“O Palmeiras não jogou bem, oba!”

Sampaio Corrêa 0x1 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Palmeiras venceu o Sampaio Corrêa ontem à noite em São Luís, jogando com um time bem diferente daquele que vinha encantando nossa torcida. Apenas Felipe Melo saiu jogando no Castelão, e o time ficou muito abaixo do que os principais jogadores vinham apresentando.

A fraca atuação, apesar da vitória – achada no último lance num frango do goleiro – despertou a incontrolável vontade de cornetar de vários palmeirenses, forçadamente adormecida com as atuações quase perfeitas pelo Brasileirão. Às vezes parece até que gostaram da atuação fraca, para liberar essa energia corneteira represada. “O Palmeiras não jogou bem, oba!”

Assim como a sanha corneteira de parte da torcida não é novidade, tampouco é surpresa a sede de sangue de parte da imprensa. Mas mesmo não sendo inéditas, impressiona a força que mostram ao ressurgir.

Alguns jogadores foram para a cruz, como é de praxe. E alguns mitos passaram a ser exaustivamente repetidos, correndo o risco de virarem verdades.

Querem dizer que nosso elenco ‘não é tão bom assim’?

Carlos Eduardo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Muitas vezes a pressa em falar algo é o que causa certos exageros. A impressão, inegavelmente ruim, deixada pelo time que entrou em campo ontem precipitou algumas opiniões – e pior, algumas conclusões, rapidamente despejadas pela rede.

A mais grosseira delas é a de que o elenco do Palmeiras “não é tão bom assim”. Afinal, se o time fosse bom, não penaria para ganhar de um fraco time de Série C, como o Sampaio Corrêa, dizem. Como podem ser tão rasos?

O Palmeiras hoje tem o time mais forte do país, à custa de muito treinamento e entrosamento. O desentrosado onze que jogou ontem, a rigor, não pode nem ser considerado o time B, já que jogadores como Carlos Eduardo, Felipe Pires, Lucas Lima e Arthur Cabral sequer vinham entrando durante os jogos.

Felipe Melo e Moisés não é exatamente uma dupla veloz e com mobilidade – talvez isso explique um pouco os incomuns ataques do time do Sampaio. Mas com Thiago Santos alinhando ao lado de Moisés, esse problema se dissipa. E isso não quer dizer que Moisés é um jabuti que se arrasta pela meia cancha – outro mito que tentam fazer virar verdade. Basta rever o lance do quarto gol sobre o Santos para verificar a capacidade física de nosso camisa 10, que pode até não estar jogando o mesmo que em 2016, mas está longe de ser um inválido, como querem fazer crer.

Questiona-se a qualidade de Edu Dracena e Antônio Carlos – que formariam a dupla de zaga titular, facilmente, de pelo menos 15 times da Série A. O problema desta dupla é que o parâmetro atual é Luan e Gómez, praticamente intransponíveis. Não é fácil encontrar outra dupla deste quilate. Dracena e Antônio Carlos formam uma dupla forte; bem protegida, cumpre muito bem seu papel em jogos de menor apelo.

Os laterais estão longe de ser uma preocupação. Victor Luis e Mayke, que hoje estão abaixo de Diogo Barbosa e Marcos Rocha, já estiveram acima, depois de estarem abaixo. Essa ciranda entre eles vem sempre sendo nivelada por cima. Quem ainda tem dúvidas, basta fazer um exercício de comparação com qualquer dupla de laterais titulares de outros times.

E Fernando Prass, apesar da noite infeliz no Castelão, não deixou de ser um dos principais goleiros do país. E se precisar, ainda temos apenas o Jailson!

Fernando Prass (Jailson); Mayke, Edu Dracena, Antônio Carlos e Victor Luis; Thiago Santos e Moisés: esta base é suficiente para que uma linha ofensiva bem entrosada faça um bom papel nas partidas que for exigida. Entre Veiga, Goulart, Zé Raphael, Gustavo Scarpa, Willian e Hyoran, separe dois para jogarem com Dudu no time principal e ainda haverá três para o time alternativo. Entrose-os. Encaixe um centroavante. Não é forte?

