Elenco do Palmeiras: homogêneo e nivelado por cima

Eduardo Baptista usa tablet durante o treino - 14/03/17
César Greco / Ag.Palmeiras

Eduardo Baptista, em suas primeiras entrevistas, declarou que acredita que a repetição leva à perfeição – ou algo nesse sentido. Nesse contexto, imaginava que com o tempo definiria os onze titulares do vasto elenco que tem à disposição e que seguiria com essa formação o máximo que pudesse, até que o time atingisse o máximo rendimento possível. A fixação pela repetição tem um quê de sua formação como preparador físico.

Ocorre que, pelas circunstâncias, Eduardo foi obrigado a mexer bastante no time, seja por lesões e suspensões, seja porque o rendimento no início ficou abaixo do que ele próprio devia estar esperando. E ao rodar o elenco, acabou descobrindo que tem muitos jogadores de qualidade, capazes de serem titulares em qualquer time do país.

É mais fácil definir um time titular quando os reservas estão num nível bem abaixo dos principais jogadores. No caso do Palmeiras, quem entra, tem entrado bem, o que dá confiança para o treinador contar com o jogador mais vezes – e até ensaiar esquemas alternativos, aproveitando mais as melhores qualidades de cada jogador. Esse processo exige um aprendizado para que o treinador conheça bem o que cada atleta pode produzir e Eduardo está exatamente nesse ponto da trajetória.

Isso é produto da homogeneidade do elenco – nivelado por cima. O trabalho de mapeamento do mercado realizado por Alexandre Mattos antes da contratação dá esse resultado. É claro que nem sempre todas as contratações vingam; às vezes um jogador caro não rende o esperado e outros que vieram a custos modestíssimos jogam uma enormidade. No final das contas, o pacote tem valido a pena.

Perfis

Diante do desempenho mostrado desde o início do ano, o Palmeiras conta hoje com cinco perfis de jogadores no elenco (lembrando que Thiago Martins e Moisés, lesionados por longos períodos, não entram nessa análise):

Titulares absolutos (9) – salvo em caso de força maior, saem jogando: Fernando Prass, Jean, Mina, Vitor Hugo, Zé Roberto, Felipe Melo, Tchê Tchê, Dudu e Borja;

Semi-titulares (7) – meio-campistas e atacantes que não deixam o nível cair e podem ser escalados conforme a opção do treinador diante do adversário, ou que entram frequentemente durante os jogos: Thiago Santos, Raphael Veiga, Guerra, Michel Bastos, Keno, Roger Guedes e Willian Bigode;

Reservas imediatos (4) – jogadores de defesa que gozam de total confiança e que entram em caso de impossibilidade dos titulares estarem em campo: Jailson, Fabiano, Edu Dracena e Egídio;

Em crescimento (5) – jogadores jovens que são apostas do clube para as próximas temporadas e que ainda buscam espaço no banco de reservas: Vinicius, Daniel Fuzato, Antonio Carlos, Vitinho e Hyoran;

Entregando menos do que podem (4) – atletas que já viveram grandes momentos, que não conseguem repetir, ou apostas que não vingaram: Arouca, Rafael Marques, Alecsandro e Erik.

O jogo contra o SPFC foi uma claríssima demonstração da homogeneidade e do alto nível desse grupo.

Notem que apenas quatro atletas vivem fases ruins e estão abaixo do nível de desempenho esperado para vestir nossa camisa. Não por acaso, os dezoito relacionados para o jogo desta noite contra o Jorge Wilstermann, pela Libertadores, são dos três principais perfis – ficaram de fora apenas Vitor Hugo, suspenso, e Raphael Veiga, por pura falta de vaga.

Chance de ouro

Eduardo Baptista vai achando seu caminho nesta caminhada com o Palmeiras, revendo alguns de seus conceitos diante de uma realidade nunca vivida em sua carreira. É uma chance de ouro, que qualquer treinador gostaria de ter na vida. Eduardo, que surgiu na profissão há poucos anos embora já esteja se aproximando dos 50 anos de idade, tem todo o potencial para aproveitá-la – resta saber se vai conseguir. Estamos todos torcendo.