Em coletiva na sede da FPF, Abel pede redução das datas do Paulista

Em coletiva na sede da FPF, Abel pede redução das datas do Paulista e projeta decisão.
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Ao lado de Mauro Silva, vice-presidente da FPF, Abel falou sobre as vantagens que o futebol brasileiro teria com a diminuição do Paulistão

Após o treino desta terça-feira, o técnico Abel Ferreira participou de uma entrevista coletiva na sede da Federação Paulista de Futebol para falar sobre a decisão do Paulistão 2022, entre Palmeiras e SPFC.

Além de comentar sobre a final, no entanto, o treinador palmeirense falou também da organização do campeonato. Perguntado a respeito a importância do Paulistão, Abel reconheceu a história do torneio, mas pediu por menos datas.

“É uma competição que tem 120 anos de história. É de longe o melhor e o mais organizado estadual, por vários motivos, e o principal é que há muitas equipes e elencos bons. Comparado com Portugal, o Paulistão é o nosso campeonato nacional. Mas de forma global creio que, para melhorar, tem que reduzir duas ou três datas. Eu queria ter o Danilo [em campo – o camisa 28 machucou a coxa]. O Red Bull Bragantino jogou sem o Artur contra nós; o SCCP perdeu o Fagner por lesão na semifinal. Não há milagres, quando se joga nessa densidade competitiva, perde-se os jogadores. Se houver flexibilidade de todas as partidas, há espaço para melhorar”, iniciou.

“Isso [reduzir as datas] melhoraria também o Brasileirão e daria mais tempo para os clubes se prepararem. Jogando nesse calendário, quando terá tempo para treinar? É nisso que os executivos têm de pensar. [Com mais tempo] vai ser melhor para o jogador brasileiro, os técnicos e, sobretudo, para o futebol brasileiro. Vamos jogar no domingo que vem, e três dias depois jogaremos na Venezuela [contra o Táchira, pela Libertadores]; isso não deveria existir, mas existe. Longe de mim pensar em acabar com essa competição, ela tem História, mas precisa reduzir as datas”, acrescentou Abel, que finalizou o pensamento destacando a importância que o estadual tem para as equipes menores.

“Já participamos de algumas reuniões e é importante também ouvir os [times] menores, a importância dos jogos para eles. Sem dúvida nenhuma é uma competição importante”, concluiu.

Abel fala sobre a decisão

Ao comentar sobre a partida, Abel destacou que o Palmeiras foi a melhor equipe até chegar à final, mas ressaltou que a decisão é “50/50”.

“Penso sempre no ‘aqui e agora’. Fomos os melhores da primeira fase, mas agora tudo se equilibra. [O jogo passado] começou equilibrado e nós conseguimos abrir o marcador. Depois o adversário nos empurrou para trás. Eles são organizados, jogam com muita gente por dentro e têm uma boa mistura de jovens e experientes jogadores”, falou.

“As duas melhores equipes chegaram à final. Isso mostra o mérito e o trabalho dos dois clubes. Eles têm uma vantagem no jogo de ida porque jogam em casa só para a sua torcida, mas vamos procurar impor nosso jogo ofensivo e defensivo, com as intenções de sempre. Vamos buscar um bom resultado no Morumbi para depois fechar no Allianz Parque. Os respeitamos muito, mas queremos vencer. O mais importante é que seja um bom jogo, que vença a melhor equipe e esperamos que seja o Palmeiras”, finalizou.

O jogo de ida da final acontece na noite desta quarta-feira, no Morumbi; já a volta será disputada no domingo, às 16h, no Allianz Parque.

Confira outros assuntos abordados por Abel Ferreira

  • Sobre a importância de vencer o Paulistão

“Nossa prioridade, não é novidade para ninguém, era o Mundial e a Recopa. Mas os jogadores tiveram sede de vitórias e fizeram uma campanha extraordinária [no Paulistão], consistente. A equipe é equilibrada: sabe propor; é reativa; e sabe pressionar alto para rapidamente sair em transição. Falam muito da posse de bola, mas essa posse do meio de campo para trás não me interessa. Quando jogamos contra o Ituano, propusemos o jogo inteiro. Agora, quando enfrentamos uma equipe do mesmo nível, é normal haver um equilíbrio.”

  • Sobre manter os jogadores com fome de títulos

“Chegar ao final do ano e trocar poucas peças e entender que o sarrafo está alto. O segredo é ser exigente; e ser exigente cria desgaste com todos os departamentos do clube. É preciso estar sempre a inovar, a melhorar. Eu não posso dar cadeiras, porque eles [os jogadores] sentam para trás e encostam. Eu gosto de dar bancos. Porque aí eles não encostam. Não podemos dar cadeiras a ninguém”.

“É isso que queremos. Temos que ter também um elenco competitivo, dois bons jogadores para cada posição, no mínimo. Para sermos competitivos com os nossos adversários, temos que ser [competitivos] internamente. Todos conhecem esse segredo, o difícil é manter-se de forma consistente”.