A grama do vizinho

Felipe Pires e Carlos Eduardo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A boa fase de Erik no Botafogo traz à tona aquele ditado da grama do vizinho. Até os jogos regulares de Artur no Bahia estão arrancando suspiros. Isso porque Felipe Pires e Carlos Eduardo não correspondem.

Hoje fica fácil de cravar que as escolhas foram erradas. Mas poucos se lembram que tanto Artur quanto Erik tiveram chance de passar boa impressão a Felipão em janeiro, na pré-temporada, e por alguma razão não conseguiram.

Fica mais fácil ainda bancar o engenheiro de obra pronta sabendo que nenhum dos dois poderá vestir nossa camisa este ano. Assim, não poderão decepcionar de novo, como o fizeram em todas as chances que já tiveram.

O ponto é que tanto Artur quanto Erik até poderiam estar rendendo bastante neste atual elenco, servindo como opções para os jogos alternativos. Mas não deveriam suscitar críticas tão amargas, sobretudo pelo momento que o time vive. Talvez o volume de dinheiro empregado em Carlos Eduardo, desde o anúncio da transação nitidamente desproporcional, influencie nessa insatisfação. Mas mesmo assim é um exagero. Já foi.

Lucas Lima e Borja, desmotivados

Já Lucas Lima realmente preocupa. Existem algumas razões táticas para seu baixo rendimento. Suas fases excelentes no Sport e principalmente no Santos nos levaram a criar altas expectativas. E ele até teve fases interessantes no Palmeiras, sobretudo sob o comando de Roger Machado. Mas seu estilo não casa com o esquema de Felipão.

Assim como Lucas Lima, Borja parece estar atravessando uma fase de extrema desmotivação. E isso é normal num elenco com tanta qualidade: quem acaba preterido e sabe do potencial que tem já começa a se imaginar em outro clube, onde teria mais destaque. E esses dois, pela qualidade que possuem, certamente terão.

Talvez seja a deixa para Mattos começar a pensar em soluções para encaixá-los no mercado da melhor forma possível.

A lacuna que Borja deixaria no elenco precisa ser preenchida com um atleta de qualidade inquestionável. Já a de Lucas Lima comporta até um bom valor da base – Alan, por exemplo. Seria bom para Lucas Lima, para o menino da base e para a saúde financeira do clube, que verificaria uma substancial redução na folha de pagamento.

Estamos nos aproximando da janela de meio do ano e ajustes podem ser feitos. É para isso que essas janelas existem. E é para isso que mantemos o melhor profissional da área comandando nosso departamento de futebol.


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O Palmeiras é favorito, sim, mas com responsabilidade

Zé Rafael
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

As vitórias contra Atlético e Santos, nas rodadas 4 e 5 do Brasileirão, alçaram o Palmeiras a favorito destacado para mais um título. Uma série de fatores, entre números e observações, inegavelmente reforçam este prognóstico.

O Palmeiras lidera a classificação de forma isolada, com 13 pontos em 15 possíveis. Nesta trajetória, o Verdão já enfrentou três dos quatro perseguidores mais próximos na tabela. Os pontos perdidos foram num jogo plenamente ganhável, contra o CSA, onde o time escolhido por Felipão foi bastante alternativo e, mesmo saindo na frente, deixou a vitória escapar numa jogada de bola parada.

Ainda nesta largada, o Palmeiras já marcou 12 gols e sofreu apenas um, o que sugere um time bastante equilibrado, que consegue ser muito efetivo no ataque sem abrir mão de um sistema defensivo consistente. Os números traduzem a impressão passada na observação das partidas: sólido na defesa, o Palmeiras sai rápido para o ataque de forma muito organizada e mata os adversários com a rapidez e a precisão de um espadachim.

O que vemos nos adversários, neste momento, são times que têm problemas para marcar gols quando encaixam uma boa defesa, ou que se escancaram na retaguarda para conseguir um bom volume de gols. Todos ainda buscam chegar ao equilíbrio que o Palmeiras já alcançou. Nossa enorme eficiência tanto na defesa, quanto no ataque, inevitavelmente, faz o torcedor sonhar alto. Mas é preciso ter calma.

