Por que a base do Palmeiras precisa fornecer mais jogadores para o time de cima

Palmeiras Campeão Brasileiro 2016

O Palmeiras é hoje o protagonista do futebol brasileiro e sul-americano graças a um meticuloso processo de recuperação financeira iniciado em 2013, que permitiu que o clube conseguisse se manter competitivo sem recorrer a adiantamentos de receitas, seja junto a bancos, a federações ou a emissoras de TV. Isto, você já sabe.

Praticamente livre de despesas bancárias, o clube desfruta dessa vantagem conquistada e monta elencos extremamente fortes. “Atraso no pagamento” é uma expressão que jogador do Palmeiras só ouve falar pelas notícias. O que há de melhor no mercado brasileiro hoje veste verde.

Claro, não somos a última bolacha do pacote. O talento inato do jogador brasileiro permite que outros clubes também montem elencos com jogadores de muita qualidade. As disputas pelo Brasileirão e principalmente pelos mata-matas estão completamente abertas.

Mas a competição contra os grandes europeus no Mundial em dezembro praticamente não existe. O que acontece é o cumprimento do protocolo. Os times sul-americanos por vezes nem chegam à final e dependem de um jogo encaixado, de um goleiro inspirado, do desdém do adversário e de muita sorte para poderem levantar o Mundial. Se um clube top sul-americano jogar dez vezes contra um campeão europeu, vai triunfar uma ou duas vezes, no máximo. E essa inferioridade se reflete na seleção brasileira: antes temida, hoje é mera coadjuvante na Copa do Mundo.

Os pilares da transformação

Academia de Futebol

São três os pilares em que os clubes brasileiros precisam se apoiar para que nosso futebol torne a ser temido: 1) saúde financeira; 2) profissionalização e modernização do departamento de futebol; e 3) departamento de base forte.

A saúde financeira é algo que precisa ser buscado pelos endividados clubes às custas de medidas recessivas. Enquanto os dirigentes insistirem em adiantar verbas em contratações ruidosas, mas de pouca efetividade, em nome de sustentação política, vão continuar como hamsters correndo na roda. O Palmeiras puxou a fila de 2013 para cá e já vemos alguns clubes vindo na esteira – o principal deles é o Flamengo. Os outros ainda seguem no ciclo vicioso de tomar empréstimo, arriscar tudo em nome de um título e de uma premiação, para depois viver anos de recessão, pagando juros. Com o tempo, tendem a aprender o modelo – alguns sobreviverão e se fortalecerão, outros “virarão Portuguesa”.

A ciência proporcionou o aumento da capacidade física dos atletas. Com jogadores que correm mais e ocupam melhor os espaços, o leque de possibilidades táticas se abriu como nunca. O jogo, que há algumas décadas era simples e decidido no talento por atletas que guardavam posição e se davam ao luxo de serem fumantes(!), agora requer muito mais estudo e dedicação de comissões técnicas e atletas, que precisam estar inseridos num ambiente cada vez mais moderno e profissional. E isso exige instalações planejadas, equipamentos de ponta e profissionais capacitados. Mais uma vez, o Verdão está na frente dos concorrentes, sobretudo depois da inauguração do Centro de Excelência. Aguardem as cópias.

Sanar a economia e desenvolver a estrutura são passos fundamentais, mas não trarão todos os resultados desejados se o terceiro pilar não estiver a pleno: as categorias de base. E o Palmeiras vem conquistando títulos como nunca nas categorias menores. Falta ainda acertar a transição do sub-20 para o profissional, para que os meninos que estejam perto de estourar a idade tenham condições de integrar o elenco principal, coisa que ainda não acontece com a frequência que gostaríamos.

Base: não tem esse nome à toa

As categorias de base são fundamentais à medida que fornecem matéria-prima para os dois outros pilares. Não é à toa que tem esse nome.

É em casa que se forma atletas de ponta, com fundamentos de jogo desenvolvidos e com estrutura mental para suportar uma carreira de enorme pressão como a de um jogador profissional.

Quando todos os principais clubes tiverem sanado suas finanças e concluído suas estruturas, algo que é apenas questão de tempo, a base será a diferença entre um clube protagonista e um coadjuvante.

Atletas extra-classe formados em casa podem subir para o time principal, gerando ganho técnico a custo baixo, para posteriormente gerar altos lucros com futuras transferências – como aconteceu com Gabriel Jesus.

