O caminho para o deca e os cuidados para que 2009 não se repita

Mauricio RamosEm 2009, o Palmeiras tinha o Brasileirão nas mãos, mas uma série de fatores convergiram para que nosso time naufragasse na reta final e ficasse fora até do G4 – e consequentemente sem a vaga para a Libertadores. O desastre começou na rodada 28, quando empatamos em casa contra o Avaí – mesmo assim, mantivemos a margem de cinco pontos para o vice-líder. Mas daí para a frente, uma sucessão de problemas nos tirou do prumo – um jogo desastroso no Recife, com mais de meio time lesionado ou suspenso, determinou uma derrota por 3 a 0 para o Náutico. Uma derrota dura para o Flamengo de Petkovic no Palestra aumentou o problema: a vantagem caiu para 4 pontos para o segundo colocado, e o próprio Flamengo se aproximou, ficando a seis pontos.

Na rodada 31, perdemos para o Santo André quando Cleiton Xavier sentiu lesão no primeiro tempo. O time já havia perdido Pierre cinco rodadas antes e o meio-campo sentiu muito mais essa perda. A margem de liderança caiu para apenas um ponto. A vitória sobre o Goiás no Palestra, na rodada 32, renovou os ânimos e subimos a diferença para dois pontos, mas em seguida veio um empate por 2 a 2 no Derby em Presidente Prudente. A esta altura, estávamos empatados na liderança com o SPFC, ganhando só nos critérios de desempate.

A partida seguinte, no entanto, foi quase uma pá de cal. A arbitragem criminosa de Carlos Simon na partida contra o Fluminense destruiu o moral do time, que perdeu a liderança após 15 rodadas na ponta. O trauma se refletiu na rodada seguinte, quando ficamos apenas no empate com o Sport em casa, 2 a 2, e vimos o SPFC abrir 3 de frente, com o Flamengo em segundo.

Na antepenúltima rodada, com os nervos em frangalhos, não conseguimos um bom resultado em Porto Alegre, perdendo para o Grêmio por 2 a 0 e vendo dois jogadores nossos sendo expulsos no intervalo por saírem na mão entre si. A vitória contra o Galo no Palestra, com um gol antológico de Diego Souza, foi capaz de nos recolocar em condições matemáticas de chegar ao título na rodada final, mas o Flamengo venceu o sub-13 do Grêmio na rodada derradeira e chegou ao título, enquanto perdíamos melancolicamente para o Botafogo e acabamos o campeonato em quinto lugar.

De volta ao presente: quatro vitórias e um empate

Palmeiras 3x2 SantosApós mais um bom resultado no Brasileirão, o Palmeiras ficou bem mais próximo da conquista do decacampeonato. A vitória sobre o Santos, num dos jogos mais memoráveis do ano, deixou o Verdão a quatro vitórias e um empate da conquista, com seis rodadas para o fim. É uma situação bem diferente, para melhor, da vivida em 2009 no mesmo ponto da disputa.

Com quatro vitórias e um empate, chegaremos a 79 pontos. O Flamengo, com seus atuais 60, mesmo que vença todos os seus jogos, só pode alcançar 78. O Inter pode chegar aos 79, mas teria que descontar nove gols no saldo.

Em nossa tradicional projeção de pontos, a conta para se chegar ao título com alguma margem de conforto é 77 pontos. Considerando que tanto Flamengo como Inter ainda podem tropeçar nesta reta final, a conta parece bastante plausível. Mas, para o momento, precisamos trabalhar apenas com a frieza dos números, para não corrermos riscos. Quatro vitórias e um empate, é o que nos separa da conquista.

Considerando que nosso time vem de uma sequência avassaladora de 13 vitórias e 4 empates, com uma tabela razoavelmente tranquila à frente, a meta parece perfeitamente alcançável. Mas não podemos nos esquecer de 2009 e do redemoinho que nos apanhou na reta final. Na rodada 29, tínhamos 5 pontos de frente e acabamos fora até da Libertadores. A atenção tem que ser total.