Calendário traiçoeiro

Felipão e Paulo Turra
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

As 18 primeiras rodadas estão acontecendo num espaço de 19 semanas, entre 27 de abril e 8 de setembro, intercaladas com as partidas da Libertadores e da Copa do Brasil, e ainda com uma parada forçada de um mês.

Já as 20 rodadas finais terão ritmo intenso de disputa, com apenas 3 datas dedicadas às semifinais e à final da Libertadores, sendo disputadas em apenas 13 semanas, entre 15 de setembro e 8 de dezembro. Um panorama amplo da marcha de jogos pode ser visualizado no post com a projeção de pontos sugerida pelo Verdazzo em abril.

O primeiro recorte, que é quase metade do campeonato, é claramente mais espaçado e possibilita aos times fazerem correções de rota que podem ser decisivas para suas pretensões, caso não fiquem muito para trás. Equipes desequilibradas, mas com bom potencial, ainda podem encontrar a melhor química, sobretudo se aproveitarem bem a intertemporada causada pela irritante Copa América.

Já o segundo período, espremido pelo calendário, é muito mais perigoso para times que depararem com uma oscilação de desempenho grave. Uma lesão de jogador-chave, ou uma turbulência no ambiente – qualquer problema que dure algo em torno de 15 dias é suficiente para comprometer até cinco rodadas e jogar uma campanha inteira no lixo. Não é preciso puxar muito pela memória para termos um exemplo: uma rápida convergência de problemas em 2009 destruiu um campeonato que nos parecia ganho.

Temos força

O Palmeiras de 2019 mostra muita força para superar eventuais turbulências. O equilíbrio técnico atingido entre os setores defensivo e ofensivo não é fácil de ser destruído apenas pela perda de uma ou duas peças por lesão. Nosso elenco tem mostrado eficiência para fazer essas reposições – neste momento, estamos “apenas” sem Willian, Gustavo Scarpa e Ricardo Goulart, e o time segue rendendo.

Esses três desfalques, que devem estar recuperados após a parada, serão vitais para que o Palmeiras ative o rodízio mais uma vez, quando teremos até 10 rodadas seguidas com jogos de mata-mata nos meios de semanas e Brasileirão aos sábados e domingos.

Com o encaixe extremamente satisfatório conseguido com Raphael Veiga e Zé Rafael, Felipão tem armas para montar duas linhas de frente bastante competitivas. Se quiser manter o time titular que destroçou o Santos como o principal, o time alternativo pode ter, do meio para a frente: Thiago Santos e Moisés; Gustavo Scarpa, Ricardo Goulart e Willian; Arthur Cabral. Ainda existem as opções de usar Hyoran, Lucas Lima, Guerra e Borja, além dos próprios titulares, em eventualidades. Ou de fazer outras dezenas de combinações, a escolher.

Todas essas animadoras suposições, contudo, pressupõem que o time não sofrerá baixas na janela do meio do ano. O Palmeiras, como todos os times brasileiros, corre riscos de perder atletas na movimentação do mercado, embora tenha muito mais condições que qualquer adversário de fazer as reposições. São vantagens potenciais.

Favoritismo com responsabilidade

Bruno Henrique e Gómez
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Diante das perspectivas, soaria como falsa modéstia recusar o rótulo de favorito destacado ao título deste Brasileirão. É óbvio que, diante do panorama atual e de todas as variáveis, as probabilidades apontam para o Verdão. Mas sabemos que podemos virar o fio, ou que um adversário realmente forte pode emergir.

Temos que saber lidar com nossa própria força; trabalhar as possibilidades favoráveis sabendo que o cenário pode mudar; jogar cada jogo como se fosse o do título para não lamentar no futuro, em caso de reviravolta.

Não precisamos repelir o favoritismo, e sim a acomodação. É tentador, diante dos números atuais e do nível de jogo apresentado em campo, deixar a soberba tomar conta das atitudes, mesmo antes de fazer o necessário para colher os louros. É um erro clássico que, confiamos, Felipão não deixará que nosso elenco cometa.

