Sarrafo do Palmeiras atingiu nível de clubes europeus

Cuca
Divulgação

Na entrevista de apresentação de Cuca, um dos trechos que mais chamou atenção foi quando o treinador mencionou a pressão que o Palmeiras tem sobre si de ganhar todos os campeonatos que disputa pelo fato de ter o maior poder de investimento dentre os clubes brasileiros.

De forma correta, Cuca diagnosticou um dos maiores problemas vividos pelo time nesta temporada. É de se supor que Eduardo Baptista, sob esta intensa cobrança, tenha cometido equívocos que foram cruciais para a oscilação do time, culminando com a eliminação do Paulista pela Ponte Preta e gerando uma apreensão generalizada. A ansiedade pelas conquistas, diante de tanta responsabilidade, subiu o sarrafo do Palmeiras a níveis europeus – algo que não queremos e não precisamos ter que enfrentar.

De onde parte essa pressão?

O clube concluiu as obras do Centro de Excelência e orgulhosamente o mostrou ao mundo em fotos e vídeos, nos próprios canais e via imprensa. Divulgou um balanço que transmite tranquilidade e uma enorme capacidade de investimentos, ainda turbinado por um patrocinador que aproveita todas as brechas para deixar muito claro que injeta dinheiro no clube – o que possibilitou reforços do naipe de Borja, Felipe Melo e Guerra.

Tudo isso causa uma sensação de onipotência que, ao mesmo tempo que impõe respeito aos adversários, suscita uma espécie de revolta na imprensa, clubista e antiprofissional, que parece não se conformar que o Palmeiras venceu uma crise gravíssima – de forma irretocável – e vive atacando nosso modelo econômico, como se fosse pecado ser bem-sucedido.

Esse poderio estrutural, técnico e financeiro sobrecarrega a comissão técnica e os jogadores. Cuca, de seu retiro, percebeu isso e tratou logo em sua chegada de aliviar essa pressão. Naquele tom de voz manso que já estamos acostumados (e que sentíamos saudades), disse que o Palmeiras precisa comer mais pelas beiradas. Sua expressão fechada sugeria estar desconfortável sendo o centro de tanta atenção – de fato, nos noticiários e nos infinitos programas de debate da TV, nem parecia que nosso rival acabara de ganhar um título paulista.

Como aliviar essa pressão?

Lembram o quanto a imprensa mencionou o valor pago por Erik no ano passado? Pois com Borja isso vai ser potencializado. O palmeirense precisa ter em mente que os críticos vão aumentar o cerco. Vão falar em mecenato, em Crefisa, e colocarão quanta pressão puderem. Os torcedores rivais, alimentados por eles, aumentarão o coro. Isso já vem chegando aos ouvidos da torcida do Palmeiras, que acabou aceitando a obrigação de ser o campeão de tudo. E isso não corresponde à realidade do futebol. Nossa torcida não pode cair nessa provocação e transferir esse peso para nossos jogadores e comissão técnica.

Mesmo não tendo sido campeões paulistas, como em 2016, somos o protagonista do ano. A conquista do Brasileirão aumentou ainda mais a responsabilidade. Temos que saber lidar com a superioridade, e saber que a obrigação de nosso time é disputar os títulos, mas que eventualmente perdê-los faz parte do esporte, sobretudo em competições mata-mata.

A soberba e o oba-oba, que podem ser resumidos na popular expressão “entreguem as taças”, que é sempre usada em tom de brincadeira, devem ser extirpadas.

Nossa patrocinadora poderia ajudar, recolhendo um pouco seus cavalos, deixando de lado o bordão “patrocinador forte significa time forte” e se contentando em aparecer em nossa camisa, ao menos neste momento de turbulência – ajudaria a diminuir os ataques da imprensa e dos rivais.

Quem trabalha no Palmeiras sabe que a pressão é grande e constante. A camisa do Palmeiras, por si só, já confere a quem a enverga um peso extraordinário de forma natural; não aumentar essa responsabilidade é uma decisão sábia que todos os palmeirenses precisam tomar. Com todos fazendo suas partes, o grupo terá muito mais tranquilidade para trabalhar e assim transformar a superioridade potencial em real, o que facilitará o caminho rumo aos títulos. No final, será bom para a torcida e bom para a patrocinadora. Todos ganham.


O Verdazzo é patrocinado pela torcida do Palmeiras.

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