Conselho deve escrever amanhã mais uma página vergonhosa na História do Palmeiras

Lamacchia, Mustafá e Leila PereiraO Conselho Deliberativo escreverá na noite desta segunda-feira mais uma página que tem tudo para ser vergonhosa na História do clube.  Se as projeções se confirmarem, a candidatura de Leila Pereira, autorizada após uma canetada que se baseou numa memória obscura do ex-presidente Mustafá Contursi, não será impugnada e a dona da Crefisa, patrocinadora do futebol profissional, poderá seguir sua caminhada rumo à presidência do clube.

Como é sabido, Leila Pereira admitiu em entrevista ao jornal Diário de São Paulo, em 2015, que havia ficado sócia há poucos anos e negou ter planos políticos no clube. Repentinamente, lançou sua candidatura, na chapa de Mustafá. Investiu bastante na campanha, com montagem de comitê na rua Palestra e jantares com Uber pago para quem quisesse. Diante de tanta popularidade, recebeu uma votação expressiva, a maior da História, e carregou consigo mais oito ou dez conselheiros que não se elegeriam não fosse o quociente eleitoral que a chapa conseguiu graças ao peso de sua eleição. O chamado efeito Tiririca.

Para que sua candidatura obedecesse ao que determina o estatuto do clube, o tempo de associação de Leila ao clube foi acrescido de quase 20 anos – segundo uma lembrança de Mustafá, ele havia concedido o título de sócia benemérita a Leila em 1996, quando era presidente, embora não haja nenhum documento atestando o fato.

Com o patrocínio sem a certeza de renovação e precisando do apoio de Mustafá para conseguir governabilidade, o presidente Maurício Galiotte ficou com a faca no pescoço e autorizou a candidatura mesmo sem a documentação apropriada. Dias depois da homologação, a Crefisa anunciou a permanência do patrocínio.

Vários associados, entretanto, entraram com o pedido de impugnação da candidatura, o que será julgado na noite desta segunda-feira. A principal batalha deve ser pela forma de votação: voto aberto no microfone, ou na urna. Por transparência, a comunidade palmeirense exige voto aberto. Se os conselheiros tiverem mesmo a coragem de compactuar com essa mácula a nosso estatuto, que tenham também a hombridade de terem seus nomes expostos pela eternidade.

Presidência do Conselho

Na sequência acontecerá uma nova reunião, já com os novos conselheiros eleitos exercendo seus direitos de voto pela primeira vez, com a missão de eleger o presidente do Conselho Deliberativo. O favorito é Seraphim Del Grande, fundador da UVB, aliada de Mustafá.

Vice-presidente do clube na década de 90, Seraphim foi traído por Mustafá, que não permitiu que ele fosse o candidato a presidente após seus dois primeiros mandatos, permanecendo no cargo após uma sequência de manobras políticas e de alterações no estatuto. Seraphim então fundou a UVB, cuja bandeira principal sempre foi fazer oposição a Mustafá. Hoje, o grupo se curva ao velho cardeal.

Concorrem com Seraphim dois candidatos: José Apparecido, da Confraria Palestrina, e Sylvio Mukai, da UVB. Mukai é inexpressivo e sua candidatura serve apenas para escamotear a subserviência da UVB a Mustafá. Como Seraphim não precisará dos votos da legenda para se eleger, Mukai foi lançado. Já Apparecido, do grupo Confraria Palestrina, representa os anseios de renovação no Conselho, que precisa de alguém livre de amarras para comandar os ritos das reuniões.

Também será escolhido o vice-presidente: Concorrem o mustafista Carlos Faedo, o UVBista Tarso Gouveia e Guilherme Pereira, da Chapa Palestra. Este último, pelos mesmos motivos que o Verdazzo declara apoio a José Apparecido à presidência, é merecedor de toda nossa torcida – e ao contrário da eleição principal, as cartas para o vice-presidente não estão tão marcadas e pode haver surpresa.

Acordões

Acordos feitos entre as principais lideranças políticas do clube indicam que o mandato de Leila Pereira não corre perigo algum e que a chapa de Mustafá manterá todos os seus recém-eleitos. Seraphim Del Grande deve ser facilmente eleito. A noite desta segunda-feira tem tudo para ser uma das mais vergonhosas da História do clube.

Resta a esperança de que os votos sejam abertos, e que quem optar por subscrever a vergonhosa candidatura, forjada por uma conveniente lembrança, tenha seu nome exposto a toda a comunidade palmeirense.