Além disso, preenchem lacunas no elenco e evitam que o clube precise recorrer ao mercado para melhorar todas as posições, sobrando mais recursos para investir em necessidades específicas. Em vez de comprar 4 ou 5 jogadores nota 7 em nível mundial, será possível trazer um par de jogadores de primeiro nível. E assim o time sobe muito de patamar e passa a sonhar em bater de frente com as maiores potências mundiais.

Paramos no tempo

Os jogadores brasileiros, hoje, seguem tendo o talento natural que brota nas ruas e nos campos de várzea, ainda que cada vez mais raros diante do constante crescimento do setor imobiliário.

Enquanto o futebol ainda era decidido apenas pelo talento, o Brasil sobrava. Mas o jogo mudou e a profissionalização de todos os setores fez com que novas potências emergissem. Quem ficou parado no tempo, como Brasil, Argentina, Uruguai e Itália, foi ficando para trás. Quem diria que até a Inglaterra chegaria tão bem cotada ou até melhor que esses países para uma Copa do Mundo?

O talento natural precisa ser potencializado com novos conceitos desenvolvidos nos últimos anos. Se todos os clubes brasileiros profissionalizarem seus departamentos de base, colherão frutos. E isso surtirá efeito também na seleção, já que voltaremos a ter jogadores que superem os destaques dos outros países. Hoje, mesmo nossos melhores jogadores, não “engraxam a chuteira” dos grandes expoentes da Copa do Mundo, que já são frutos de uma geração desenvolvida com conceitos modernos de formação de atletas.

Nosso país ainda chora tragédias e tenta escrever leis para regulamentar os alojamentos dos departamentos de base. Estamos muito atrasados, no geral. O Palmeiras tenta, mais uma vez, puxar a fila.

Falta ainda ao Verdão melhorar o último passo: a lapidação dos meninos, que brilham nas categorias menores e levantam inúmeros troféus, para virarem jogadores de verdade. Se chegassem aos 20 anos realmente prontos, provavelmente seriam utilizados pelo time principal, mas isso ainda não acontece.

E depois?

Fernando e Papagaio

Ter atletas da base no elenco principal não é apenas uma questão de capricho, de gosto em ver um prata-da-casa brilhando. É uma questão de competitividade. Precisamos de um Gabriel Jesus a cada dois ou três anos. Precisamos de pelo menos dois Fernandos, todo ano.

A distância financeira entre o Palmeiras e os maiores clubes do mundo ainda é grande. Em 2018, estaríamos inseridos no top 30 mundial entre as maiores receitas, com quase € 160 milhões. Já conseguimos segurar um Dudu, que tem 27 anos, mas as ofertas por jovens de pouco mais de 20 anos ainda são impossíveis de cobrir.

Com a base funcionando a pleno, seremos capazes, no longo prazo, de ter recursos para competir com os maiores até na questão dos salários. O Palmeiras, em vez de ser a melhor vitrine, o trampolim mais alto para um jogador chegar à Europa, pode passar a ser o objetivo final de carreira. E aí bateremos de frente com qualquer um. É nessa direção que temos que remar.

É muito difícil, claro. Mas quem diria que estaríamos onde estamos hoje no final de 2012?


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Compras e vendas colocam Mattos em xeque: ponderações além do óbvio

Carlos Eduardo
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Os torcedores palmeirenses somos seres altamente bipolares, desde os tempos da Taça Savoia. Nossas reações ao que acontece em tudo relacionado ao Verdão, via de regra, são extremadas, seja para o bem, seja para o mal.

Além dessa característica marcante, nossa torcida desenvolveu nas últimas décadas outro comportamento interessante: é extremamente desconfiada. Desde que os primeiros jornalistas “de bastidores” surgiram, com as quentinhas das políticas dos clubes, os fatos passaram a ganhar razões ocultas. Os torcedores encarnam Sherlock Holmes e deduzem, cheios de razão, o porquê de determinado fato ter acontecido – normalmente, começam suas frases elucidativas com “a verdade é que…”

Ultimamente, diante do mau desempenho de Carlos Eduardo nestes primeiros sete jogos da temporada, muito se tem questionado a lisura de Alexandre Mattos nos negócios. A desconfiança aumentou com a notícia de que o diretor de futebol estaria na Europa em vias de vender Vitão e Luan Cândido, a fim de equilibrar o fluxo de caixa dos próximos meses.