O que vem pela frente

Atlético-MGSem as disputas paralelas no calendário, a conquista do Brasileirão está de fato bastante próxima. A partida mais difícil, na teoria, é a próxima, diante do Atlético Mineiro, em Belo Horizonte. O time de Levir Culpi vive um péssimo momento, tendo conquistado apenas um ponto nos últimos cinco jogos – mas exatamente por isso pode se tornar um problema, já que tem sua vaga para a Libertadores, bastante tranquila até duas semanas atrás, bastante ameaçada pelo Santos. Temos plenas condições de vencer, mas um tropeço pode acontecer.

FluminenseEnfrentar o Fluminense no Allianz Parque sempre foi sinônimo de vitória: desde a inauguração, foram quatro confrontos com 100% de aproveitamento. Desta vez, o visitante virá sem maiores aspirações – já está a uma distância confortável da zona da confusão e pensa nas semifinais da Sul-Americana. Talvez  nem jogue com força máxima. A vitória é bastante provável.

Paraná ClubeA partida a seguir é contra o lanterna, o Paraná, no Durival de Britto – pelo menos até a presente data, embora haja rumores dando conta que o já rebaixado time de Curitiba quer levar a partida para Londrina, reduto palmeirense. Mas mesmo que o local seja mantido, uma vitória do Palmeiras neste jogo é praticamente uma obrigação.

América-MGO mesmo pode se dizer da partida seguinte, contra o América, no Allianz Parque. O time de Adilson Batista entrou numa espiral negativa e conseguiu apenas oito pontos nos últimos 30 disputados. O que pode complicar é o fato de estarem lutando desesperadamente contra mais um rebaixamento. Mesmo assim, jogando em casa, o Palmeiras deve se impor e vencer.

VascoO penúltimo passo é o Vasco, em São Januário. Até lá, seria ótimo que o time carioca já tenha se livrado do rebaixamento, para tirar da partida qualquer aspecto de decisão. Caso isso não aconteça, a partida se torna bem mais complicada, diante do peso da camisa vascaína. Um tropeço aqui não pode ser descartado.

VitóriaSe chegarmos à última rodada precisando de três pontos, eles devem vir. O adversário é o Vitória, no Allianz Parque. Neste momento é um time que está se salvando do rebaixamento pelos critérios de desempate; depois de mais cinco rodadas pode estar já rebaixado, livre, ou lutando com todas as suas forças. Seja qual for a situação, imaginem um Allianz Parque lotado, com o Palmeiras a um triunfo para ser campeão brasileiro, enfrentando o Vitória. Devem vir mais três pontos.

Teoria x prática

Como vimos, na teoria, temos pela frente quatro vitórias e dois possíveis tropeços – se um deles for um empate, chegamos à conta mágica. Mas podemos perder de Galo e Vasco. E também podemos, claro, tropeçar nos quatro jogos que contamos com a vitória certa.

Nestes casos, ainda temos que contar com a boa possibilidade de Flamengo e Inter não fazerem campanhas perfeitas. O Flamengo vem de dois empates e vive uma crise interna séria. O Inter tem uma tabela bastante tranquila e parece ter feito as pazes com as arbitragens – ganhou dois pontos de graça no fim-de-semana, graças a um pênalti inventado os 48 do segundo tempo contra o time reserva do Atlético-PR. Mas tem um elenco bastante limitado e o fim de temporada costuma ser cruel com as coxas e panturrilhas dos jogadores. Não podemos contar com tropeços dos adversários – mas que eles podem acontecer, podem.

Atenção total

Em 2009, perdemos para o limitado poder de reposição das peças principais. Duas baixas na reta final, Cleiton Xavier e Pierre, prejudicaram demais o rendimento do time. Além disso, Diego Souza teve uma queda brusca de rendimento após ter sido convocado para um jogo na Bolívia pelas Eliminatórias da Copa de 2010 – nosso camisa 10 voltou abalado pela má exibição.

A atuação grotesca de Carlos Simon no Maracanã, na operação que salvou o Fluminense do rebaixamento, foi um golpe duro no moral do time. Os jogadores passaram a se sentir desprotegidos e a confiança foi pelo ralo. A própria torcida sentiu o golpe – este site mesmo entrou em depressão e ficou até o ano seguinte fora de atividade.