Nossa torcida, se também souber lidar com essa condição, vai ajudar mais ainda nosso treinador nessa missão de carregar o favoritismo, com toda a responsabilidade. Pés no chão, apoio incondicional, xô salto alto e VAMOS PALMEIRAS!


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Mata-mata da Libertadores: o caminho do Verdão até Santiago

A Conmebol realizou na noite de segunda-feira o sorteio dos confrontos de mata-mata da Copa Libertadores 2019. O Palmeiras, a exemplo do ano passado, entrou na chave como o melhor classificado na fase de grupos, e assim terá o mando do jogo da volta até as semifinais – a fase final será decidida em jogo único, em campo pré-determinado – este ano, a sede é Santiago do Chile.

O adversário do Palmeiras na fase de oitavas-de-final será o Godoy Cruz, vice-campeão argentino da temporada 17-18. Caso avance, o próximo adversário do Palmeiras será o vencedor do confronto entre Libertad e Grêmio – o time paraguaio decide em casa.

Seguindo a trilha, o eventual adversário seguinte sairá da chave que tem os confrontos entre Flamengo e Emelec (cariocas decidem em casa) e Internacional e Nacional (segundo jogo no Beira-Rio).

Em Santiago, o adversário do Palmeiras sairia do outro lado da chave, cujos times mais importantes são Cruzeiro e River Plate (que se enfrentam logo nas oitavas), além do Boca Juniors.

Godoy Cruz?

Godoy Cruz

O Godoy Cruz é uma espécie de São Caetano da Argentina, mal comparando. Foi fundado em 1921, mas só desenvolveu seu departamento de futebol profissional na década de 80. Seu maior feito até agora foi justamente o vice-campeonato da temporada passada, que lhe deu a classificação para a Libertadores deste ano.

A cidade de Godoy Cruz fica no pé da Cordilheira dos Andes, na região de Mendoza – são cidades vizinhas, parte da mesma zona urbana. Somadas, chegam a cerca de 300 mil habitantes e ficam a cerca de 700 metros do nível do mar, altitude semelhante à da capital paulista.

Malvinas Argentinas

O estádio Feliciano Gambarte, do Godoy Cruz, é acanhado e tem capacidade para apenas 18 mil pessoas. O confronto, no entanto, acontecerá no Malvinas Argentinas, em Mendoza, que foi sede da Copa do Mundo de 1978 (à época, antes da guerra, seu nome era Estádio Ciudad de Mendoza) e comporta 42 mil espectadores.

As partidas contra o Godoy Cruz estão marcadas para as semanas dos dias 24 e 31 de julho – a Conmebol ainda vai oficializar as datas e horários, mas é muito provável que os jogos do Palmeiras sejam posicionados nas quartas-feiras às 21h30, para atender à grade da RGT.

Histórico

  • Os confrontos pelas oitavas-de-final da Libertadores serão os primeiros entre Palmeiras e Godoy Cruz;
  • O Verdão já enfrentou times argentinos 93 vezes, com 43V 26E 24D;
  • Em jogos pela Libertadores, o retrospecto contra times argentinos é 11V 10E 8D, em 29 partidas;
  • Entre amistosos, Copa Mercosul e Libertadores, o Palmeiras já enfrentou argentinos 36 vezes naquele país – 9V 14E 13D;
  • Na Argentina, pela Libertadores, foram 15 jogos: 2V 5E 8D.

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Apoiar na boa é fácil. E quando o time oscilar de novo?

Comemoração
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Após 26 jogos, o Palmeiras atravessa, inegavelmente, a melhor fase técnica desde o início do ano. A sequência invicta atual, coroada com a quebra de um recorde histórico da Academia de 72-73, ostenta 8 jogos, com seis vitórias e dois empates, 16 gols marcados e apenas um sofrido.

E essa contagem poderia ser bem maior. A última derrota foi na Argentina, contra o fraco San Lorenzo, num jogo atípico em que foi usada uma escalação alternativa, já que o foco da equipe estava desajustado tendo em vista a semifinal do estadual. Já poderiam ser 21 jogos sem ser batido.

Desde que Felipão reassumiu o comando da equipe, foram apenas cinco derrotas. As sequências invictas anteriores foram de 8, 3, 9, 13 e 12 jogos. Na média, uma derrota após 9 jogos.