A explicação dada à imprensa é de que existe a possibilidade do Palmeiras ser condenado nos próximos meses a pagar cerca de R$ 40 milhões ao empresário Antenor Angeloni pela compra de Wesley, na gestão Tirone. Há vários aspectos nessa história que precisam ser desenrolados.

Mais uma vez, a discussão sobre o uso da base

Luan Cândido
Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

A decisão de usar um jogador da base ou vendê-lo já foi objeto de um post, por ocasião de uma suposta oferta para vender Papagaio, em dezembro. O que temos à vista são as atuações de Vitão e Luan Cândido nos times de base, seja do Palmeiras, seja da seleção da CBF.

Vitão parece exercer liderança sobre os companheiros, característica importante para um zagueiro. O garoto é capitão do Palmeiras e da seleção desde o sub-17 e nunca deixou de ser convocado desde sua primeira aparição com a amarela. Mas apesar de ter seus predicados, Vitão não mostrou, em campo, nada que saltasse aos olhos. Parece ser um bom zagueiro – mas iguais a ele, é possível ver vários por aí, pelo menos por enquanto.

Pedrão, que foi emprestado ao América, parece bem mais pronto e segue o fluxo programado pela comissão técnica: um ano só treinando com os profissionais, depois percorre um ciclo de empréstimos para pegar cancha, para aí ser avaliado se pode integrar nosso elenco. Victor Luis cumpriu esse roteiro. Vitinho e Papagaio estão passando por ele. Outros como Anderson e Matheus Rocha foram emprestados direto, sem vivenciar o dia-a-dia da Academia de Futebol.

Luan Cândido parece um caso de exceção. Seu talento e maturidade dentro de campo chama muito a atenção. A chance de estarmos diante de um jogador extra-classe para o futebol mundial parece real e negociá-lo agora é uma tacada de alto risco, neste caso, não só para quem compra, mas também para quem vende. Estas avaliações, claro, são superficiais, de quem vê apenas as partidas e não acompanha os treinamentos e o comportamento intra-muros dos meninos.

Fluxo de caixa prejudicado

Wesley e Tirone

A notícia de que Mattos foi à Europa para vender os garotos por conta de um possível solavanco no fluxo de caixa, ainda por conta do caso Wesley, deixa várias pontas soltas.

O Palmeiras tem se caracterizado nos últimos anos pela extrema organização nas finanças. Ocorre que ações jurídicas antigas, que datam da gestão Tirone para trás, seguem correndo e a estratégia do Departamento Jurídico tem sido buscar acordos para ações tidas como “perdidas”, a fim de diminuir o valor total a ser pago. E isso muitas vezes envolve pagar à vista, ou em poucas parcelas, para reduzir o valor total.

No caso de Antenor Angeloni, um acordo satisfatório havia sido costurado na primeira gestão de Paulo Nobre, mas o COF, por obra de Mustafá Contursi, vetou. Isso irritou demais o empresário catarinense, que hoje se recusa a voltar a conversar como Palmeiras e a ação, que com os juros já beira os R$ 40 milhões, está em vias de ser executada. O timing dessa e de outras execuções é difícil de ser previsto e por vezes isso acaba exigindo alguns sacrifícios no caixa. Tudo isso explicaria esta viagem de Mattos à Europa que está irritando tanto a torcida.

O problema parece ainda maior porque Carlos Eduardo, a segunda contratação mais cara da História do clube, um jogador que nunca chamou a atenção de forma positiva em nenhum clube por que passou, faz um começo de temporada melancólico.

A balança não pode ser seletiva

Mattos e Borja

O folclore do futebol é recheado de histórias sobre negociações espúrias nas quais os cartolas dos clubes levam o famoso “por fora”. Tão recheado que parece difícil não supor que isso realmente acontece por aí – talvez não com a frequência com que a imaginação popular sugere, mas acontece.

Quando uma operação como a de Carlos Eduardo aponta para um saldo negativo, como acontece neste momento, a desconfiança aumenta. Detetives de rede social cravam que aí tem coisa. O que poucos parecem ponderar é que a função de diretor de futebol é passível de grandes erros, assim como pode render grandes tacadas. Ninguém sabe ao certo como um jogador recém-contratado vai render. Ao avaliar um diretor de futebol, a balança não pode ser seletiva, não se pode deixar nenhuma negociação de fora. Para ser justo, é preciso tratar do saldo total.