Sem controle dos nervos, o time sucumbiu em Porto Alegre na antepenúltima rodada e ficou apenas com chances matemáticas de chegar ao título – algo que, sabemos, passou longe de acontecer no final.

Esse cenário tenebroso está bem longe do atual, a começar pelo fato de que estamos a apenas seis rodadas do fim – em 2009, o problema começou a dez rodadas do encerramento. A tabela de 2018 parece bem mais tranquila que a de nove anos atrás.

Felipão tem peças de reposição muito mais qualificadas que Muricy Ramalho; além de ter o time muito mais na mão – em conversas com jogadores de 2009, os relatos são de que havia insatisfação no elenco em relação à proposta tática de Muricy.

A única coisa que ainda pode ser igual é a ação da arbitragem. A ajuda que o Internacional, clube que assinou com o Grupo Turner a transmissão dos jogos para TV fechada, mas que lidera uma reviravolta em favor da Rede Globo, recebeu ontem no Beira-Rio contra o Atlético-PR foi escandalosa. E a arbitragem de Bráulio Machado no clássico contra o Santos, apesar de nossa vitória, se vista sob a lente adequada, foi escabrosa.

Se nos resguardarmos com relação às arbitragens, é bem pouco provável que 2009 se repita. E é bom que não se repita mesmo, porque os desdobramentos daquele fracasso refletiram no clube por mais três anos e culminaram com o rebaixamento em 2012, numa sequência mais triste até que a que nos levou ao primeiro rebaixamento, em 2002.

O final de 2018 tende a ser muito, muito mais feliz. Abre os olhos e VAMOS, PALMEIRAS!


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Suspensões marotas e lesões: o quebra-cabeças de Felipão

Antônio Carlos
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

A vitória contra o Ceará manteve as chances do Palmeiras conquistar o decacampeonato muito grandes e agora o time, mais uma vez, vira a chavinha para focar na Libertadores. O Verdão volta à Bombonera para enfrentar o Boca Juniors, desta vez pelas semifinais da competição sul-americana.

A sequência, no entanto, nos obriga a voltar as atenções para o Brasileirão no final de semana, para depois pensar no Boca novamente, no jogo de volta. Ensanduichado entre as duas partidas contra os argentinos, vem o jogo fundamental contra o Flamengo, pelo Brasileirão.

Para complicar ainda mais, a partida no Rio de Janeiro terá que ser disputada no sábado – apenas 3 dias depois da batalha em Buenos Aires. E o Palmeiras terá uma série de desfalques para este jogo.

Felipão tem decisões difíceis para tomar. Ao mesmo tempo em que precisa achar a melhor combinação para cada jogo, levando em consideração os desfalques, precisa também seguir administrando o físico dos atletas para que não estourem na parte mais importante da temporada.

O quebra-cabeças

Felipão
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Para o jogo contra o Flamengo, Felipão não contará com os suspensos Deyverson, Mayke, Bruno Henrique e Lucas Lima. Possivelmente também não terá Marcos Rocha e Jean, baleados; e existe a grande chance de não poder contar também com Diogo Barbosa, que havia sido suspenso pela confusão no jogo do Mineirão e estava liberado para atuar sob efeito suspensivo – ele e Mayke provavelmente devem ter novo julgamento esta semana.

Para o jogo no Maracanã, a saída mais plausível para a lateral-direita é deslocar Thiago Santos, já que as três opções estão fora de combate. A dupla de volantes que restaria é Felipe Melo e Moisés. E com Lucas Lima suspenso, quem deve articular as jogadas por dentro é Guerra.

Hyoran e Scarpa, este sem ritmo algum, devem ser acionados pelas beiradas, para resguardar as condições físicas de Dudu e Willian. Isso porque os dois são considerados titulares e sabemos da predileção de Felipão pela Libertadores – ele não deve abrir mão da dupla nem na Argentina, nem no jogo da volta, na semana que vem.

Assim, o time-base para os dois jogos contra o Boca tende a ser Weverton; Mayke, Luan, Gómez e Diogo Barbosa; Felipe Melo e Bruno Henrique; Dudu, Lucas Lima e Willian; Borja.

