial de Clubes
Fabio Menotti

Não deve ter sido fácil para Renan, Patrick e Menino absorver a notícia. Abel tem como um de seus pontos fortes a gestão do grupo e não existe a chance deles não terem tido uma conversa franca antes da divulgação ao público.

A dura decisão se relaciona com merecimento, seja por desempenho técnico, seja comportamental. Abel mencionou claramente em coletiva após o jogo contra o São Bernardo os critérios que seriam usados para a definição da lista.

“Os jogos antes do Mundial servem para mostrar o que temos de corrigir. Servem também aos mais jovens, que precisam entender que não pode haver brincadeiras e sim mais seriedade. Em todos os jogos estamos fazendo avaliações. O Jailson foi muito bem, teve muita vontade; por muitas vezes perguntam por que joga um e não joga o outro. Isso tem muito a ver com a mentalidade: se pensarem que são reservas, serão reservas. Os que pensam que podem estar entre os 11, jogarão.

O Atuesta foi muito bem. Os jogadores que querem ser titulares têm que falar dentro das quatro linhas e o Atuesta apresentou um bom jogo. Tanto ele quanto o Jailson são atletas que brincam pouco e entregam muito. É isso que tem que fazer. São os jogadores que se escalam, não sou eu. Nós premiamos a meritocracia dentro do elenco e eles sabem os critérios das escolhas”.

Um dos efeitos colaterais desta situação é que canhões serão apontados para as jovens Crias em caso de mau resultado na competição. A pecha de indisciplinados está batendo em suas portas e sabemos como nossa torcida tem a necessidade de direcionar frustrações em alguém.

Não se sabe ao certo nem quem estava de “brincadeiras” na fala de Abel. É possível até que o recado já tenha sido absorvido e que os critérios para os cortes tenham sido puramente técnicos – os três, de fato, não fizeram bons jogos em janeiro e os novos contratados mostraram mais serviço.

Mais uma vez, nós torcedores temos que confiar em Abel para a gestão do elenco e não bancarmos os justiceiros. Seja por motivo técnico ou comportamental, a punição já veio, e foi pesada: ficar de fora do Mundial é uma pancada realmente forte. Não é necessário que nossos jovens valores fiquem marcados como baladeiros e indisciplinados pela torcida, como foi feito com Luiz Adriano, num contexto bem diferente.

Uma vez que já foram punidos, esses jovens estão num enorme ponto de inflexão em suas carreiras. Mais do que nunca, o momento é de orientação. Serem perseguidos por uma ala irracional da torcida é tudo o que eles não precisam – nem eles, nem o Palmeiras.

Renan (19), Patrick (22) e Menino (21) já prestaram serviços inestimáveis ao Palmeiras e merecem nossa confiança para seguirem suas carreiras com esta dura lição aprendida. Cabe a eles honrá-la. Todos estão de olho.


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  • Partindo do princípio de que os critérios de seleção são claros para todo o grupo e que é inquestionável a capacidade de gestão e liderança do Abel, ganhando, ou não, todos tem a convicção de que as escolhas feitas foram as corretas para o momento. Os jogadores sabiam que nem todos poderiam ser inscritos, por mais frustrante que seja, se foi o caso de displicência de alguns dos cortados, espero que seja uma lição para os que não se dedicaram como deveriam, no esporte profissional brincar tem hora certa.