Não é só a segunda maior contratação da História do Palmeiras que está mal. A primeira também: Borja custou mais de R$ 30 milhões e está enlouquecendo as trombetas do apocalipse da rua Palestra. Só com o 37 e com o 9, são mais de R$ 50 milhões. Mas e quanto Mattos, com seu faro para negócios, já conseguiu de lucro para o clube? E em meio a isso tudo, quão forte foram os elencos que ele montou?

Quanto foi o saldo técnico e financeiro das contratações de Zé Roberto, Tchê Tchê, Moisés, Vitor Hugo, Keno, entre outros casos notórios? Como colocar de lado sua atuação junto a Manchester City e Barcelona para prolongar as estadas de Gabriel Jesus e Mina no clube, mesmo muito bem vendidos? Como esquecer o chapelaço nos inimigos para contratar Dudu, nosso maior ídolo da atualidade?

Dudu

Nestes pouco mais de quatro anos, entre compras e vendas, Mattos deve ter fechado cerca de duas centenas de negócios; mesmo com contratações como Ryder Mattos, Rodrigo, Kelvin, Victor Ramos e Emerson Santos, o saldo financeiro certamente é positivo e tecnicamente o clube vem ganhando títulos.

O salário de nosso diretor é muito bom para que ele não caia em tentação – se caiu ou não, em meio a todas essas negociações, é algo que vai permanecer para sempre no folclore, da mesma forma que antigos diretores de futebol do clube sempre lidaram com essa desconfiança – a não ser que algo concreto venha à tona. O feeling do presidente, que é quem sempre dá a palavra final em cada negociação, é a única coisa que pode frear um negócio aparentemente “estranho”. E se o técnico bate na mesa que quer o Carlos Eduardo, é mais difícil pisar nesse freio.

Para o torcedor que reclama mas paga pelo ingresso, paga Avanti e tudo o mais, no final das contas só interessa o momento, se o time está jogando “bem” ou não. Resultado em clássico conta muito. Pouco importa se é pré-temporada, se é paulista, se foram só sete de 80 jogos e existe um planejamento de evolução técnica. Se tem reforço caro jogando mal, ainda mais depois de perder um Derby, vai ter gente levantando lebres na Internet, cometendo, supostamente, injustiças. Ou não. Isto tudo, no fundo, é um saco, mas é elementar. Não é, Watson?


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FPF mostra as garras e deixa claro que não teremos vida fácil em 2019

Matheus Neris
Fabio Menotti / Ag.Palmeiras

O Palmeiras foi derrotado pelo Figueirense por 2 a 1 ontem, em Capivari, e acabou eliminado da Copa São Paulo de Juniores. O time catarinense mostrou um jogo eficiente, catimbou após abrir a vantagem no placar e conseguiu segurar a vitória.

Mas não há dúvidas que o fator determinante para o resultado da partida foi a atuação desastrosa da arbitragem. O primeiro gol do Figueirense saiu de uma falta inexistente, inventada pelo árbitro Jefferson Dutra Giroto a um passo da linha da área, dentro da meia-lua.

Com o nervosismo, os meninos do Palmeiras se desorganizaram defensivamente e permitiram ao Figueirense chegar ao segundo gol. Mesmo assim, com garra, diminuíram o placar aos 39 e foram para o abafa nos minutos finais. O gol de empate veio aos 47, marcado por Léo Passos, mas o bandeirinha Paulo Cesar Modesto, perfeitamente alinhado à jogada, preferiu anular alegando impedimento – que não existiu.

O Palmeiras já vinha sendo prejudicado pelas arbitragens durante a competição, sem prejuízo até então para o avanço na competição. A sede, Capivari, é disparada a menos estruturada entre as disponibilizadas para os quatro grandes clubes paulistas. A Federação Paulista de Futebol não faz a menor questão de esconder que é, de fato, inimiga do Palmeiras.

As ponderações de sempre

Há quem diga que é choro de perdedor, há quem diga que os erros de arbitragem acontecem para todos os lados. E de fato, se quisesse, o apitador poderia ter expulso Marcus Meloni, que reagiu a uma pancada desleal do adversário com uma cabeçada. O árbitro viu, mas fingiu que não viu.