Já o time para jogar contra o Flamengo a escalação deve ser Weverton; Thiago Santos, Antônio Carlos, Edu Dracena e Victor Luis; Felipe Melo e Moisés; Hyoran, Guerra e Gustavo Scarpa; Borja.

Notem que Borja e Felipe Melo, além de Weverton, serão bastante exigidos nessa sequência. Façam menções especiais a eles em suas preces.

O responsável

André Luiz de Freitas Castro
Cesar Greco/Ag.Palmeiras

O Verdazzo deu a letra no pré-jogo da partida de ontem: o árbitro André Luiz de Freitas Castro é pródigo em cartões, e nada mais conveniente para a CBF do que escalar a metralhadora de amarelos para apitar uma partida do Palmeiras no jogo imediatamente anterior à partida contra o Flamengo, o queridão da entidade.

Alexandre Mattos e Felipão, macacos velhos, provavelmente já estavam atentos e reforçaram as suspeitas nas entrevistas após o jogo. O Palmeiras tinha oito pendurados; três foram atingidos – sendo que dois deles em cartões nitidamente forçados pelo juiz.

Mayke ia cobrar uma falta, no segundo tempo. O tempo que levou para recolocar a bola em jogo foi trivial. O árbitro justificou na súmula que ele demorou demais – para cobrar um lateral. Já a justificativa para o cartão de Lucas Lima foi pior ainda: por “cometer faltas persistentemente”. No lance, Lucas Lima nem fez falta – e teria sido sua primeira no jogo. A vontade acima do normal de mostrar os cartões nos dois casos é evidente.

Pela quinta vez seguida o Palmeiras foi prejudicado pela arbitragem no Brasileirão – e mesmo assim venceu os cinco jogos. O dano, desta vez, não foi apenas na dificuldade do próprio jogo, mas principalmente para escalar um time completo para a partida seguinte, que coincidentemente ou não, é contra o Flamengo.

Pelo que vemos, a tal reunião de cinco horas na sede da CBF entre o presidente Mauricio Galiotte e a comissão de arbitragem não está adiantando nada. O Palmeiras segue fraco nos bastidores e resta a Felipão e nosso bravo grupo de atletas segurar as pontas na sequência mais crítica da temporada. Se depender da torcida, eles sabem que podem contar com todo o suporte. VAMOS PALMEIRAS!


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Alguém continua não fazendo o que deveria fazer

Copa do BrasilAmanhã teremos os dois jogos de volta das semifinais da Copa do Brasil. No Mineirão, o Palmeiras terá a difícil missão de reverter a vantagem de 1 a 0 que o Cruzeiro abriu há duas semanas, no Allianz Parque; no Itaquerão, a ORCRIM local tenta fazer valer o fator campo para vencer o Flamengo – empate levará a decisão para os penais.

Quatro dos cinco maiores vencedores históricos da competição chegaram ao funil. São camisas muito pesadas e o prêmio recorde para a competição (R$ 50 milhões para o campeão) faz com que o interesse dos clubes, torcidas e imprensa seja redobrado – e também levanta muitas suspeitas.

Mando de campo

A Copa do Brasil deste ano já está sendo marcada por uma decisão bastante questionável, mas que a imprensa bovinamente deixou passar: a definição do mando de campo, feita através de sorteio.

Com o fim da regra do gol qualificado, decidir em casa tem um peso muito grande num mata-mata. O tal do “gol fora” desagrada a muita gente, sabe-se lá por que, mas é um instrumento que tem a função de equilibrar as chances num confronto eliminatório. Descartar esse critério só faria sentido se o mando de campo fosse decidido por méritos técnicos – o Ranking Nacional de Clubes, por exemplo.

Sorteio Copa do BrasilA CBF, no entanto, decidiu entregar a vantagem do mando às bolinhas que rodam em seus globos. Isso faz com que o fator “sorte”, partindo do princípio que os sorteios não são manipulados, tenha um peso muito maior para se chegar a um campeão, o que por si só já desvaloriza o campeonato.