Os números altamente positivos da sequência atual traduzem o equilíbrio impressionante alcançado entre ataque e defesa. O Palmeiras tem os melhores índices de gols marcados e sofridos no Brasileirão e na Libertadores. Não é coincidência. Resta saber se a torcida terá o mesmo equilíbrio quando o time entrar em novos períodos de oscilação.

Ápice no Mineirão?

Atlético-MG 0x2 Palmeiras
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O jogo de ontem diante do Atlético-MG foi mais impressionante ainda pela tranquilidade com que o resultado foi conquistado. O adversário liderava a tabela com 100% de aproveitamento, vinha embalado e completo, tendo poupado o elenco no meio da semana visando exatamente o confronto contra o Palmeiras. Foi jogo grande.

O volume de jogo apresentado pelo Verdão, que dominou a partida do início ao fim, não permitindo ao adversário ameaçar o gol de Weverton e ainda proporcionando uma chuva de finalizações contra Victor em jogadas construídas das mais variadas formas, evidenciam o grau de evolução alcançado por esse grupo.

É importante salientar que o Palmeiras tomou a liderança do campeonato do Atlético, na casa do adversário, sem poder contar com Gustavo Scarpa, Ricardo Goulart e Willian, três dos principais jogadores do elenco. Borja nem viajou por opção do treinador.

Felipão, em coletiva, atribuiu o ótimo desempenho da equipe ao elevado grau de consciência tática dos atletas, que sabem exatamente para onde correr e o que fazer com e sem a bola, em cada situação. Foi uma partida quase perfeita. Este é o limite deste time ou ainda é possível crescer mais?

Apanhamos para chegar neste ponto

Felipe Pires
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

As oscilações verificadas no início da temporada refletem a trajetória desta evolução. Nas primeiras semanas tivemos experiências com ponteiros, usando Felipe Pires e Carlos Eduardo insistentemente, relegando Raphael Veiga e Zé Rafael a meros hóspedes da Academia de Futebol, já que muitas vezes não eram nem relacionados para o banco.

Posteriormente, com a recuperação de Ricardo Goulart, vimos um time bastante eficiente enquanto um esquema que abria mão dos ponteiros ainda era novidade. Mas no momento em que o uso de Goulart quase que como um segundo atacante foi manjado, o time voltou a ter problemas e oscilou, resultando na eliminação do estadual.

A nova lesão de Goulart, somada ao recente desfalque de Gustavo Scarpa, obrigou Felipão a rodar o elenco e rearranjar o esquema mais uma vez. Zé Rafael e Veiga ganharam espaço; Bruno Henrique voltou a ocupar o campo ofensivo. Os laterais e os volantes conseguiram uma sintonia excelente, a recomposição defensiva se manteve impecável e o time deu um encaixe melhor ainda, mesmo sem acertar totalmente o centroavante.

Diante dessa curva de crescimento e do variado leque de opções à disposição, é quase impossível não projetar o Palmeiras, neste momento, como protagonista do Brasileirão, sendo mais uma vez o time a ser batido. E é essa empolgação que nossa torcida precisa tentar conter.

Na boa e na ruim

Torcida
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A ilusão de início de campeonato nos conduz à euforia, ainda mais ao verificar que nossos potenciais adversários já patinaram e que, se continuarem desperdiçando pontos, terão dificuldades em acompanhar nosso ritmo.

Jamais podemos, no entanto, nos esquecer que o campeonato é bastante longo e que fotografias de momento, ou recortes de 4 ou 5 rodadas, pouco significam num universo de 38. As oscilações voltarão a acontecer e existe sempre o risco de nosso esquema ficar manjado, mais uma vez.

A vantagem de Felipão é que ele usou cada semana desta temporada para desenvolver sistemas diferentes, que seguem na “memória tática” da equipe. Cada um desses sistemas pode ser reativado a qualquer momento, dependendo do jogo, o que torna o Palmeiras um time cada vez mais imprevisível e difícil de ser neutralizado.