Paradoxalmente, o episódio evidenciou ainda mais a má intenção da arbitragem. Seria ruindade e configuraria erro se não tivesse visto, se estivesse desatento. O fato de ter deliberadamente ignorado a obrigação da expulsão evidencia que o árbitro sabia o que estava acontecendo e que atrairia uma revolta generalizada, inclusive das arquibancadas, se fizesse o que mandava a regra. Para se proteger, fez média.

Pneu amarrado na cintura

Heber Roberto LopesEm 2017, o Palmeiras chegou atropelando na reta final do Brasileirão, mas uma força-tarefa da CBF, em roubos seguidos operados por Héber Roberto Lopes e Anderson Daronco, manteve o SCCP na liderança da competição. O Verdão foi melhor que os adversários na média geral, mas não com margem de suficiente para superar os descontos promovidos pelos árbitros.

Este post foi escrito em novembro de 2017, por ocasião de dois roubos dos juízes da FPF em jogos de nossa base, exatamente no contexto da mencionada operação do Brasileirão de 2017.

Em 2018, o Palmeiras foi tão superior, mas tão superior, que mesmo os seguidos roubos não foram suficientes para nos tirar o decacampeonato, o que só reforça uma máxima repetida por nossa torcida: para o Palmeiras ganhar um título, não basta ser melhor que os outros: tem que ser MUITO MELHOR.

É com essa âncora que o Palmeiras começa a temporada. O elenco é o mais forte do país, o sistema de jogo já está em desenvolvimento desde o ano passado, portanto, à frente da maioria dos concorrentes que trocou de treinador e parte do zero – ou seja, temos todos os elementos para construir essa vantagem larga que compensaria o peso das arbitragens tendenciosas.

Mas num mata-mata isso pode cair por terra num estalar de dedos – como vimos na Copa do Brasil, quando fomos assaltados no confronto contra o Cruzeiro. O Palmeiras segue sendo presa fácil para as arbitragens; levantamento da própria CBF corroborou com essa tendência.

No campeonato paulista, não devemos esperar nada. A Copa São Paulo já evidenciou o que nos espera num campeonato promovido pela FPF. O torneio deve ser encarado apenas como preparação técnica. É claro que, quando a bola rola, queremos ganhar, como sempre. Mas provavelmente seremos roubados e eliminados. E ficaremos com muita raiva, de novo.

Entra ano, sai ano, e nossos bastidores seguem sendo o elo fraco da corrente. Tudo o que queremos é poder disputar um campeonato sem um pneu de trator amarrado na cintura.


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Papagaio e a velha discussão sobre segurar ou vender os talentos da base

Papagaio e DuduPouco mais de um ano depois de suas primeiras aparições para o grande público, o atacante da base Rafael Elias, o Papagaio, é o maior destaque do ótimo time sub-20 do Palmeiras. Capitão e referência técnica, está próximo de atingir a marca de 40 gols no ano.

Papagaio vem fazendo um ano de 2018 brilhante. Depois de surgir no final do ano passado no Campeonato Paulista e na Copa Ipiranga como reserva de Léo Passos, vindo do futsal, o garoto de 19 anos mostrou uma evolução impressionante e já pode ser considerado uma realidade vinda do nosso cada vez mais frutífero departamento de futebol de base.

Sua performance excepcional parece já despertar o interesse de clubes do exterior, conforme noticiado na grande mídia. Com contrato até o final de 2020, a multa rescisória é de € 30 milhões.

A possibilidade de se desfazer de mais um jovem talento, alguns meses após a venda de Fernando para o futebol ucraniano, reabre a discussão de como o Palmeiras deve aproveitar os frutos das categorias de base, as chamadas Crias da Academia.

Vários pesos para colocar na balança

Fernando e PapagaioO lugar comum entre torcida e imprensa é vaticinar: o clube não pode se desfazer tão cedo de suas maiores promessas; mesmo havendo a necessidade de fazer caixa, é importante que o garoto passe uma ou duas temporadas no time de cima antes de ser vendido para outros mercados. Mas a decisão de vender ou não um menino de 18, 19 ou 20 anos deve ser objeto de uma reflexão profunda, levando em conta mais variáveis.

A primeira delas é o conhecimento mais aprofundado do atleta, adquirido durante todo o período de formação. Essas vendas precoces são caracterizadas por jogadas de risco por parte de quem compra – com poucas aparições, o talento potencial é comprado rapidamente, antes que um concorrente o faça. E por vezes as qualidades vistas em poucos jogos, que seduzem eventuais interessados, escondem deficiências que só são detectadas nos treinos – podem ser técnicas ou disciplinares. Nesses casos, a opção pela venda se torna mais fácil.

