Sozinho ou com ajuda, Eduardo vai saindo do buraco

Eduardo Baptista - coletiva
César Greco / Ag.Palmeiras / Divulgação

A goleada sobre a Ferroviária foi excelente para todos. Mas para uma pessoa, ela não poderia ter sido melhor: Eduardo Baptista, que depois de uma derrota muito dolorida em Itaquera, precisava de uma vitória por um bom placar e com futebol convincente para estancar a sangria. O jogo do sábado de Carnaval não apenas trouxe as duas coisas, como ainda mostrou uma faceta do treinador até então desconhecida para a torcida.

Eduardo parecia ser refém de seu 4-1-4-1. Depois de uma sequência bastante irregular no início da temporada que culminou com a derrota no clássico, o treinador mostrou à diretoria, aos jogadores e à torcida que é maleável. Possivelmente notou que estava indo na direção errada e corrigiu o erro. Não se sabe se percebeu isso sozinho ou se teve ajuda de alguém. Neste contexto, no entanto, o que importa é que ele reconheceu os equívocos e partiu em direção de corrigi-los.

Nossos jogadores não se adaptaram ao esquema original proposto. Mesmo com vários atletas do meio para a frente no elenco que não jogaram com Cuca em 2016, foi o esquema do ano passado, o 4-2-3-1, que encaixou melhor. Antes, Felipe Melo ficava igual charuto na boca de banguela no meio das duas linhas, muito distantes. Agora, tendo possivelmente Tchê Tchê para acompanhá-lo, a tendência é seu futebol crescer muito mais.

Com dois volantes, as triangulações pelos lados do campo aparecem com mais facilidade. Jean e Zé Roberto/Egídio podem descer com muito mais liberdade, e Guerra ou Raphael Veiga surgem como opções que saem de dentro para ajudar a envolver as defesas adversárias junto a Dudu de um lado, Keno ou Michel Bastos do outro. Ou o próprio Dudu pode sair de dentro. São muitas opções de jogo.

Então está tudo certo?

Ainda há que se treinar a recomposição, mas os jogadores já sabem mais da metade desse caminho. Eduardo não gosta que nossos pontas acompanhem os laterais adversários até o fim, e isso já vem dando algum resultado, visto que nossa defesa é uma das melhores do país em 2017 até o momento. Essa troca ainda precisa ser treinada no novo posicionamento, mas não deve ser tão difícil.

Todo esse novo encaixe surge ao mesmo tempo que Borja entregou seu cartão de visitas para o mundo de forma espetacular. O gol marcado no sábado, pouco mais de dez minutos depois de entrar em campo, empolga até o palmeirense mais cético. O cara parece mesmo ser do ramo.

Que as cornetas cessem. A sequência que temos agora pela frente é uma das mais importantes do primeiro semestre: depois de encarar o Red Bull, temos a estreia na Libertadores, na Argentina; depois um clássico contra o SPFC em casa; depois mais um jogo em casa pela Libertadores; e em seguida mais um clássico na Vila Belmiro. Só com o apoio maciço de nossa torcida pularemos essas fogueiras sem nos queimar – e se isso acontecer, temos grandes chances de embalar.

Que Eduardo continue nos ajudando a ajudá-lo. É o que todos queremos, não?