E como estamos falando de uma entidade que não goza da menor credibilidade junto a ninguém, tal decisão, exatamente num ano em que o volume de dinheiro a ser distribuído subiu de forma assustadora, deixa um pulguedo atrás de nossas orelhas.

Intimidade

A proximidade da diretoria do SCCP com a CBF é assustadora. Desde que Andrés Sanchez implodiu o Clube dos 13, há quase 8 anos, a ORCRIM de Itaquera passou a receber presentes de todos as maneiras: em forma de estádio, de verbas da TV desiguais, e de arbitragens que decidem campeonatos. Parece que agora recebe também mandos de campo, com o bônus do fim do gol qualificado. É muita intimidade.

Juízes e bandeirinhas que erram contra o SCCP são imediatamente punidos – às vésperas de uma decisão de vaga na final, que já renderá R$ 20 milhões aos classificados, o auxiliar Christian Passos Sorence não assinalou impedimento de Leandro Damião no último domingo, quando o Inter abriu o placar em Itaquera, e foi “rebaixado” para a Série B, onde os pagamentos por partida são menores. Melhor recado não poderia existir.

A lembrança do choro do árbitro Thiago Duarte Peixoto logo após o Derby do Paulistão 2017 em Itaquera, quando expulsou erradamente o volante Gabriel, é aterradora. Os juízes já sabem quem é o protegido, quem não pode jamais ser prejudicado.

O SCCP já ganhou um campeonato do Palmeiras este ano na mão grande – o 8 de abril jamais poderá ser esquecido, mesmo que nossa diretoria tenha considerado a “missão cumprida” ao ter o pedido de impugnação negado pelo STJD. Já havia roubado um Brasileirão em 2017 na operação casada de Heber Roberto Lopes e Anderson Daronco, e será algo delicado fazer o mesmo pela terceira vez seguida. Por isso, a ordem parece ser evitar um Derby na final da Copa do Brasil a qualquer custo.

VAR não é problema

Wagner Reway anula gol legítimo de Antônio CarlosDe início, o consórcio formado por RGT e a ORCRIM refutaram o uso do VAR. Enquanto a votação dos clubes da Série A, liderada pelo SCCP, barrava o uso da tecnologia para dificultar a manipulação de resultados pelas arbitragens, os profissionais da emissora, capitaneados por Galvão Bueno, colocaram mil e um defeitos no sistema. Até que perceberam que, com um pouco de treino, dá para burlar o sistema.

A anulação do gol de Antônio Carlos, no último lance do jogo de ida, que deixaria o placar igualado no Allianz parque, é a prova cabal que o VAR é uma ferramenta que só vai funcionar nas mãos de gente que não esteja disposta a manipular resultado nenhum. Havendo determinação, o VAR é como uma flor nas mãos da vítima diante do ladrão armado.

Não adianta protestar

Mauricio GaliotteDiante de mais um assalto, o Palmeiras fez o de sempre, pela milésima vez: juntou o material e fez um protesto formal na CBF. Tudo isso, depois de reunir um dossiê mais que completo com ajuda da Kroll para evidenciar que houve interferência externa na final do Paulista. Nada adianta.

Sem força nos bastidores, o Palmeiras vai continuar sendo assaltado, na mão grande. Nenhum de nós, mortais, sabe o que acontece por trás daquelas cortinas, mas um presidente de clube tem que saber.

Alguém continua não fazendo o que deveria fazer.


Semifinais da Copa do Brasil


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Conmebol é pressionada para liberar jogador do Boca suspenso para atuar contra o Palmeiras

Nandez e Fernando Prass
Mariano Álvez/Padre Y Decano

É forte a pressão sobre a Conmebol para que o meia Nahitan Nandez, do Boca Juniors, não precise cumprir toda a pena que lhe foi aplicada devido à briga em que se envolveu no jogo entre Peñarol e Palmeiras, no dia 26 de abril do ano passado, quando ainda defendia o time uruguaio.

Condenado a cumprir cinco jogos de suspensão, Nandez cumpriu dois, e ainda teria mais três partidas de gancho, o que compreenderia todo o primeiro turno da fase de grupos da Libertadores, incluindo a partida no Allianz Parque marcada para o próximo dia 11 de abril.