Se o jogador for “de verdade”, um talento com uma carreira rica pela frente, e aparecer uma oferta tentadora, a pergunta a ser feita é: qual a chance desse garoto ser promovido, render esportivamente ao clube, e seguir recebendo ofertas iguais ou melhores que a atual?

No caso de uma oferta polpuda por Papagaio, mesmo que não sejam os € 30 milhões da multa, antes de decidir pela venda há que se pensar se não é o caso de mantê-lo no sub-20, onde ainda poderá jogar por mais uma temporada, ou de encaixá-lo no time principal imediatamente – em ambos os casos, ainda terá tempo de maturar e se valorizar mais ainda.

Arthur CabralCaso a opção seja por promovê-lo ao time de cima, a tendência é que faça poucos jogos, já que vai concorrer com Borja, Deyverson e Arthur Cabral. Isso pode escondê-lo e fazer com que as chances de um bom negócio se reduzam. Mesmo que Borja ou Deyverson acabem sendo negociados e fiquem sem reposição, a tendência é que Papagaio seja a terceira opção – a não ser que arrebente nos treinos e conquiste mais espaço. Quais as chances?

Por fim, existe a vontade do atleta, que costuma ser bastante influenciada por seu agente. Se o desejo for de partir para o exterior o quanto antes, a única forma de segurar é oferecendo um bom pacote que envolva aumento substancial de salário e perspectivas reais de jogar. Fernando mostrou muita vontade de sair e foi para o Shaktar. Ninguém pode afirmar com propriedade se teria sido melhor segurá-lo.

É fácil palpitar no microfone ou nas redes sociais, simplificando as coisas com frases de efeito, baseando-se em conceitos rasos e ignorando uma série de variáveis. Mas uma decisão de vender ou não um garoto da base diante de uma oferta generosa é bem mais complicado do que parece.

Se pagarem a multa, não há como recusar

DinheiroUma oferta de € 30 milhões (mais de R$ 132 milhões) por Papagaio, no atual estágio econômico do clube, não pode sequer suscitar dúvidas. Seria muito dinheiro por um menino que tem apenas 183 minutos em sete partidas como profissional, com um gol marcado.

Esse montante é quase 65% maior do que o valor pago pela Crefisa anualmente ao clube. Sozinha, esta negociação certamente supera, de longe, a receita projetada para o ano todo com venda de jogadores. É suficiente para quitar a dívida contraída com a patrocinadora pelas aquisições dos dois centroavantes do time principal, Borja e Deyverson, e mais Dudu, Bruno Henrique, Luan e Guerra.

No futuro, no entanto, esperamos que o Palmeiras possa exigir mais, muito mais, para liberar os talentos que, ao que parece, não vão parar de brotar tão cedo da Academia de Futebol II, em Guarulhos.

Em ação

Papagaio estará em campo novamente amanhã, a partir das 15h20, quando o Palmeiras enfrentará o Inter, pela semifinal da Copa Ipiranga Sub-20, com transmissão pelo SporTV. O Palmeiras chegou às semis com uma campanha irretocável: 5 vitórias em 5 jogos, com 20 gols marcados e 6 sofridos. A outra semi acontecerá em seguida: o SPFC enfrentará o Vasco.

Palmeiras monta uma fábrica de craques em Guarulhos e colhe os frutos

Enquanto o time comandado por Felipão vem fechando o ano com reais chances de conquistar os maiores títulos da temporada, deixando a torcida cheia de confiança, as categorias menores, que já brilharam intensamente em 2017, vão repetindo a dose em 2018 alcançando as fases finais de todas as competições em disputa. A base vem forte!

Sub-20

O time sub-20 do Palmeiras disputa a final do Brasileirão. Depois de liderar as duas etapas da fase de grupos e de passar pelo mata-mata eliminando o Fluminense sem maiores dificuldades, o time comandado por Wesley Carvalho chega às finais para encarar o Vitória, time que já enfrentou e venceu duas vezes na segunda fase da competição – 1×3 em Salvador e 2×0 em Itu.