A conclusão disso tudo é que o Palmeiras segue como principal favorito ao título, mas jamais podemos entrar no espírito suicida do já-ganhou – até porque, é essa empolgação que rapidamente se converte em pressão negativa na primeira oscilação – e elas vão acontecer, sobretudo quando Felipão decidir poupar os principais jogadores nos jogos que antecedem partidas decisivas pelos mata-matas.

Nossa torcida tem que buscar o mesmo equilíbrio alcançado pelo time: sem euforia, mantendo a confiança e o apoio em alta – na boa e na ruim; mostrando maturidade para estimular o elenco quando os resultados negativos aparecerem, sobretudo em eventuais e doloridas eliminações nas copas, competições que não dão margem para erros e nas quais uma partida desencaixada ou mesmo um lance infeliz podem colocar tudo a perder.

Em vez de arroubos de cólera, evocando argumentos torpes como o salário dos jogadores, o apoio será essencial para que o time consiga sair de uma eventual sequência negativa. Os jogadores e a comissão técnica, até o momento, vêm fazendo um trabalho muito bom. Resta saber se a torcida, quando for exigida, vai fazer seu papel no mesmo nível.


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A diferença entre um time protagonista e um time campeão de tudo

Comemoração
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O setor ofensivo do Palmeiras parece ter resolvido o problema da pontaria. Depois de ter ficado atrás de Santos e Ituano no estadual, o ataque palmeirense engatou uma boa sequência e neste momento é o mais positivo tanto na Libertadores quanto no Brasileirão.

A entrada de Ricardo Goulart, em princípio, fez bem ao ataque e o camisa 11 segue sendo um dos jogadores com mais participações em gols, seja convertendo-os, seja dando assistências. O setor sofreu uma pequena, mas fatal, oscilação nas semifinais do estadual; Goulart então saiu do time e Zé Rafael encaixou muito bem – antes do jogo contra o CSA, com o time reserva, o Palmeiras havia marcado 11 gols em três jogos.

Mas se a linha ofensiva com Dudu, Gustavo Scarpa e Zé Rafael está dando conta do recado, o desempenho do comando do ataque em 2019, até agora, tem inegavelmente deixado a desejar.

Borja e Deyverson estão com desempenho sofrível; Arthur Cabral teve poucas chances até agora e o Palmeiras deixa de fazer alguns gols – e de somar alguns pontos, como aconteceu em Maceió – pela falta de eficácia do jogador mais avançado do time. Essa deficiência pode custar campeonatos.

Borja e Deyverson

Miguel Borja, a contratação mais cara da História do Palmeiras, até fez um ou outro bom jogo em 2019, mas sucumbiu à má fase. Os gols estão cada vez mais raros. Erros em lances fáceis fizeram a pressão da torcida aumentar. Sua personalidade retraída, a despeito de seu enorme coração, tornou sua situação ainda pior.

O colombiano nunca teve o nome tão especulado para deixar o clube; vendê-lo abaixo do preço investido já não é um pensamento tão absurdo diante do aparentemente irreversível prejuízo técnico. Em doze jogos, o colombiano marcou apenas três gols e deu uma assistência, em 866 minutos em campo.

Com o chip eternamente solto, Deyverson foi suspenso após um lance deplorável no Derby do estadual, mas recebeu nova chance após o gancho diante da fase ruim de Borja. Taticamente, o camisa 16 se mostra mais útil que o colombiano, mas sua limitação técnica faz com que os ataques muitas vezes terminem quando a bola chega a seus pés.

Apesar de não ser mais tão perseguido pela torcida quanto Borja, os números de Deyverson na temporada são até piores que os do colombiano: foram 13 jogos, 1060 minutos em campo, com os mesmos três gols e uma assistência. Os detalhes dos números podem ser conferidos na página de estatísticas do Verdazzo.

Arthur Cabral e a regra de Mattos

Arthur Cabral
Cesar Greco/Ag Palmeiras

A aposta de longo prazo da diretoria para o comando de ataque é Arthur Cabral. Contratado em agosto junto ao Ceará, então com 19 anos, o atacante teve até agora apenas duas chances de mostrar jogo – e em uma delas foi muito bem, marcando o gol de empate numa partida complicada em Novo Horizonte, no mata-mata do estadual. Questões físicas, no entanto, seguem atrapalhando o jogador.