A imprensa argentina engrossa o coro a favor de Nandez, argumentando que Felipe Melo, que mesmo sendo vítima da situação, pegou seis jogos de suspensão, teve a pena reduzida pela metade após o Palmeiras recorrer em segunda instância. Ocorre que o Peñarol, eliminado da competição, não recorreu e o prazo se esgotou, não cabendo mais recurso.

Nandez vem sendo titular absoluto do meio-campo do Boca e é considerado peça fundamental no esquema do técnico Guillermo Schelotto. Daí vem o esforço dos argentinos, incluindo a imprensa, em pressionar a Conmebol para que revise a aplicação da pena.

No Brasil, silêncio absoluto da imprensa; só a mídia independente palmeirense se manifesta. O Palmeiras, mais uma vez, está sozinho nessa briga.

Derby

Derby - Daronco
Cesar Greco / Ag.Palmeiras

A pressão dos argentinos acontece na mesma semana em que o Palmeiras tem que se preocupar com os bastidores locais, a fim de se prevenir de novos problemas com a arbitragem no Derby do próximo sábado, em Itaquera.

Se dentro de campo Roger Machado e o elenco já estão fazendo um trabalho que se mostra bastante promissor, nos próximos dias teremos uma boa amostra de quanto o Palmeiras está preparado para se defender fora das quatro linhas na temporada de 2018.

Em 2017, deixamos para decidir a temporada na semana do último Derby e fomos claramente prejudicados nos dois jogos decisivos, nos tirando qualquer chance de conquista. Veremos agora o quanto essa lição foi aprendida.


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Arbitragem e imprensa: na era Parmalat, éramos bons também nos bastidores

Treino
Fabio Menotti/Ag.Palmeiras

O Palmeiras voltou aos trabalhos na última quarta-feira e o ambiente é muito bom. O elenco é forte e bem remunerado, e tem a garantia de estar respaldado quanto à estrutura e à pontualidade nos pagamentos. Tudo isso faz do Palmeiras, mais uma vez, forte candidato a levantar taças este ano.

O diretor de futebol Alexandre Mattos concedeu entrevista na abertura dos trabalhos na qual reconhece que o Palmeiras tem todos os elementos para realizar uma temporada cheia de êxitos; declarou ter identificado onde o clube errou na temporada passada e que esses erros não devem se repetir: mencionou a priorização de competições e a forma como se trabalhou a pressão externa pela conquista de campeonatos como falhas a serem corrigidas. Veja abaixo a entrevista completa, bastante esclarecedora.

Mattos, no entanto, não mencionou claramente dois dos fatores mais importantes que interferem nos resultados de um time de futebol: as arbitragens e o desrespeito da imprensa.

Fique de olho no apito

Derby - Daronco
Cesar Greco / Ag.Palmeiras

Em paralelo a qualquer erro que nossos jogadores e diretoria possam ter cometido, tivemos problemas seriíssimos com os homens do apito e das bandeiras. Levantamento da própria CBF, mesmo sem o rigor que qualquer torcedor palmeirense teria se fizesse um estudo semelhante, aponta o Palmeiras como o clube mais prejudicado pelas arbitragens em 2017.

Ficamos em segundo lugar no Brasileirão, a nove pontos do primeiro colocado, mas todos se lembram da operação na reta final da competição. Quem viveu intensamente aquelas semanas sabe que o balde de água fria jogado pelas arbitragens de Héber Roberto Lopes contra o Cruzeiro e Anderson Daronco contra o SCCP foram definitivos para o rumo do troféu.

Equivocadamente, virou senso comum em nossa torcida que o Palmeiras precisa não apenas ser melhor que os adversários: é necessário ser muito melhor, tem que sobrar, para vencer os campeonatos diante da histórica disposição das arbitragens em nos prejudicar.