Papagaio
Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

O Palmeiras é a base da Seleção Brasileira e tem os dois principais artilheiros da competição: Papagaio, com 9 gols, e Yan, com 7. Além deles, brilham Vitão, Alan e Luan Candido. O time tem jogadores bons em todas as posições, a começar pelo goleiro, Anderson. As finais serão disputadas em duas partidas: amanhã, às 21h30, no Barradão, e na quinta-feira da próxima semana, dia 25, quando receberá o time baiano no Allianz Parque, às 19h15.

O time sub-20 também está forte no Paulistão, defendendo o título: o time ocupa a liderança geral após três fases e está classificado para as quartas-de-final da competição: enfrenta o Red Bull, domingo, às 11h em Jarinu, no jogo de ida. Os outros times na chave são SCCP, SPFC, Guarani, Portuguesa, Desportivo Brasil e Ponte Preta. O Santos já foi eliminado.

Sub-17

FabrícioO Sub-17, campeão Mundial na Espanha, jogará contra o Inter pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil esta tarde, em Alvorada do Sul-RS, em busca do bicampeonato. Na primeira fase, o time passou pelo Vila Nova sem permitir o jogo de volta: 0x2 em Goiânia.
(atualização: Inter 0x1 Palmeiras, gol de Danilo)

No Paulistão, o time enfrentará o Audax, nas quartas-de-final – o primeiro jogo acontece no sábado, às 11h, no estádio José Liberatti. Os outros classificados são SCCP, SPFC, Santos, Amparo, Mirassol e Novorizontino.

O time comandado por Artur Itiro, que também é base da Seleção Brasileira, ocupa a segunda posição na classificação geral, apenas 1 ponto atrás do SPFC – mas é importante ressaltar que a formação principal excursionou para disputar em paralelo alguns torneios amistosos e o time alternativo foi acionado várias vezes.

Os grandes destaques do time são Fabrício, Gabriel Veron e Gabriel Silva. Fabrício tem 32 gols em 18 jogos e está próximo de quebrar o recorde de Gabriel Jesus, que foi às redes 37 vezes em 2014.

Sub-15

O time Sub-15 do Palmeiras também está firme no Paulistão, em busca do tricampeonato: vai jogar as quartas-de-final contra a Ponte Preta; o primeiro jogo acontece no sábado às 9h em Águas de Lindóia.

O time comandado por Lucas de Andrade é o líder invicto da classificação geral com 23 vitórias em 26 jogos, marcou 76 gols e sofreu apenas 12. Os maiores destaques são Ruan Ribeiro e Robert Ribeiro – que não são parentes.

Completam a chave das quartas-de-final SCCP, SPFC, Santos, Audax, Desportivo Brasil e Novorizontino.

Sub-13

O time Sub-13 também chega às quartas-de-final do Paulistão como o time mais bem classificado nas fases anteriores. O time enfrentará o Jabaquara e o segundo jogo acontece em nosso CT, em Guarulhos, no domingo às 10h30 – na ida, o Verdão venceu por 3 a 0.

Os outros clubes que permanecem na disputa são SCCP, SPFC, Guarani, Inter de Limeira, Rio Preto e Noroeste. O Santos já foi eliminado.

Sub-11

O Palmeiras busca o tetracampeonato do Paulistão e enfrenta o Comercial nas quartas-de-final. O jogo de ida aconteceu em Ribeirão Preto e os times empataram sem gols. O jogo de volta acontece no domingo, às 9h, em nosso CT em Guarulhos.

Seguem na disputa o SCCP, o SPFC, o Santos, o Audax, o Santo André e o Marília.

A base vem forte!

Sub-20
Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

Não tem como não usar o bordão. Depois de Gabriel Jesus, que liderou o time à conquista do eneacampeonato brasileiro e hoje brilha no Manchester City, e de Fernando, talento precocemente vendido à Ucrânia, novos talentos podem despontar entre os profissionais em breve.

Uma autêntica fábrica de craques está montada em Guarulhos; os troféus brotam de todos os cantos e o clube é base das seleções da CBF em todas as categorias. Felipão já se mostrou atento aos novos valores e vem usando os meninos em vários treinos – é questão de tempo para serem aproveitados de fato no time principal.

O trabalho, iniciado em 2013 por Erasmo Damiani (hoje coordenador de base de CBF) e que é coordenado por João Paulo Sampaio desde 2015, segue dando frutos, proporciona grandes festas para a torcida no final do ano e pode, enfim, nos dar a primeira de muitas Copas São Paulo em janeiro. VAMOS PALMEIRAS!


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