Palmeiras mexe no elenco e agita mais uma vez o mercado

Juninho e MoisésO Palmeiras segue renovando o elenco para a sequência da temporada. Alexandre Mattos, depois de dispensar Alecsandro para o Coritiba, trouxe do clube paranaense Juninho, zagueiro que joga pelo lado esquerdo e que eventualmente pode fazer a lateral. A contratação chega no momento em que o clube libera Vitor Hugo para a Fiorentina.

Em mais uma operação com o Cruzeiro, Rafael Marques rumará para Belo Horizonte, em definitivo. Em troca, por empréstimo até o final de 2018, o Palmeiras contará com o lateral direito Mayke, de 24 anos.

Zaga projetada

Vitor Hugo chegou ao clube no início de 2015 e foi um dos grandes zagueiros que passaram pela história recente do clube. Marcou 13 gols em 131 jogos com a camisa do Palmeiras. Teve o início de sua passagem marcado por uma falha num Derby, que custou uma derrota no Allianz Parque. Para muitos jogadores, isso significaria o fim de qualquer chance de vingar no Palmeiras.

Com personalidade, Vitor Hugo deu a volta por cima, conquistou a confiança da torcida e foi fundamental para as conquistas da Copa do Brasil de 2015 e do Brasileirão de 2016. Formou com Mina uma das duplas de zaga mais sólidas do futebol brasileiro neste século. Suas cambalhotas nas comemorações dos gols viraram sua marca registrada.

Juninho vinha chamando a atenção do Palmeiras desde o final de 2015, e finalmente a negociação se concretizou. Tem técnica e muita força física. A capacidade de jogar também como lateral pesou muito na opção.

Mina tem viagem marcada para a Europa após a Copa do Mundo; Edu Dracena está com 35 anos e Vitor Hugo acaba de deixar o clube. Com Juninho (22) e Luan (24), mais Antônio Carlos (24) e Thiago Martins (22), que se recupera de lesão, o futuro da zaga do Palmeiras parece estar desenhado por alguns bons anos.

De novo, rolo com o Cruzeiro

A troca de Rafael Marques por Mayke, em princípio, pode parecer desvantajosa para o Palmeiras, afinal, o atacante segue para Minas em definitivo e o lateral virá por empréstimo, até o final de 2018. Mas se vier com o passe fixado a um valor razoável e com prioridade para exercer a compra, pode ter sido um bom negócio devido ao alto salário de DJ Rafa – a diferença de idade dos dois atletas justificaria alguma diferença financeira no saldo final.

O novo lateral voltará a disputar a posição com Fabiano, a exemplo do que ocorreu em Belo Horizonte em 2015. Jean segue como titular, mas pode voltar para o meio-campo, sua posição original, nas partidas em que Cuca optar por dois volantes mais leves – algo bastante comum no ano passado. Essa opção deve ser bastante usada sobretudo enquanto Moisés ainda estiver em recuperação.

Mayke teve atuações de destaque no bicampeonato brasileiro do Cruzeiro, vencendo a Bola de Prata em 2013. Sofreu com lesões em 2015 e 2016 e não vem repetindo as grandes atuações do início da carreira, sendo até perseguido por parte da torcida do Cruzeiro. No Palmeiras, terá a chance de dar a volta por cima.

Como fica o elenco?

Elenco renovadoA chegada de Cuca redefine as posições de Tchê Tchê e Moisés, que saem da linha de 4 e jogarão como volantes. O elenco, com 31 jogadores, está bem mais enxuto que o do ano passado e aparentemente ficou com algumas lacunas.

Só temos Borja como NOVE-NOVE; o colombiano precisa de uma sombra e Cuca pode precisar de uma reposição, sobretudo nos períodos de convocação. Michel Bastos é o único meiocampista do elenco com características de fazer o pêndulo, da ponta para o meio, e vice-versa. Cabem reforços.

Renovação

As saídas de Vitor Hugo e Rafael Marques reduzem para apenas cinco os remanescentes da conquista da Copa do Brasil de 2015, ocorrida há apenas 18 meses. Levantaram aquele troféu Fernando Prass, Egídio, Zé Roberto, Arouca e Dudu. Todos os outros atletas do elenco chegaram a partir de janeiro de 2016. Alexandre Mattos segue impondo seu estilo ao nosso departamento de Futebol. Entre alguns erros e muitos acertos, ele segue renovando o elenco, fazendo bons negócios técnica e financeiramente e mantendo o time muito competitivo.

Dudu e Vitor Hugo são convocados para a seleção da CBF

Dudu e Vitor HugoTite convocou agora há pouco 23 jogadores para a partida em que o Brasil enfrentará a Colômbia, no dia 25, à noite. O treinador convocou apenas atletas que atuam em clubes brasileiros para a partida, que será realizada no Engenhão e terá toda renda revertida às vítimas do acidente com o voo da Chapecoense, ocorrido em novembro.

A lista tem jogadores de nada menos que 14 times. Flamengo, com quatro; Atlético-MG e Grêmio, com três, foram os times que mais cederam atletas. O Palmeiras cederá dois eneacampeões: Dudu e Vitor Hugo.

Os jogadores se apresentarão no dia 24 pela manhã, um dia antes do jogo, e voltam a ficar à disposição de seus treinadores no dia 26. Tite não conseguirá impor nenhum entrosamento aos convocados, que devem jogar apenas um tempo, cada. Tecnicamente, é um evento absolutamente nulo.

A convocação teve claramente um apelo popularesco. Provavelmente pela primeira vez na História todos os 12 maiores clubes cederam pelo menos um jogador, que ainda teve um atleta do Sport (Diego Souza) e um do Atlético-PR (Weverton). Todo treinador tem suas preferências, mas é um tanto risível a inclusão de Rodriguinho, do SCCP, na lista, só para darmos um exemplo.

Devido ao caráter emocional da partida e a transmissão da RGT, fica fácil entender a necessidade de agradar às maiores torcidas do país. Ter um jogador na seleção de Tite faz bem para o ego de todo torcedor, sobretudo aqueles cujos times não andam tão bem. A empatia nacional com o treinador vai para a estratosfera e a audiência pega carona. Espertos.

Dudu e Vitor Hugo, obviamente, ficaram bem contentes. Jailson, Jean e Tchê Tchê, que se fossem convocados não causariam nenhuma surpresa, devem ter ficado decepcionados por ver nomes que jogam no Flamengo e no SCCP, claramente inferiores a eles no último campeonato, chamados em seus lugares.

Sentimento ambíguo

Como sempre nessas situações, ficamos felizes pelos nossos atletas convocados, mas sentimos o incômodo de vê-los correndo o risco de uma lesão, como aconteceu com Fernando Prass no ano passado, além de bagunçar todo o trabalho físico e tático de nossa comissão técnica. Os esquecidos perderam o foco por alguns dias e precisam lidar com a frustração.

Tite vem recuperando o prestígio da seleção da CBF junto aos torcedores, e mesmo entre nossa torcida, já é possível ver a simpatia com a camisa amarela aumentando bastante. É inegável que a presença de nossos jogadores no grupo, como ocorreu ano passado com Fernando Prass e Gabriel Jesus, ajudou nesse processo. Mas nossa carência está bem suprida com os títulos que o time vem conquistando. Não precisamos de seleção nenhuma para sentirmos orgulho do Palmeiras, obrigado.

Feito o registro, e em nome da solidariedade às famílias dos atletas da Chape, farei o esforço de não ser tão rabugento com a seleção. Mas só desta vez.