O Palmeiras não pode aceitar placidamente essa situação. Nossos jogadores tem que se preocupar em vencer somente os adversários; as arbitragens não podem entrar na conta regular de obstáculos a serem vencidos, o absurdo não pode virar regra. A máxima de que os erros acontecem para todos os lados e se anulam precisa voltar a prevalecer – no nosso caso, está claríssimo que não se anulam coisa nenhuma.

A imprensa, sempre ela

ESPN
Reprodução

Se Mattos diagnosticou que a priorização de competições foi um erro, que não se repita. E se acha que a pressão externa atrapalhou, tem dois caminhos paralelos para neutralizá-la: blindar ao máximo o ambiente e preparar os jogadores para se tornarem imunes ao falatório, e minimizar a origem dessa pressão, revertendo a pré-disposição da imprensa em minar o trabalho do Palmeiras.

Outro senso comum em nossa torcida é que a imprensa é anti-palmeirense. Obviamente toda torcida tem esse tipo de reclamação, mas a do Palmeiras tem documentos que escancaram esta perseguição – aqui, uma leitura muito esclarecedora. E recentemente o jornalista Luiz Ademar, ex-presidente da ACEESP, fez um desabafo em sua conta no Twitter a respeito da redação onde trabalhou nos últimos anos.

A perseguição ao Palmeiras é clara e afeta não apenas os jogadores, mas também a torcida, que inadvertidamente passa a fazer parte da pressão descomunal que é transmitida principalmente via redes sociais aos atletas. Para jogar em clube grande é preciso aguentar pressão, é certo, mas no Palmeiras ela é muito maior que nos adversários e é outro fator de desequilíbrio numa disputa que deveria ser justa.

A arte de trabalhar nos bastidores

Maurício GaliotteOs bastidores tem esse nome por se tratar de uma série de atividades feitas na penumbra. A discrição das atitudes, dependendo de quem as toma, pode estar relacionada a situações que envolvem a preservação de suscetibilidades – ou em casos menos virtuosos, ameaças à ética.

Dentro dos limites traçados pelos princípios éticos que deveriam guiar a sociedade, esperamos que os dirigentes do Palmeiras defendam os interesses do clube como todo o empenho. E isso envolve garantir que as arbitragens não nos roubem mais. Não queremos ser favorecidos, mas não aceitamos mais ser roubados.

Exigir o tratamento correto dos órgãos de imprensa, fazendo com que o evidente favorecimento a SCCP e Flamengo cesse e que o desprezo a tudo que envolve o Palmeiras dê lugar ao respeito é outra frente que precisa ser trabalhada.

Saber como se faz isso é obrigação de quem se coloca na situação de dirigir um clube de futebol. Conhecer o caminho dos bastidores é uma informação que se passa de presidente para presidente. De cartola para cartola. Se virem.

Hora de se mexer, de uma vez por todas

Palmeiras-ParmalatO Palmeiras já soube muito bem defender seus interesses nessas duas frentes. Durante o período em que a gestão de nosso futebol foi feita em conjunto com a Parmalat, o Palmeiras não era sistematicamente roubado. As arbitragens não eram perfeitas, mas a máxima dos erros que se anulam prevalecia.

E naqueles anos, tirando um ou outro jornalista caricato, a imprensa respeitava o Palmeiras e ninguém importante se metia a besta com nosso time. E é claro que a ordem vinha de cima, porque se dependesse da vontade da maioria deles, prevaleceria a camisa que vestem por baixo.

Com exceção das já mencionadas exceções caricatas, ninguém tem nada a dizer da ação do Palmeiras e da Parmalat nos bastidores com relação a limites éticos naquela época. Bem o contrário do que a história recente de outros clubes rivais contam.

Nosso elenco é ótimo, nossa estrutura é fantástica e nosso bolso vai muito bem, obrigado. Mas tudo isso, já vimos em 2017, não é suficiente se não fizermos como na década de 90 e nos impormos, não só diante dos onze adversários que entram em campo para nos enfrentar, mas diante dos inimigos que, nas sombras dos bastidores, fazem o que podem para levar vantagens indevidas sobre nós.

Que nosso presidente, assim que voltar de suas férias, trabalhe forte nessas frentes para garantir que não percamos mais títulos este ano que não sejam por mérito esportivo dos adversários.


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