Mesmo que seja logo liberado por completo, seu desempenho segue sendo uma incógnita. Afinal, poucos meninos de 20 anos conseguiram carregar o fardo de assumir a camisa 9 do Palmeiras sem sucumbir à pressão. Arthur Cabral tem condições para isso: é forte, tem todos os fundamentos e um time muito bom à sua volta.

Mas mesmo que consiga, ainda ficamos sujeitos a uma temporada desgastante e seguiríamos reféns de uma eventual lesão do camisa 39, retornando ao looping infinito de Deyverson/Borja. O Palmeiras precisa urgentemente rever a posição de centroavante na janela do meio do ano.

E para achar um atleta que forme com Arthur Cabral uma dupla de centroavantes para atender ao rodízio de Felipão, Mattos precisa quebrar uma regra imposta por ele mesmo: a de investir somente em jogadores com grande potencial de revenda, visando lucro financeiro em paralelo ao ganho técnico.

Os velhos cascudos

Os maiores centroavantes do Brasileirão, hoje, são veteraníssimos – e todos seguem marcando muitos gols. Ricardo Oliveira (38), Fred (35) e Guerrero (35) conhecem muito bem o futebol brasileiro e seguem dando ótimo retorno a seus clubes, deixando as torcidas bastante satisfeitas. Além deles, apenas o jovem Pedro (21), do Fluminense, vem tendo uma performance de destaque.

Talvez seja o momento do Palmeiras repensar a estratégia de contratação de atletas, ao menos em determinadas posições. Nem todo reforço precisa dar resultado financeiro positivo; o que importa, é o balanço final. Se o clube decidir investir num jogador com idade avançada e com pouco ou nenhum valor de revenda, mas ele responder marcando os gols que podem fazer a diferença num jogo decisivo – sobretudo nos mata-matas que começam pra valer em agosto – terá valido a pena.

Neste momento, poucos centroavantes têm esse perfil – goleadores, vencedores, experientes e habituados ao futebol brasileiro. Abaixo, algumas possibilidades:

  • Jonas (34), depois de uma espetacular temporada no Benfica em 17/18, teve duas lesões na temporada atual e vem figurando na reserva – mesmo assim, tem 13 gols em 31 jogos, muitos deles vindo do banco. Resta saber se ainda tem disposição de sair da Europa para jogar no Brasil.
  • Lucas Pratto (30) vem fazendo uma temporada discreta no River Plate: 5 gols em 19 jogos. Por já ter atuado nesta Libertadores, é uma opção com pouco apelo neste momento.
  • Jonathan Calleri (25) nem é tão experiente, tampouco faz uma temporada exuberante (8 gols em 33 jogos), mas tem o atenuante de estar num time fraco, o Alavés – coincidentemente, o último time de Deyverson.
  • Gustavo Bou (29) vive na ponte Racing/Tijuana. Desde que voltou ao clube mexicano, no início do ano, fez 8 gols em 16 jogos, mesmo não sendo exatamente um NOVE-NOVE. E não sabemos sequer se teria boa adaptação ao Brasil.
  • Dario Benedetto (28), pela mesma razão de Lucas Pratto, não tem força para esta janela. Seus números pelo Boca Juniors também não empolgam: 5 gols em 17 partidas. É outro que não sabemos como se adaptaria ao país.

Notem que nenhum dos atacantes aventados teria todos os predicados para preencher a lacuna em nosso elenco na próxima janela. Mas provavelmente há no mercado algum atleta que pode atender a nossas demandas – e é exatamente por esse motivo que Alexandre Mattos é muito bem remunerado: para prospectar o mercado e encontrar reforços que atendam ao que precisa o Palmeiras

E para isso, por vezes, pode ser melhor recorrer a um atleta com baixo ou nenhum valor de revenda, mas que resolva uma necessidade premente, a se manter preso a uma filosofia que envolve ganhos financeiros e que limita os resultados.

Um centroavante realmente cascudo e matador talvez seja a diferença entre um time com meias talentosíssimos, protagonista de todos os campeonatos, e um time copeiro e campeão de tudo.


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